Sony anuncia um novo plano de reestruturação

Com a meta de alcançar um lucro operacional de 500 bilhões de ienes em março de 2018, a companhia japonesa vai priorizar games, sensores e entretenimento, e projeta a separação de unidades de negócios

Por O Dia

São Paulo -  Prestes a divulgar seu sexto prejuízo líquido nos últimos sete anos, a Sony anunciou um novo plano de reestruturação, dando continuidade às sucessivas tentativas da companhia em recuperar a relevância perdida no mercado, especialmente a partir de 2011. Com aplicação nos próximos três anos fiscais, a estratégia inclui o fortalecimento do foco da companhia japonesa nos segmentos de games, de sensores de imagens e de entretenimento, bem como a separação e/ou a venda de unidades de negócios, um modelo já adotado em áreas como a divisão de PCs, vendida há cerca de um ano para o fundo de Japan Industrial Partners.

Em comunicado, o grupo destacou que a Sony irá “posicionar o retorno sobre patrimônio líquido como o principal indicador de desempenho” e que a meta nessa frente é alcançar um índice de mais de 10% ao fim do ano fiscal de 2017, que será encerrado em 31 de março de 2018. Para o mesmo intervalo, a empresa projeta reportar um lucro operacional de mais de 500 bilhões de ienes (US$ 4,2 bilhões), cifra 25 vezes superior ao lucro operacional de 20 bilhões de ienes previsto para o ano que será concluído no fim de março. “A estratégia a partir do próximo ano fiscal — que será iniciado em abril — será gerar lucro e investir para crescer”, afirmou Kazuo Hirai, executivo-chefe da Sony, em coletiva de imprensa realizada em Tóquio. O executivo ressaltou que a gestão dará ênfase à rentabilidade, sem necessariamente perseguir o aumento do volume de vendas no período, em particular, em segmentos como o mercado de smartphones, no qual a empresa vem enfrentando — há anos — dificuldades na competição com gigantes como Samsung e Apple e, mais recentemente, com as chinesas Lenovo e Xiaomi.

Dentro do plano traçado, a Sony estabeleceu a divisão de suas unidades de negócios em três classificações. Batizada de “motor de crescimento”, a área prioritária inclui os segmentos responsáveis pelos recentes sinais de melhora nos resultados da companhia. Além da área de games e serviços de rede, na qual a Sony já contabilizava no início de dezembro mais de 17,8 milhões de unidades vendidas do console PlayStation 4, o pacote inclui os negócios de entretenimento — como as produções para TV e cinema, e os serviços de música — e os sensores de imagem usados em tablets e smartphones. Nessa última frente, a Sony começa a reforçar a adoção da mesma estratégia implementada anteriormente por outras companhias japonesas, como a Panasonic e a Sharp, com o maior foco na venda de componentes para empresas, em detrimento da competição acirrada na venda de dispositivos para consumidores. Hoje, por exemplo, os sensores da Sony são usados no iPhone, da Apple.

A Sony ressaltou que irá destinar investimentos agressivos nessas áreas mais lucrativas. Na divisão de games, a ideia é ampliar a base instalada das plataformas do PlayStation, enquanto em entretenimento, o foco é o crescimento da audiência e da oferta de canais nos negócios de TV, além da melhora das margens nos negócios de cinema e da maior atenção em setores em expansão no mercado, como o streaming de música. A companhia também afirmou que irá investir no lançamento de mais modelos de negócios de receita recorrente. Em sensores, a Sony anunciou no início do mês um investimento de cerca de US$ 890 milhões para ampliar sua capacidade de produção do volume atual de 60 mil unidades mensais para 80 mil unidades por mês até o fim de junho de 2016.

Em um segundo patamar, a Sony apontou os produtos e soluções de Imagem, e de Vídeo & Áudio, como negócios geradores de lucro estável. Nessas áreas, a empresa afirmou que irá buscar a combinação da redução custos fixos e de controle de estoque, com o lançamento de produtos em determinados segmentos — não especificados —, mais abertos à oferta de tecnologias mais sofisticadas.

Ao mesmo tempo, a fabricante programou para 1º de outubro o início de uma nova etapa da estratégia de separação de suas unidades de negócios. A divisão de Vídeo & Áudio será o alvo dessa primeira investida. O plano é lançar uma subsidiária totalmente independente e “auto sustentável”, com mais autonomia e agilidade para a tomada de decisões. A companhia disse ainda que pretende avançar nos preparativos para a cisão de outras áreas, sem especificar quais seriam esses negócios. “A separação das nossas unidades de negócios tornará a cooperação com outras empresas, a reestruturação, as aquisições e a atribuição de responsabilidades muito mais fáceis”, afirmou Hirai.

Apontadas como responsáveis pelos principais impactos negativos nos resultados da Sony nos últimos anos, os negócios de TVs e de smartphones foram classificados como “áreas de gestão de volatilidade” pela companhia. Dado esse cenário, as duas divisões são o principal alvo das especulações no que diz respeito à estratégia de separação e investimento em subsidiárias independentes. A própria Sony informou que irá explorar “potenciais alianças com outras empresas nesses segmentos”. “Mais importante que as metas é o fato de que a transformação da empresa continua em ritmo acelerado”, disse Mitsushige Akino, diretor-executivo da Ichiyoshi Asset Management. “Eles precisam vender as operações de TV e de celulares, e focar nos negócios em que possam tirar o máximo de proveito dos pontos fortes que têm em dispositivos e conteúdo de entretenimento”.

O plano é o mais recente passo de Hirai, que assumiu o comando da Sony há exatos três anos. Na época, além da concorrência acirrada em smartphones e dos impactos gerados pela demora da companhia em migrar sua oferta para as TVs de tela plana, a empresa contabilizava os efeitos negativos de fatores como a valorização do iene. No primeiro ano de gestão, o executivo registrou bons indicadores, ao investir em questões como redução de custos, cortes na equipe e a venda de ativos. Como resultado, a Sony reportou lucro líquido de US$ 43 bilhões de ienes no fim do ano fiscal, em março de 2013. A empresa, no entanto, voltou a registrar prejuízo no exercício seguinte. No último ano, porém, a Sony conseguiu retomar alguns bons índices. Um dos fatores que agradaram ao mercado foram as políticas implementadas por Kenichiro Yoshida, que assumiu como diretor financeiro em abril de 2014. Ontem, a Sony anunciou que o executivo passará a acumular o cargo com a posição de vice-presidente da companhia. Com agências

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