Raízen lucra com combustível e tem perdas na produção

Divisão de Energia, que teve resultado negativo, foi impactada pela seca, que reduziu o volume de cana-de-açúcar

Por O Dia

São Paulo - A Raízen — joint venture da Cosan e da Shell para a produção, a comercialização e a distribuição de combustíveis e de produtos derivados da cana-de-açúcar — apurou um lucro líquido de R$ 314,4 milhões entre outubro e dezembro, período que compreendeu o terceiro trimestre da safra 2014/2015. A cifra representou um salto de 35,1% em relação aos ganhos reportados um ano antes. A receita operacional líquida no intervalo foi de R$ 16,9 bilhões, alta de 14,1% na mesma base de comparação.

O resultado divulgado ontem pela empresa foi impulsionado pela Raízen Combustíveis, área responsável pela distribuição e venda de combustíveis como o diesel, a gasolina e o etanol. Com um lucro líquido no período de R$ 401,9 milhões — 15,4% superior ao montante registrado no terceiro trimestre da safra 2013/2014 —, a operação compensou o prejuízo líquido de R$ 87,5 milhões da Raízen Energia. Segundo a companhia, a perda se deu em função da maior variação cambial, compensada em parte pelo ganho com derivativos e o maior rendimento de aplicações financeiras. Na comparação com o intervalo de outubro a dezembro de 2013, quando a Raízen Energia computou um prejuízo líquido de R$ 115,4 milhões, a redução da perda, no entanto, foi de 24,2%.

Segundo a Raízen, o bom desempenho da Raízen Combustíveis teve como base um melhor resultado operacional, com o aumento da margem bruta, fundamentado pelo crescimento de 7,2% no volume total de combustíveis vendidos no período. A empresa destacou as altas registradas pelo diesel, gasolina e etanol, cujos volumes cresceram 6,6%, 9,7% e 10,6%, respectivamente. Ao mesmo tempo, o preço médio dos produtos comercializados cresceu 5%, muito em função das correções de preço da gasolina e do diesel praticados pela Petrobras, informou a companhia na divulgação do balanço. Outro fator ressaltado foi a redução das despesas com vendas, que totalizaram R$ 247,7 milhões, queda de 10,6% frente o exercício anterior.

Já na Raízen Energia, outro fator que impactou negativamente o resultado foi uma redução de 27,5% no volume de cana-de-açúcar moído no período, para 11,7 milhões de toneladas, na comparação com um ano antes. Segundo a companhia, as perdas foram geradas “por condições climáticas adversas, representadas pelo clima seco que prejudicou o crescimento do canavial”. Esses fatores levaram a uma redução total de 7% no volume de cana moída na safra 2014/2015. A empresa também destacou que a produtividade agrícola — medida pela tonelada de cana por hectare — apresentou uma queda de 12,7%, em virtude do déficit hídrico sofrido pela região Centro-Sul desde o fim da safra 2013/2014.

A Raízen Energia fechou o trimestre com uma receita operacional líquida de R$ 2,6 bilhões, 24,3% superior a um ano antes. Segundo a companhia, o crescimento foi impulsionado por fatores como o crescimento de 34,2%, para R$ 1,2 bilhão, da receita líquida pela venda de açúcar, bem como o aumento de 2,8% no preço médio do etanol praticado no período.

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