Por monica.lima

Rio - Prestes a completar um ano no Brasil, a fabricante americana de materiais esportivos Under Armour planeja voos mais longos por aqui, com a abertura de lojas próprias e outlets. Atualmente, a marca já está em mais de 300 pontos de venda, incluindo lojas multimarcas como Centauro, além de e-commerces como Netshoes.

Segundo Thomas Tagliaferro, diretor executivo de Criação da agência New Style, agência responsável pelo trade marketing da Under Armour desde sua chegada ao Brasil, a primeira unidade ficará no Shopping Morumbi, em São Paulo, mas a empresa teria planos para mais lojas no país.

A marca criada por Kevin Plank, que já ultrapassou a Adidas no mercado americano no ano passado, viu no Brasil a oportunidade de expandir ainda mais sua fatia no mercado mundial. Em menos de 10 anos, a empresa já está em mais de 80 países e foi avaliada, em 2013, em mais de US$ 2,3 bilhões. “Nossa visão é ser uma das marcas líderes do mercado esportivo no Brasil”, diz diretor de Marketing da Under Armour, Bruno Abilel.

Para o sócio-fundador da consultoria Sonne Branding, Maximiliano Tozzini Bavaresco, ainda há muito espaço no mercado esportivo brasileiro que, apesar de muito competitivo e dominado por empresas menores, já cresce mais do que o dos Estados Unidos. Entre 2014 e 2018, a expectativa é que esse setor expanda mais de 7,8% ao ano, enquanto nos EUA — um mercado sete vezes maior do que o brasileiro —, o crescimento esperado é de cerca de 5% ao ano, segundo estimativas da Euromonitor de abril de 2014.

“Nos últimos anos, com o amadurecimento da população em relação à saúde e bem-estar, com maior acesso à informação e melhoria na renda, surgiram novas oportunidades para as marcas de material esportivo”, diz Bavaresco. “A Under Armour vai ser um player que vai incomodar as grandes marcas, principalmente nos produtos que envolvam nichos de alta performance”, completa ele.

Além do investimento em lojas próprias, que de acordo com Bavaresco é essencial para que a marca atraia novos clientes, o futebol e Gisele Bündchen como garota-propaganda estão entre as apostas da Under Armour para se aproximar do consumidor brasileiro. A empresa que, segundo a imprensa esportiva, fechou com o São Paulo para fornecer o material esportivo do time a partir de maio, estaria negociando o patrocínio a outro clube brasileiro. O mais cotado seria o Internacional.

“Quando falamos em Brasil, é inequívoca a força do futebol. Patrocinar grandes times é uma estratégia já adotada por outras marcas para se posicionar como empresa grande, de qualidade e que fabrica produtos de alta performance”, ressalta o sócio-fundador da Sonne.

Crescimento acelerado também por aqui

Segundo o gerente de Marketing e Comunicação da Netshoes, Renato Mendes, a Under Armour cresce rapidamente dentro do e-commerce e já é uma das dez fabricantes mais procuradas. “A marca tem potencial para, em um curto espaço de tempo, se tornar uma top 5, o que não é pouco dentro de um e-commerce que fatura R$ 1,3 bilhão. A Under Armour fez o dever de casa em construção e posicionamento de marca”, destaca ele.

Nas lojas físicas, a evolução também está longe de deixar a desejar. Quando a companhia desembarcou no Brasil, eram apenas 35 espaços dedicados à Under Armour nas unidades da Centauro, uma das suas principais parceiras. Ainda no segundo semestre de 2014 — a empresa anunciou sua vinda para o Brasil em março — a exposição da americana foi aumentada para 90 lojas Centauro.

“Em razão deste sucesso, estamos adequando novas estratégias com a marca. Nosso intuito é oferecer ainda mais produtos, com novas linhas e preços atrativos ao mercado. Além disso, a Centauro pretende contar com itens Under Armour, em 2015, em praticamente todas as unidades do Brasil”, ressalta o gerente de Desenvolvimento e Coordenação de Vestuário da Centauro, Caio Tunin.

“A marca já é conhecida pelos praticantes de esporte e consumidores de produtos de alta performance. Estamos trabalhando em lançamentos para esse ano. Existe estratégia de loja própria e vamos cuidar de toda a parte de merchandising”, acrescenta o diretor executivo de Criação da agência New Style, Thomas Tagliaferro.

Uma expansão para ‘ninguém botar defeito’

Mais um ano para comemorar. Além de ter conquistado a segunda posição no mercado americano, desbancando a alemã Adidas e ficando apenas atrás da Nike, a Under Armour divulgou no início do mês um crescimento de 32% na sua receita líquida em 2014, chegando a US$ 3,08 bilhões. O grande destaque foi o segmento de vestuário, que registrou uma alta de 30% na receita líquida.

A empresa ainda considera cedo para falar dos números brasileiros, mas afirma que o retorno já está acima do esperado. “Algumas pessoas já conheciam a marca de fora, mas mesmo os novos clientes têm aceitado muito bem, e os nossos varejistas parceiros estão satisfeitos”, afirmou o diretor de Marketing da Under Armour, Bruno Abilel.

Por aqui, além de Nike e Adidas, que juntas concentram uma fatia de 18% do mercado brasileiro — a participação da alemã é de 6%, segundo dados da Euromonitor de abril de 2014 —, a marca vai ter que enfrentar um mercado pulverizado e dominado por empresas menores, que juntas concentram 68% do consumo nacional, e outros nomes como Mizuno (7%) e Vulcabras-azaleia (4%).

“A aceitação do público masculino foi instantânea, principalmente com bermudas e camisetas, em cores atraentes e tecidos com alta tecnologia. No feminino, também tivemos muita procura por camisetas, bermudas, tops e calças”, afirma o gerente de desenvolvimento e coordenação de vestuário da Centauro, Caio Tunin.

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