Por diana.dantas

Um ano e meio depois de ter sua regulamentação publicada pelo governo federal, o Vale-Cultura cria um novo mercado tanto para as chamadas “empresas de benefícios e incentivos” como para os estabelecimentos comerciais, com a sua utilização crescendo mês a mês.

Pioneira nesse mercado, pois já oferece o cartão para compra de produtos e serviços culturais desde 2007, a Sodexo Benefícios e Incentivos viu o seu Cultura Pass alcançar o maior crescimento de uso entre todos os seus produtos no ano passado, com performance 169% superior no quarto trimestre, ante os três meses anteriores.

“Já tínhamos constituído uma carteira de clientes e estabelecimentos credenciados, mas com a adaptação aos critérios do governo, a expansão foi mais rápida. O Vale-Cultura já contribui para o nosso crescimento ”, destaca a gerente de Produtos da empresa, Simone Perretti. Segundo ela, os bons números são resultado tanto da maior adesão dos funcionários das empresas-clientes, já que o benefício não é obrigatório, como do crescente interesse das companhias em oferecer o cartão. Os Correios, que possuem mais de 100 mil colaboradores, por exemplo, passaram a oferecer o Cultura Pass aos trabalhadores.

Atualmente, segundo as normas do governo federal, o benefício de R$ 50 pode ser oferecido, prioritariamente, para empregados que recebam até cinco salários mínimos, e o desconto em folha de pagamento é limitado a 10%.

“Um exemplo claro da maior consciência para adesão é que dos 101 mil trabalhadores dos Correios, 90 mil já pediram o cartão. É um número expressivo”, diz Simone. “Do lado das empresas, já há uma procura maior, por conta da maturidade do programa”, completa. Atualmente, 74% do consumo estão direcionados para livros, jornais e revistas.

Para o gerente de Estratégia e Marketing do Ticket Cultura, da Ticket, Leandro Prado, é natural que o brasileiro consuma mais esses produtos, já que há uma grande oferta de livrarias e elas se movimentaram mais cedo para ajudar na divulgação do Vale-Cultura. Entretanto, diz ele, a tendência é que a concentração diminua. Com mais de 100 mil cartões emitidos, na Ticket, normalmente, 70% do consumo é direcionado justamente às livrarias, cerca de 20% aos cinemas e o restante a teatros e shows. Mas em janeiro, conta Prado, com as férias, a utilização em cinemas subiu para 30%. “O primeiro ano foi mais de adaptação e conhecimento por parte das empresas e dos usuários. Muitas chamaram a Ticket para entender as regras. Muitas empresas já até orçaram a inclusão dos benefícios nos seus balanços. Geralmente, quando fechamos contrato, a adesão vai aumentando ao longo dos meses”, ressalta ele.

Outra batalha, pondera o executivo da Ticket, é a de credenciar mais estabelecimentos. “Um dos nossos diferenciais é que fomos a primeira empresa a ter uma solução online. O usuário pode, por exemplo, entrar na Saraiva.com e comprar um produto cultural com nosso cartão. Também criamos o Shopping Ticket Cultura, e-commerce com os parceiros Americanas.com e Submarino, onde nossos usuários podem comprar, em alguns casos, com desconto. Nossa meta é ter mais parceiros. Já fechamos outros acordos, que devem ser anunciados em breve”, adianta ele. “É um fluxo novo também para os estabelecimentos de um mercado específico. O Vale-Cultura traz um dinheiro que antes não existia”, diz o presidente da Alelo, Eduardo Gouveia. A empresa já emitiu mais de 155 mil cartões, que são aceitos em mais de 13 mil pontos de venda do país.

Segundo Gouveia, o produto veio para complementar o portfólio, mas ainda está em maturação. “O momento é de um forte trabalho de venda, temos que negociar com as empresas.A adesão inicial é forte, mas as companhias têm que mostrar como o funcionário pode usar no dia a dia”, explica ele.

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