Por bruno.dutra

Rio - Desenvolvidas atualmente como projetos-piloto no país, as smart grids (redes inteligentes) vão chegar a 15 milhões de domicílios brasileiros — 25% do total — nos próximos três anos, segundo estudo divulgado ontem pela consultoria Frost & Sullivan. Por detrás desse avanço estão o esforço das concessionárias de distribuição de energia para reduzir perdas e o interesse das operadoras de telecomunicações em expandir o alcance de seus serviços. Mercados praticamente inexplorados no país, como o de monitoramento eletrônico (segurança) e automação residencial devem crescer mais de dez vezes até 2018.

Em 2013, os programas-piloto de distribuidoras somavam 1,2 milhão de residências conectadas, de acordo com a pesquisa da Frost & Sullivan, que ontem apresentou suas projeções para o mercado latino-americano de serviços de telecomunicações em 2015. Além de permitir ao cliente controlar de forma precisa seu consumo e até vender energia para a concessionária, as redes elétricas inteligentes permitem conexão básica à internet. Mesmo sem ser de banda larga, esse tipo de conexão pode alavancar segmentos de negócios praticamente inexplorados no país. “O mercado de monitoramento doméstico (eletrônico) é pouco desenvolvido no Brasil e extremamente fragmentado”, exemplificou Renato Pasquini, diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação da Frost & Sullivan para a América Latina.

As projeções da consultoria indicam que os serviços de telemetria (monitoramento eletrônico) alcançarão nove milhões de lares brasileiros até 2018, contra um total de apenas 800 mil em 2013. A expansão da automação residencial, no período, também ocorrerá de forma acelerada, passando de 300 mil residências (2013) para 3,1 milhões (2018).

Levantamento divulgado em outubro do ano passado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), estimou em R$ 1,6 bilhão os investimentos em smart grids, distribuídos por cerca de 200 projetos-piloto, envolvendo 450 instituições. A mineira Cemig, por exemplo, desenvolve o projeto Cidades do Futuro, um conjunto de iniciativas que já consumiu cerca de R$ 23 milhões em recursos para pesquisa e desenvolvimento de uma rede elétrica inteligente.

A EDP, distribuidora que atua no Espírito Santo e em São Paulo, desenvolve projetos similares em ambos os estados — em junho de 2014, anunciou que os municípios capixabas de Domingos Martins e Marechal Floriano seriam os primeiros dotados de smart grid. Já a AES Eletropaulo investiu R$ 75 milhões na instalação de medidores eletrônicos em residências de 2.057 famílias, concluída em dezembro, no município paulista de Barueri.

Para 2015, a expectativa da Frost & Sullivan é de que o mercado de serviços de telecomunicações registre crescimento de um dígito na América Latina, impulsionado também pelos segmentos de pagamentos móveis e de comunicação entre máquinas (M2M), entre outros. “O mobile payment finalmente vai decolar este ano na América Latina”, afirmou Georgia Jordan, analista de pesquisa da Frost & Sullivan para o setor de telecomunicações. O mercado de pagamentos móveis baseado em serviços das operadoras de telecomunicações deve terminar o ano com 17,8 milhões de usuários registrados na região, um aumento de 62,6% em relação a 2014. “O Brasil vai tomar o primeiro lugar do México em 2016 e, em 2018, deverá representar 50% do mercado de pagamentos móveis na América Latina”, disse Georgia.

A popularização dos serviços machine-to-machine deve ampliar em mais de dois milhões o total de conexões entre máquinas existentes no Brasil em 2015. A Frost & Sullivan projeta para o final do ano, um total de 12 milhões de conexões M2M no Brasil, contra 9,9 milhões em 2014. “Hoje, o M2M está muito concentrado no mercado móvel. É utilizado principalmente em aplicações como máquinas de POS (usadas para pagamentos com cartões de crédito e débito) e rastreamento de veículos”, detalhou Georgia. “Em 2015, teremos novos players e tecnologias chegando à região.”

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