Enel revê operações para retomar crescimento

Empresa italiana dona da Ampla prevê reestruturação de atividades com o objetivo de reduzir gastos globais com manutenção e liberar verba para projetos de expansão

Por O Dia

Londres, Inglaterra - À frente da Enel desde maio do ano passado, o CEO Francesco Starace planeja para o período de 2015 a 2019 a reestruturação e a simplificação da companhia, com foco na eficiência operacional e na troca de melhores práticas entre as diferentes unidades e operações para reduzir os custos de manutenção. Já os investimentos cresceram consideravelmente em relação ao plano anterior (2014-2018). 

No planejamento apresentado em 2014, o capex previa aportes de € 17,3 bilhões em manutenção, contra € 12,4 bilhões em expansão, num total de € 29,7 bilhões. Agora, a empresa projeta investir € 34 bilhões, sendo que o montante destinado para a manutenção encolheu para € 15,7 bilhões. Já os recursos para a expansão cresceram, a € 18,3 bilhões. Desse total, praticamente a metade, ou € 9 bilhões, serão direcionados para a América Latina — sendo que entre 20% e 25% virão para o Brasil.

Do total dos investimentos, cerca de 60% irão para mercados emergentes, especialmente para expansão da infraestrutura. Não por acaso, essas economias vêm apresentando a maior demanda por energia nos últimos anos, tendência que deve se manter. Segundo os dados apresentados pela companhia, estima-se que o consumo per capita de eletricidade nesses países cresça 30% até 2030.

Perguntado se os riscos de um colapso energético e do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras podem afetar os investimentos no país, Starace minimizou: “Não estamos preocupados com flutuações. O Brasil tem uma longa curva de crescimento e vamos continuar investindo no país. Não queremos ser os maiores, mas queremos ser um player relevante que investe na áreas onde há demanda. Vamos investir em geração de energia convencional e renovável e em distribuição, para nos protegermos de eventuais mudanças regulatórias.”

Uma das metas da companhia no período é reduzir em 40% a média de interrupções no fornecimento de energia elétrica na América Latina. No Brasil, segundo o CEO, foram registrados 888 minutos de interrupção em 2014. A meta é baixar esse número para 472 minutos até 2019, com investimentos em infraestrutura e em novas tecnologias, além da adoção de melhores práticas de outras unidades. A empresa prevê aportar € 1,4 bilhão para a melhoria da qualidade em todas as regiões onde atua.

Proveniente da Enel Green Power, de energia renováveis, o CEO dará atenção especial para novos projetos de energia eólica e solar. Por aqui, não descarta disputar novos leilões de energia. No planejamento para os próximos cinco anos, estão previstos investimentos de € 8,8 bilhões nas duas fontes, dos quais 47% serão aportados no Brasil, no Chile e no México — outros 6% serão investidos na Colômbia e no Peru. Com isso, a capacidade de geração aumentará em 50%, a 7,1 gigawatts.

O primeiro plano estratégico apresentado pelo gestor italiano prevê ainda o gerenciamento de portfólio, com a venda de ativos considerados não estratégicos, como a operação de geração na Eslováquia, em processo de finalização. Cerca de € 2 bilhões devem ser contabilizados nos próximos trimestres, além de outros € 3 bilhões adicionais, que devem ser concretizados com a venda de outras operações até 2019. Esse montante será empregado na reorganização da operação latino-americana e em novas oportunidades de crescimento.

Foi anunciada ainda uma nova política de distribuição de dividendos que, a partir deste ano, deve ter um acréscimo de cinco pontos percentuais no montante anual, partindo de 50% até alcançar 65% em 2018. Diante das incertezas do mercado, o dividendo mínimo estimado seria de € 0,16 para 2015 e € 0,18 para 2016. No ano passado, esse valor foi de € 0,14.

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