Por monica.lima

Rio - O imperador Dom Pedro II tinha apenas nove anos, em janeiro de 1835, quando Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, Visconde de Sepetiba, fundou o Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado. Cento e oitenta anos depois, essa primeira iniciativa oficial de estabelecer no país a previdência social continua em atividade, mas como companhia privada: a Mongeral Aegon Seguros e Previdência. Empresa do ramo financeiro mais antiga do Brasil, em termos de atividade ininterrupta, a quase bicentenária Mongeral Aegon parece imune aos males da idade. Há um ano, iniciou a venda de seguros pela internet diretamente para o consumidor final — um tabu no mercado brasileiro, ainda atrelado à figura do corretor. Agora, amplia sua participação no pouco explorado mercado de fundos de pensão associativos, os chamados “fundos instituídos” — entidades fechadas de previdência complementar criadas por pessoa jurídica para atender categorias profissionais, classes ou setores específicos.

É a Mongeral Aegon que prospecta clientes e cobre os riscos de morte e invalidez dos fundos instituídos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A consolidação nesse mercado veio com a vitória numa concorrência da Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (SP-Prevcom), há pouco mais de um ano. Depois, no segundo semestre de 2014, vieram novas vitórias em concorrências para fundos de funcionários públicos federais e do Espírito Santo. “A Mongeral tem 90% desse mercado no país”, diz Helder Molina, presidente da empresa desde 2004. De olho nesse mercado, a companhia criou até um software proprietário (desenvolvido internamente em vez de ser adquirido de um fornecedor). O objetivo é ter uma vantagem competitiva em relação às plataformas de terceiros.

A estratégia de diversificação de negócios foi a forma encontrada pela Mongeral Aegon para expandir suas vendas num ritmo anual de dois dígitos. “Nos últimos dez anos, crescemos a uma taxa média anual de 23%”, afirma Molina. “O mercado de seguros é hoje bank assurance”, acrescenta ele, referindo-se à predominância dos bancos como canais de vendas de seguros. A saída encontrada pela Mongeral Aegon — que hoje tem cerca de 1.200 empregados e 60 escritórios espalhados pelo Brasil — foi avançar rumo aos canais digitais.

Com 50% de participação na companhia desde 2009, a multinacional Aegon — responsável pela gestão de € 500 bilhões no mundo — usou sua experiência no mercado indiano para ajudar a Mongeral Aegon a formatar a venda de seguros de vida pela web diretamente ao consumidor final, um ano atrás. A empresa brasileira lançou ainda uma loja online específica para seus corretores — cerca de 4 mil. Fechou 2014 com um milhão de clientes e mais de R$ 190 milhões em benefícios pagos em seguros de vida e previdência. A expectativa da Mongeral Aegon é ganhar espaço principalmente entre a nova classe média e a tradicional — um mercado promissor, uma vez que a taxa de penetração de planos de previdência e de seguro de vida entre a classe média e a classe C ainda é baixa.

A diversificação também impulsionou a Mongeral Aegon em direção ao mercado de fundos de pensão multipatrocinados. Nesse tipo de produto, similar a um plano de previdência privado, companhias que não têm tamanho para ter um fundo de pensão próprio se unem, como forma de minimizar custos administrativos e operacionais. Criada em 2013, a asset Mongeral Aegon Investimentos acelerou seu crescimento no ano passado. A empresa passou de R$ 680 milhões de ativos sob sua gestão, em junho de 2014, para R$ 1 bilhão no fim do ano. O plano para os próximos anos é estar no ranking das vinte maiores do setor, com mais de R$ 5 bilhões de ativos sob gestão.

No mesmo endereço do Centro do Rio desde 1841, a companhia é a quarta mais antiga do país em atividade ininterrupta. Perde apenas para o “Diário de Pernambuco”, que começou a circular em 1825; para o “Jornal do Commercio”, em atividade desde 1827; e para a Moinhos Unidos Brasil - Mate S/A, produtora do Mate Real, sediada no Paraná, cuja origem remonta ao ano de 1834. Fundado em 1808, o Banco do Brasil é a instituição financeira mais duradoura do país, mas teve sua extinção decretada pelo parlamento brasileiro em 23 de setembro de 1829, em razão de sua situação falimentar, interrompendo as atividades em dezembro do mesmo ano. O banco só voltaria à ativa 1853.

Você pode gostar