Samsung aposta em linha branca premium para expansão no mercado brasileiro

Empresa lança refrigeradores para ampliar participação sem deixar o nicho dos consumidores das classes A e B+

Por O Dia

Mesmo trabalhando com a perspectiva de estabilidade para o mercado brasileiro de eletrodomésticos em 2015, a Samsung tenta ampliar sua participação na categoria de refrigeradores sem, pelo menos por enquanto, ultrapassar as fronteiras do nicho de produtos premium, voltados para as classes A e B+. A companhia — que ao fim de 2014 detinha um market share de 1,9% em refrigeradores no país, segundo a Euromonitor International — acaba de lançar mais três modelos, com valores entre R$ 15.999 e R$ 3.799, fugindo da competição por preço. Com fatias expressivas no segmento de eletrodomésticos na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos, a empresa sul-coreana terminou o ano passado na 19ª posição no mercado brasileiro de eletrodomésticos, com participação de 0,5% (em número de unidades).

A comparação com outros players do segmento de eletrodomésticos é afetada pelo fato de a Samsung trabalhar com um portfólio relativamente restrito de produtos da linha branca no país: geladeiras, lavadoras de roupa e condicionadores de ar. Entre essas três categorias, a de aparelhos de ar condicionado foi a que obteve maior penetração no mercado brasileiro — a Samsung fechou 2014 como a quinta maior fabricante, com participação de 12,9% nas vendas, de acordo com a britânica Euromonitor. Em 2009, esse percentual era de apenas 2,7%. “O Brasil representa mais ou menos 50% do mercado na América Latina para os fabricantes da linha branca”, diz Adelson Coelho, diretor sênior da área de Digital Appliance da Samsung Brasil. Citando dados da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Coelho lembra que o segmento de eletrodomésticos encolheu 10% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2014. “O mercado deve se igualar ao do ano passado”, acredita o executivo, acrescentando que a Eletros estima uma recuperação das vendas no segundo semestre. De acordo com a Euromonitor, o mercado brasileiro de eletrodomésticos alcançou 31,3 milhões unidades vendidas em 2014, sendo 7 milhões de refrigeradores, 4 milhões de condicionadores de ar e 7,4 milhões de máquinas de lavar roupa.

Tanto os novos refrigeradores lançados pela Samsung como os modelos anteriores são importados e, portanto, sujeitos às flutuações cambiais. “O dólar impacta todo o mercado”, minimiza Coelho. Na prática, desde a chegada dos primeiros refrigeradores da Samsung ao país, em 2011, a sul-coreana optou por ficar de fora dos segmentos populares — as primeiras geladeiras importadas custavam acima de R$ 20 mil. A estratégia de se diferenciar da concorrência por meio da inovação e do design foi mantida, mas agora a empresa aposta numa gama de preços mais ampla: o refrigerador recém-lançado RT 46 sai por R$ 3.799,90.

Uma das alternativas para fugir à alta do dólar seria produzir as geladeiras no país, mas Coelho informa que a companhia “continua avaliando o melhor momento” para erguer uma nova unidade industrial. “A empresa continua investindo no Brasil. A fábrica é uma consequência do melhor momento para fazer o investimento”, despista o diretor. Atualmente, a companhia tem duas fábricas no Brasil, uma em Campinas (SP), voltada para a produção de celulares, e outra em Manaus (AM), onde são fabricadas todas as outras linhas de produtos, inclusive os condicionadores de ar.

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