Anef vê queda de 9,4% no crédito a veículos

Ano será pior que 2014, quando caiu 7%, segundo bancos de montadoras; atrasos pioram

Por O Dia

O saldo dos financiamentos de veículos deve recuar mais 9,4% neste ano, depois de cair 7% em 2014, a R$ 212,7 bilhões. Ao mesmo tempo, a inadimplência, que vinha recuando, deve voltar a subir. As previsões são da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), divulgadas ontem juntamente com o balanço das operações em 2014. Já as concessões de novos empréstimos devem recuar menos: 1,7%. Em 2014, cresceram 1,3%, para R$ 118,9 bilhões.

Desde o começo do ano, a curva dos índices de inadimplência, que vinha apresentando queda significativa nos últimos dois anos, começou a reverter esta tendência.“Em janeiro, a taxa já foi maior do que a vista um ano antes. Infelizmente, o novo cenário econômico faz supor que o volume de pagamentos em atraso voltará a crescer nos próximos meses”, disse Décio Carbonari, presidente da entidade.

O índice de inadimplência fechou em queda em 2014: em dezembro,estava em 3,9% para pessoa física sobre o saldo da carteira, o que significa retração de 1,3 ponto percentual (p.p.) em relação ao mesmo período de 2013.

Outra dificuldade para este ano é o aumento dos juros. O ano encerrou com taxas mais elevadas em comparação ao acumulado de 2013. Em dezembro daquele ano, a ponderação média das taxas praticadas pelas associadas da Anef era de 1,27% ao mês, subindo para 1,40% no fim de 2014. As taxas anuais também apresentaram alta no período: de 16,35% para 18,16%. Para Carbonari, os juros devem seguir o movimento acompanhando a taxa Selic.

Na avaliação da entidade, o ano foi marcado pelo cenário econômico que impactou a concessão de crédito para o financiamento de veículos - mas também acompanhou a queda de 6,7% nas vendas. Entre as modalidades de crédito, a Anef verificou uma queda de 4,7% nas carteiras de crédito direto ao consumidor (CDC), com um saldo de R$ 204,4 bilhões no final de 2014. O leasing, em queda livre nos últimos anos, alcançou R$ 8,3 bilhões com retração de 40,8% em comparação a dezembro de 2013.

O destaque positivo em 2014 foi o leve aumento de 1,3% no volume de recursos liberados que havia sido de R$ 117,5 milhões em 2013. O CDC foi responsável por puxar o aumento com volume de R$ 115,6 milhões, alta de 1,4% sobre 2013. No caso do leasing houve uma retração de 3,9%, com um total de R$ 3,3 milhões liberados em 2014.

Dos automóveis e comerciais leves licenciados em 2014, 53% foram financiados, 7% adquiridos via consórcio, 2% por arrendamento em Leasing e 38% comprados à vista. No caso de caminhões e ônibus, o Finame representou 74%, o consórcio 2%, financiamento 11%, Leasing, 1% e os comprados à vista representaram 12% do montante. Enquanto as motocicletas foram adquiridas 34% via consórcio, 33% por financiamento e 33% comprados à vista. Os planos máximos disponibilizados pelos bancos aos consumidores ficaram em 60 meses.

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