Braskem busca nova extensão de contrato com a Petrobras

Empresa negocia terceira prorrogação de acordo de fornecimento de Nafta para evitar impacto negativo na produção

Por O Dia

São Paulo - A Braskem — maior petroquímica das Américas — negocia uma nova prorrogação no contrato de fornecimento de nafta pela Petrobras. Diante do cenário de denúncias de corrupção e de troca recente no comando da parceira e também acionista, a companhia considera que essa é a alternativa mais viável para evitar, em curto prazo, impactos substanciais em sua produção.

Caso seja firmado, o novo acordo representará o terceiro aditivo firmado na relação com a Petrobras, que responde por 70% da demanda anual da Braskem, de 10 milhões de toneladas da matéria-prima. As duas prorrogações anteriores tiveram como prazo um período de seis meses, sendo que o último acordo vence no próximo dia 28. “Temos poucos dias úteis até o vencimento do contrato e é baixíssima a probabilidade de encontrarmos uma solução de longo prazo. No momento, o que parece mais factível e realista é trabalhar em uma alternativa que dê tempo para que a nova direção se familiarize com os números e com o tema”, afirmou Carlos Fadigas, presidente da Braskem, durante teleconferência de divulgação dos resultados da companhia. “Nosso foco é evitar que a empresa fique sem fornecimento, o que seria péssimo não só para a Braskem, mas para toda a cadeia petroquímica”, completou.

O executivo descartou, no entanto, pleitear na nova prorrogação a mudança no fornecimento de nafta pela Petrobras com preços em aberto, questão que foi estipulada no último aditivo e que previa ainda a cobrança de preços retroativos à época da assinatura do acordo. “Nós gostaríamos de avançar nessa demanda, mas o tempo não está a nosso favor e entendemos que é melhor não levantar essa discussão. Dentro do cenário atual, precisamos fazer um exercício de pragmatismo”, disse.

Fadigas destacou, porém, que o posicionamento da empresa continua rigorosamente igual no que diz respeito a uma questão diretamente relacionada à definição dos preços da matéria-prima no último aditivo e à decisão pela renegociação do contrato, iniciada há um ano. Na época, a Petrobras decidiu direcionar parte do volume antes destinado à Braskem para a produção de gasolina. Para manter o fornecimento à parceira, a Petrobras passou a importar parte da matéria-prima. “Se a Petrobras virou importadora, não foi pela demanda de nafta, mas sim, pelo aumento da demanda de combustíveis. Esses custos não pertencem ao nosso setor e, de qualquer maneira, não temos como absorvê-lo”.

Outro fator ressaltado pelo executivo foi a decisão da Braskem de não participar — ao menos, em curto e médio prazos — do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que está sendo construído em Itaboraí. No lugar do projeto que estava no radar da companhia, a nova rota da empresa será investir na ampliação da capacidade de sua unidade instalada em Duque de Caxias (RJ). “Nós analisamos a ampliação da capacidade com o Comperj, mas na taxa de retorno, identificamos que é melhor crescer a produção em Duque de Caixas do que começar tudo do zero”, disse Fadigas. Ele completou dizendo que o avanço do projeto de expansão da planta está diretamente ligado ao contrato de fornecimento com a Petrobras. “Ainda não temos um número exato, mas o que buscamos está próximo da duplicação da capacidade”.

O fornecimento — e a possibilidade de racionamento — de energia também estão na pauta da Braskem. Uma das prioridades é a renovação do contrato com a Chesf, concessionária que atende as unidades da empresa na Bahia e em Alagoas. Juntamente com outras seis empresas eletrointensivas que operam na região, a Braskem está negociando e buscando alternativas junto ao Ministério das Minas e Energia. Sob uma abordagem mais ampla, Fadigas disse que a empresa tem planos para diversos cenários de escassez de fornecimento no país, mas que tudo dependerá do modelo proposto pelo governo federal. Segundo ele, a modelo ideal seria a possibilidade de escolha das empresas para flexibilizar a distribuição da produção em suas unidades ou mesmo alterar suas linhas de produto. Já na questão da crise de fornecimento de água, a Braskem disse não esperar grandes impactos, já que a empresa tem investido em projetos de tratamento e reúso em suas unidades instaladas no ABC paulista e na Bahia.

Para este ano, especialmente no mercado interno, Fadigas disse esperar a continuidade do cenário observado em 2014, quando as vendas de resinas no país apresentaram uma queda de 1% em relação a 2013, para 5,3 milhões de toneladas. No período, a Braskem vendeu 3,6 milhões de toneladas, redução de 2,8%. “Esse ano não será muito diferente de 2014. Nós esperamos uma demanda em uma zona mais neutra, em linha com o PIB”, disse. No consolidado de 2014, a Braskem reportou um lucro líquido de R$ 726 milhões e receita líquida de R$ 46 bilhões, altas de 43% e 12%, respectivamente.

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