Carrefour testa versão digital de hipermercado

Para minimizar a resistência dos consumidores às lojas com grandes metragens, varejista aposta em aplicativo com GPS para localizar produtos da lista de compras nas prateleiras

Por O Dia

Paris, França - Enquanto no Brasil a operação dos hipermercados vem sendo revista e as unidades ‘encolhem’, dando espaço para supermercados com galerias de lojas, na França, o Grupo Carrefour tenta reinventar esse formato apostando no sistema de loja dentro de loja e também com o uso da tecnologia.

O hipermercado de Villeneuve la Garenne, a 12 quilômetros da Torre Eiffel e na área de influência para cerca de um milhão de habitantes em Paris, completará um ano em abril e é o centro de testes para o uso de um novo layout de loja e também de recursos tecnológicos — entre eles, telas de consulta de produtos e promoções e localizadores de itens em gôndolas, aliados para contornar o maior empecilho dessas unidades, que é o tempo que o cliente gasta para achar os produtos. E, ainda, um checkout em que o troco é dado ao cliente por uma máquina. E para orientar o consumidor em uma área tão ampla, um aplicativo com uma espécie de GPS ajuda a localizar os itens da lista de compras.

O conceito, se surtir os resultados esperados, deve ser implantado nas demais lojas deste formato e também em supermercados.

“Estamos testando os recursos do digital nessa unidade para entender o que o cliente quer e precisa. Aqui, temos tudo que está sendo testado, mas não necessariamente todas as inovações irão para todos os pontos de venda. Mas algo é certo: as 40 lojas que estamos revitalizando este ano na França terão algum recurso digital”, afirma Noel Prioux, diretor executivo do Carrefour na França, acrescentando que o novo conceito para hipermercados também deverá chegar ao Brasil e já está sendo implantado na Bélgica.

Pela falta de espaço, a tendência é que os novos hipermercados fiquem abaixo da metragem que os denomina atualmente, que varia de 4 mil metros quadrados até 16 mil metros quadrados.
O formato segue presente no plano de expansão do grupo. No ano passado a rede abriu apenas uma loja própria e outra de um franqueado. Mas neste ano quatro franqueados da rede aderiram ao formato. “Isso não tem nada a ver com a crise e, sim com o fato de que esses empreendedores estão buscando inovações. Todos os formatos de proximidade, por exemplo, são franquias. Nos supermercados, 50% de nossas lojas são próprias e 50% nós alugamos e colocamos nossa marca. No caso dos hipermercados, neste ano, tivemos mais metros quadrados chegando de concorrentes. Vamos fechar o ano na França com 235 hipermercados novos”, diz Prioux, acrescentando que a melhoria na logística também ajudou nos planos da empresa, elevando o sortimento e a velocidade de entrega.

Mesmo apostando nos hipermercados, o executivo admite que o formato de proximidade é o que mais vem ganhando espaço na França e em outros países. O executivo garantiu que novas lojas serão abertas no Brasil. Hoje, em todo o mundo, o grupo reúne 6.111 lojas de proximidade, contra 3.115 supermercados e 1.459 hipermercados. Isso contabilizando a aquisição da operação francesa da rede espanhola Dia. Ele acrescentou que a marca Dia desaparecerá na França em dois anos, passando a engrossar o volume de lojas de vizinhança da rede.

A marca também está investindo no e-commerce. Há cerca de dois anos, a companhia abriu em seu país de origem o ooshop.com, voltado para delivery para moradores de áreas urbanas. Já no checkccollect, voltado para cidades menores, os produtos são embalados por funcionários da rede e podem ser retirados na loja de preferência do cliente. Hoje, são dez mil produtos disponíveis para o check&collect, mas esse sortimento deverá crescer neste ano. O sistema pode ser implantado em qualquer formato de loja,e deve chegar a mil unidades da rede nos próximos anos, acrescenta Prioux.

A repórter viajou a convite da empresa

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