Por monica.lima

Não é de hoje que se ouve falar em gerenciamento de carreira e marketing pessoal de celebridades, mas antes feitas de forma informal, essas atividades estão se tornando cada vez mais profissionais e já movimentam novos negócios no país, sob o chapéu do chamado “personal branding”.

Atletas, artistas e personalidades brasileiros pouco a pouco começam a perceber a importância de gerirem melhor suas “marcas”, principalmente com a internet e as redes sociais que, ao mesmo tempo em que podem dar projeção, podem trazer efeitos negativos. Com isso, ferramentas antes restritas às empresas, como formas de medição de valor de mercado, começam a ser utilizadas para pessoas, e novas agências — e algumas antigas que também se reinventam — iniciam suas jornadas para ocupar esse espaço.

Um relatório da JWT Intelligence divulgado no final do ano passado nos EUA aponta o chamado “me brand” — branding pessoal, em tradução livre — como uma das 100 tendências para 2015.

“O mercado está agora utilizando ferramentas, antes aplicadas somente à gestão de empresas, em marcas pessoais. Daí surge a necessidade de se ter especialistas que ajudem a tornar essas marcas mais interessantes. Parte desse trabalho de branding passa pela associação de marcas”, diz a professora de Marketing Digital do Ibmec/MG, Grazielle Mendes.

“O apoio profissional é importante, principalmente porque ao mesmo tempo em que podem ajudar muito a construção, as mídias sociais podem destruir uma marca, seja ela pessoal ou de uma empresa”, concorda o professor de Gestão de Marcas da ESPM Rio, Antônio Carlos Morim.

É justamente nessa lacuna, que a NoPlanB atua. Um dos principais trabalhos da agência, criada há cerca de um ano, é aproximar personalidades e marcas. “Fazemos o que chamamos de planejamento transmídia de carreira, cuidando da imagem na TV, internet, impressos, redes sociais, etc. Nosso trabalho não é construção em cima daquilo que não existe, é ser proativo para que não haja distorção”, completa o criador da NoPlanB Pedro Tourinho.

A agência, que já trabalha com nomes como Chay Suede — recém-chegado à empresa —, Bruno Gagliasso, Paulinho Vilhena e Marco Pigossi. O foco inicial era somente atores, mas, ressalta Tourinho, no mês que vem devem ser anunciados artistas do meio musical.

“O conceito é o mesmo utilizado para marcas de empresas. A ideia é focar em atributos específicos das pessoas e mostrá-los da forma mais adequada”, explica o coordenador do PROMARK/FIA, Marcos Campomar.

Criada há 15 anos pela apresentadora Ana Maria Braga e pelos irmãos Carlos e Cléber Madrulha, a 2MB foi uma das primeiras empresas de agenciamento artístico. Desde o início, os chefs de cozinha estão entre os principais clientes. Hoje, nomes como Ana Maria Braga, Edu Guedes e Palmirinha Onofre estão na lista da empresa.

“O Brasil ainda esta engatinhando neste mercado. Só agora cursos de marketing estão se especializando em branding de celebridades. Em comparação com os EUA, que vem trilhando com maestria a construção de celebridades como marca, principalmente no esporte, com Michael Jordan e, mais recentemente, LeBron James, ainda temos muito que crescer”, diz Stephanie Klovrza, sócia da 2MB.

Felipe Iacocca, sócio fundador da iFruit — agência de “celebrity branded content”, especializada em gestão de campanhas digitais nas redes sociais —, ressalta que hoje as celebridades já são vistas como veículos de comunicação.

“Elas produzem conteúdo e têm uma grande audiência, como uma revista e um canal de TV, e, inclusive, através da internet. Tudo é 100% mensurável. Este fenômeno ganhou peso nos últimos cinco anos, quando as audiências e tempo de navegação de usuários nestas plataformas se tornou maior que nos meios tradicionais. Uma grande celebridade hoje tem em torno de 5 a 10 milhões de seguidores com alta interação, interesse e engajamento”, diz Iacocca.

Pioneira do gerenciamento de carreira de atletas, contando com nomes como Neymar Jr. e Junior Cigano, a 9ine, do grupo WPP, também já cuida do personal branding de artistas como Paula Fernandes e Paolla Oliveira.

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