Ericsson investe em serviços para otimizar trânsito nos grandes centros

Depois de trabalhar em conjunto com a Volvo num projeto de carro conectado à internet, a empresa sueca foca na gestão do tráfego

Por O Dia

Em 2017, cem carros com direção autônoma começarão a circular pelos arredores de Gotemburgo, na Suécia. O projeto-piloto — da montadora Volvo — já começou a sair do papel: um primeiro trecho de estrada, no anel viário que circunda a cidade, começou a ser adaptado para o tráfego de automóveis que não necessitam de motorista. No centro da estratégia de desenvolvimento dos veículos autônomos está uma peça-chave já disponível comercialmente, o carro conectado à web — ponto de partida para uma nova leva de produtos e serviços que atrai empresas de telecomunicações, como a também sueca Ericsson.

Lançado há mais de um ano, o primeiro carro conectado da Volvo — o XC60 — é apenas a parte mais visível de uma estratégia da Ericsson para oferecer serviços de gestão do tráfego, a partir da conexão dos veículos entre si e com a infraestrutura de controle e sinalização existente em grandes centros urbanos. “Os automóveis vão ter cada vez mais dispositivos e tecnologia, até chegarmos ao carro autônomo. Vai ser um processo gradual”, sustenta Jesper Rhode, diretor de Marketing da Ericsson para a América Latina.

No projeto do XC60, a Ericsson ficou responsável por desenvolver e gerir toda a tecnologia que conecta o carro à internet e, também, por uma gama de serviços de entretenimento, navegação, manutenção automotiva e emergência no trânsito, entre outros. A exemplo da Apple e do Google, que desenvolveram plataformas próprias para comercializar aplicativos, a empresa criou um ecossistema que permite aos usuários do carro conectado da Volvo baixarem softwares específicos para o veículo. A intenção da montadora, explica Rhode, não foi massificar os aplicativos e sim exercer um controle rigoroso sobre o tipo de programas que o motorista pode baixar. “Um dos valores mais importante para a Volvo é a segurança. Por isso, não faria sentido ter uma plataforma aberta, que permitisse ao motorista baixar qualquer tipo de programa. Imagine ter um software instalado que exige engajamento do motorista enquanto ele está dirigindo”, diz o executivo dinamarquês, da Ericsson. Sim, mesmo com toda essa tecnologia, o XC60 ainda depende de um motorista ao volante.

No Brasil, a expectativa é de que as montadoras lancem ao longo deste ano vários modelos de carros conectados, segundo relatório da consultoria Frost & Sullivan. Esse seria um dos fatores capazes de impulsionar para cima o número de conexões máquina a máquina (M2M, na sigla em inglês) existentes no país. A consultoria projeta para o fim deste ano um total de 12 milhões de conexões entre máquinas no país, um crescimento de 21,2% em relação a 2014. Os serviços de dados para o mercado automotivo devem alcançar em 2020 cerca de 1,3 milhão de assinantes, contra um total de apenas 3,8 mil em 2013, de acordo com a Frost & Sullivan. Ao fim do período, a estimativa é de que esse tipo de serviço alcance uma penetração entre 26% e 28% dos carros novos vendidos no Brasil.

Além de trabalhar diretamente com a Volvo, a Ericsson abriu outras duas frentes no setor de serviços, ambas intimamente relacionadas ao trânsito nas grandes cidades. A partir dos dados consolidados de todos os carros conectados, a Ericsson começa a oferecer serviços de computação em nuvem voltados para prefeituras e órgãos de gestão de trânsito. “Lançamos o serviço Connected Traffic Cloud este ano e, no momento, estamos negociando os primeiros contratos”, adianta o diretor de Marketing da Ericsson. Uma das vantagens é que o veículo não precisa necessariamente estar ligado à web. O aplicativo que envia dados sobre o trânsito pode ser instalado num celular. E permite às autoridades, por exemplo, enviarem um alerta aos motoristas que trafegam numa determinada área geográfica da cidade.

Na Alemanha, a companhia sueca desenvolve o projeto CoCar, que prevê a comunicação em tempo real entre carros conectados e, também, entre os veículos e a infraestrutura de trânsito da cidade (semáforos, radares etc). Através da da tecnologia M2M, um chip instalado no capacete de um ciclista pode alertar os motoristas que trafegam perto de uma ciclovia para o risco potencial de acidente. A comunicação entre máquinas também será essencial para otimizar o fluxo dos carros autônomos pelas vias da cidade. Os veículos poderão se deslocar em grupos, muito próximos uns dos outros, sem colidir. A velocidade de cada grupo poderá ser a mesma, graças ao controle preciso dos computadores. “Embora os carros hoje estejam muito mais confortáveis, a proposta do produto não mudou muito nos últimos 120 anos”, analisa Jesper Rhode. “Nas grandes cidades, a velocidade de deslocamento nos horários de pico fica em 25Km/h ou menos. É como se as pessoas ainda andassem de carruagem. O carro autônomo é um avanço muito grande, uma nova proposta.”

Últimas de _legado_Notícia