Por monica.lima

Rio - O Grupo Pão de Açúcar (GPA) inicia este ano um projeto de eficiência energética que visa reduzir o consumo de energia elétrica nas lojas da rede no país. Com duas frentes de atuação, a empresa está trabalhando na automação dos sistemas de refrigeração e de ar-condicionado, além do fechamento com vidros dos balcões verticais e ilhas horizontais nas lojas. O recurso é usado em filiais do Casino — controlador do GPA — em Paris e, no caso de um hipermercado, pode reduzir em até 25% os gastos com energia.

“Fizemos a implantação destas ações em três unidades do GPA(as redes Extras Hiper de Osasco, Morumbi e Ricardo Jaffet, todas em SP), e mais 20 lojas devem receber o mesmo tratamento no início de 2015. O objetivo é encerrar o ano com mais de 100 hipermercados com essas soluções implementadas”, diz o CEO do GPA, Ronaldo Iabrudi.

Outra iniciativa, também em fase inicial de implantação, é o uso de placas solares. O projeto-piloto do sistema já opera em duas lojas, sendo uma da bandeira Assaí, de atacado, e outro do Extra Hipermercados, ambas em Várzea Grande (MT). Iabrudi acrescenta que as medidas fazem parte do trabalho do comitê anticrise, criado para projetar cenários adversos no período da Copa do Mundo, e que foi mantido depois do evento.

“No ano passado, antes da Copa, criamos um comitê anticrise, inicialmente com a preocupação com manifestações e seus desdobramentos. De uma maneira intuitiva, resolvemos manter o comitê e começamos a trabalhar com ações relacionadas à energia elétrica. Em setembro do ano passado decidimos pelo projeto de eficiência energética que, este ano, chegará a 180 lojas que apresentam os maiores custos de energia”, explica Iabrudi.

Com relação ao programa de geração de energia solar, o executivo do GPA se limitou a dizer que os resultados ainda serão mensurados, com base nas duas lojas do Mato Grosso escolhidas para o projeto-piloto.

“Estamos trazendo placas importadas da China. Vamos avaliar sua eficiência, os custos, para depois então iniciar a expansão deste projeto a partir de 2016. Mas vamos fazer cotações com vários fornecedores”, acrescentou Iabrudi.

Em dezembro de 2013, os executivos do GPA e do Casino, em uma visita às lojas do grupo em Paris, informaram que a GreenYellow, subsidiária de energia do Grupo Casino também, entraria no mercado brasileiro a partir de 2014. Na França, aproximadamente 10% do consumo de energia das lojas do Casino são resultado do uso de energia solar gerada pela GreenYellow. Ao todo, 55 lojas da rede no país usam energia solar.

Com relação à crise hídrica, Iabrudi acredita que não terá problemas para enfrentar a falta de água em estados como São Paulo, por exemplo. Ele adiantou que muitas das lojas do GPA têm poços artesianos e outros estão sendo construídos. Sobre o atual momento macroeconômico, o CEO do GPA foi enfático em dizer que, em momentos de crise, não há melhores chances de se criar oportunidades. E é nessa linha de raciocínio que ele aposta em crescimento em 2015.

“Em momentos de crise temos oportunidade de consolidar posições no mercado. No ano passado e no ano retrasado, era muito difícil crescer porque a burocracia para comprar terrenos, construir e conseguir licenças ambientais, demandava mais tempo do que a construção de uma loja em si. E o volume de empresas disponíveis para construir era menor, aliado a um custo maior. Agora, estamos diante de uma oportunidade. Nesse momento, o custo do terreno e do aluguel caiu, as construtoras estão mais disponíveis e a burocracia está menor”, afirma ele, acrescentando que a empresa está preparada para investir o mesmo e crescer mais do que em 2014.

Diante de uma projeção de baixo crescimento, ou nenhum crescimento, da economia brasileira e o repasse em torno de 8% nos preços por parte da indústria para o varejo, Iabrudi afirma que confia na relação “de longa data” que tem com seus fornecedores para garantir margens favoráveis ao seu negócio. E afirma que a sua “inflação interna”, resultado de uma política de redução de custos e negociações bem planejadas, costuma ser menor do que a do mercado, o que favoreceria a empresa na venda ao consumidor.

“Temos percebido uma preocupação em repasse de preços, mas nossa inflação interna foi menor do que a inflação oficial. E entendemos que, em momento de pico, pela relação de longa data com fornecedores, conseguimos uma boa negociação”, diz.

No varejo não alimentar, Iabrudi comenta que o grupo vê na fidelização de clientes o caminho para manter as vendas e driblar o momento de baixa confiança do consumidor no futuro da economia.
“Temos clientes fiéis que compram há cinco, dez, 15 anos, na Casas Bahia, Ponto Frio e agora CNova. Não temos problemas com inadimplência. E, para, eles vamos ter sempre preços competitivos, aliando a atendimento e contato direto com o cliente”, garante.

Em 2015, foco do grupo é na rentabilidade

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) fechou o ano de 2014 com receita de R$ 65,5 bilhões, crescimento de 13,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro líquido ajustado foi de R$ 2,084 bilhões, alta de 20,1% em relação a 2013. Em teleconferência com analistas e jornalistas, o CEO do GPA, Ronaldo Iabrudi, disse que, apesar de 2014 ter sido um ano complexo, a empresa se preparou, pensando nas estratégias para cada unidade de negócios. E que o foco em 2015 está na rentabilidade.

“O primeiro semestre de 2014 foi menos ruim, gradualmente se deteriorando, e o segundo semestre foi definitivamente muito difícil. A gente está vendo o contrário esse ano. Vamos ter um primeiro semestre que não vai ser tão bom", disse.

Um dos caminhos para aumentar a rentabilidade da empresa está na mudança de perfil dos hipermercados, redimensionando o tamanho das unidades e investindo em um mix de lojas com a oferta de produtos e serviços que possam garantir uma frequência de clientes constante.

“O cliente hoje não quer caminhar em um hipermercado de seis mil metros para comprar do iogurte à água e o produto de bazar para a sua casa. Com isso reduzimos o tamanho do hiper e, assim, aumentamos a frequência com mais operações disponíveis. Isso é positivo para o segmento alimentar e para o investidor, por aumentar a rentabilidade do nosso negócio”, completa ele, acrescentando que a maioria dos investimentos está sendo feito em lojas já existentes e isso reduz o custo da empresa com as alterações em 25%.

Iabrudi adiantou que o plano de mudança de unidades começa em fevereiro, no Rio de Janeiro, e depois segue para as regiões Nordeste e Centro-Oeste, a partir de março. A região Nordeste é também o foco do grupo para o mercado de proximidade. Segundo o CEO do GPA, Recife, Pernambuco e Paraíba têm um potencial muito grande de consumidores. O GPA fechou 2014 com 97 lojas de proximidade, 15 do Minuto Pão de Açúcar e 83 do Mini Mercado. A região também está nos planos de expansão da rede de atacado Assai. Com Reuters

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