Direcional Engenharia mira na construção de habitações populares

Apesar de atraso no pagamento dos projetos relacionados ao Minha Casa Minha Vida, foco estará direcionado para este segmento

Por O Dia

Rio - O ano passado marcou o começo de uma mudança de estratégia nos negócios da Direcional Engenharia, que pretende aumentar sua faixa de atuação em habitações populares, tendência que será vista mais fortemente a partir de 2015, segundo informou ontem o vice-presidente da companhia, Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, em teleconferência para analistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2014 e os números consolidados do ano.

“Em 2014 praticamos a mudança no foco dos empreendimentos populares, como os das faixas do programa Minha Casa Minha Vida, e a redução nos empreendimentos de médio padrão, que têm sofrido com demanda menor. Há demanda para preços com valores inferiores. Passou a ser nossa estratégia o foco na aquisição de terrenos e projetos nesse segmento popular. No ano de 2015 será percebida essa tendência”, comentou Gontijo.

Segundo relatório da empresa mineira de construção, o nível de demanda manteve-se forte para empreendimentos populares com preço inferior a R$ 190 mil, “sobretudo por conta das condições favoráveis de aquisição e financiamento trazidas pelo Programa Minha Casa Minha Vida e pela manutenção de baixos índices de desemprego no país”, informa o documento. Em 2014, foram entregues 14 empreendimentos do Minha Casa Minha Vida Faixa 1, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 864 milhões, o que representou, segundo Gontijo, o melhor desempenho da Direcional em sua história.

Já no acumulado do ano foram contratados sete novos projetos nas regiões Sul e Sudeste do país, englobando 17.284 unidades e VGV de R$ 1,2 bilhão. A retração observada no volume de novos projetos em relação ao ano anterior (-41%) está relacionada ao fato do Governo Federal ter desacelerado o volume de contratação no âmbito da Faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida.

Nos empreendimentos de média renda, a avaliação da Direcional é de que a demanda vem se enfraquecendo por conta da queda no nível de confiança do consumidor. Esse segmento fez com que as vendas brutas em incorporação tivessem queda no quarto trimestre, atingido R$ 227 milhões (-19% em relação ao mesmo período de 2013) e R$ 769 milhões no consolidado do ano (-8% em relação a 2013).

O otimismo da companhia permanece apesar de o governo não estar pagando em dia pelos projetos do Minha Casa Minha Vida, conforme informou Gontijo. “Há esforços do governo de colocar estes pagamentos em dia. Os pagamentos acontecem 21 dias após as medições realizadas no campo. Nossos recebimentos se concentram entre 20 e 30 de cada mês. No mês de dezembro houve um atraso no pagamento e passamos a receber no dia 10 de janeiro. Fevereiro e março seguem com atrasos do pagamento pelo governo e esse esforço para regularizar vem acontecendo”, assinalou o vice-presidente da Direcional, que espera para o segundo semestre a aprovação da fase 3 do Minha Casa Minha Vida. “Acredito que, com o programa lançado, o orçamento esteja aprovado e os desembolsos contemplados. E que a maior parte dos pagamentos venha a ser regularizada com a questão do orçamento”, acrescentou.

A Direcional também abre uma nova frente de negócios com a saudita Red Sea Housing para desenvolvimento de empreendimentos fora do país. No início de março foi feito um acordo entre as duas empresas, onde a Direcional receberá 50% da geração de caixa da Red Sea pelos empreendimentos populares na Arábia Saudita. Numa segunda fase seriam desenvolvidos empreendimentos populares no Oriente Médio, na África e na Austrália.

“É um projeto onde a fase de estudos ainda leva um tempo até se traduzir num projeto concreto. Isso mostra um diferencial da nossa empresa num segmento de margens apertadas e que exige eficiência grande, que é o de habitação popular. Acreditamos que a parceria abre novas oportunidades nos anos que estão por vir”, disse Gontijo.

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