Por monica.lima

Rio - As altas temperaturas e a escassez de chuva registradas em 2014 derrubaram o lucro da AES Tietê no ano passado, apesar de a geradora de energia ter ampliado em 38,5% sua receita bruta em 2014. O cenário adverso resultou na redução da geração hidrelétrica para poupar água nos reservatórios das usinas e no aumento do volume gerado pelas térmicas, impactando negativamente em R$ 816 milhões o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia no ano. A empresa encerrou o ano com lucro líquido de R$ 449,3 milhões, uma queda de 49% em relação a 2013.

Com nove usinas e três pequenas centrais hidrelétricas no país, a AES Tietê terminou o ano passado com o nível de seus reservatórios em 34,7%, contra 51,1% em 2013. “Hoje, estamos em 42%”, disse ontem o diretor presidente da companhia, Britaldo Soares. Os efeitos desfavoráveis do clima sobre os resultados da companhia tendem a continuar em 2015. A empresa projeta para este ano um impacto negativo líquido de R$ 590 milhões a R$ 680 milhões no Ebitda. A estimativa leva em consideração a manutenção do despacho (geração) térmico num patamar entre 16 gigawatts médios (GWm) e 17GWm, além de um aumento de carga de 0,7% (ante 2014).

Como outras geradoras, a AES Tietê teve de comprar energia no mercado ao longo de 2014, já que foi obrigada a gerar menos para atender as determinações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com o objetivo de preservar o nível dos reservatórios. No ano passado, o preço da energia no mercado spot (com pagamento à vista e entrega imediata) ficou, na média, em R$ 689 por megawatt-hora (MWh), ante R$ 263/MWh em 2013. “Em 2014, as despesas da AES Tietê com a compra de energia somaram R$ 1,94 bilhão, um aumento de 340% em relação ao ano anterior, quando foram de R$ 443 milhões”, compara Lucas Marins, analista da corretora Ativa Investimentos.

Para 2015, a AES Tietê trabalha com um valor médio de R$ 388 para o preço do megawatt-hora no mercado spot, o teto estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O cenário projetado pela companhia não leva em consideração um possível racionamento de energia, mas isto não significa que o assunto esteja fora de pauta, frisou o diretor presidente da AES Tietê. “Racionalização e racionamento são cenários que estão no nosso radar”, destacou Soares. O nível dos reservatórios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste — onde está 70% da capacidade hidrelétrica instalada do país — estavam ontem em 20,3%. “A perspectiva está cada vez pior. No mesmo período do ano passado, esses reservatórios estavam em 34%”, lembra Marins, da Ativa.

No período de outubro a dezembro, a AES Tietê apresentou prejuízo de R$ 76 milhões, contra um lucro líquido de R$ 230 milhões no quarto trimestre de 2013. A receita bruta atingiu R$ 3,43 bilhões em 2014, enquanto no ano anterior havia totalizado R$ 2,47 bilhões. O Ebitda encolheu quase 40% na comparação ano a ano, passando de R$ 1,52 bilhão em 2013 para R$ 917,9 milhões no ano passado.

Na avaliação de Britaldo Soares, o modelo vigente no setor elétrico precisa ser revisto para se adequar às mudanças sofridas pela matriz energética brasileira ao longo dos anos. “Se nada for feito, o que vai acontecer é que esse ônus vai se refletir nas equações de investimento das empresas e, obviamente, nos preços futuros da energia, dado o comprometimento do custo de caixa das geradoras hoje”, afirmou o executivo.

Neoenergia lucrou R$ 602 milhões no ano passado

Na última quarta-feira, o Grupo Neoenergia — controlador das distribuidoras Coelba, Celpe e Cosern — informou um crescimento de 8,2% no Ebitda, na comparação entre 2014 e o ano anterior. O indicador atingiu R$ 2,3 bilhões no ano passado. Já o lucro líquido totalizou R$ 602 milhões, o que representou uma queda de 31,4% em relação a 2013. A receita operacional líquida da companhia avançou 16,8% no período, alcançando R$ 12,2 bilhões em 2014. Os investimentos do grupo em geração, distribuição e transmissão foram superiores a R$ 3,8 bilhões no ano passado.

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