Manifestações contra o Uber se espalham pelo Brasil

Taxistas em São Paulo fazem protesto contrário à start-up que oferece serviço de transporte de passageiros. Atos de repúdio à empresa já aconteceram em outros estados

Por O Dia

Uma das start-ups de mais rápida ascensão no mundo, a Uber — responsável pelo aplicativo que conecta motoristas e usuários em busca de transporte — vem encontrando, na mesma medida, uma crescente resistência em diversos países, por meio de suspensões ou proibição de operação. Ontem, o Brasil foi palco de mais um ato desse movimento contrário ao serviço. Em uma ação organizada por associações da categoria, taxistas percorreram as ruas de algumas capitais do país para protestar contra o aplicativo, sob a alegação de que o Uber é ilegal e presta serviços clandestinos de táxi a partir de caronas remuneradas e motoristas não regularizados.

“Não somos contra a tecnologia, mas ao que é ilegal. Hoje, fizemos uma carreata pacífica. Da próxima vez, se preciso, vamos realmente fazer uma paralisação”, disse Antonio Mathias, presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi do Município de São Paulo (Sintetaxi). O sindicato foi um dos organizadores da carreata em São Paulo e estima que cerca de 5 mil taxistas participaram da manifestação na cidade. “Também tivemos ações no Rio, em Brasília, Belo Horizonte e mesmo em cidades que ainda não contam com o serviço, como Salvador, Curitiba e Fortaleza. Nós calculamos que 60 mil taxistas aderiram à manifestação”, observou.

Entre outros fatores, Mathias atribuiu ao Uber a queda de 30% nas corridas de táxi regularizados neste ano em São Paulo. “Os motoristas cadastrados no Uber cobram pelo serviço sem possuírem uma licença para prestar este serviço e fazem convênios com hotéis e casas noturnas”, afirmou. Segundo ele, a categoria vem trabalhando em parceria com alguns órgãos públicos para combater o serviço. Um dos exemplos citados foi o Departamento de Transporte Público de São Paulo (DPT). Ontem, o órgão informou que realizou 17 apreensões de veículos cadastrados no Uber desde o início da operação do aplicativo em São Paulo, há cerca de nove meses.

A Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo (Adetax) foi outra entidade que aderiu à manifestação. “Toda essa facilidade de disseminação pelos smartphones e redes sociais possibilitou o crescimento do transporte clandestino, às margens da lei e que acredita ser imune em relação a qualquer fiscalização dos poderes públicos”, disse Ricardo Auriemma, presidente da Adetax.

Procurado para comentar o tema, o Uber disse acreditar que “os brasileiros devem ter assegurado seu direito de escolha para se movimentar pelas cidades”. A companhia ressaltou ainda que não é uma empresa de táxi, “mas sim uma empresa de tecnologia que criou uma plataforma que conecta motoristas parceiros particulares a usuários que buscam viagem seguras e eficientes”. Segundo o Uber, ontem, apenas em São Paulo, o volume de downloads do aplicativo foi cinco vezes maior do que a média.

Criado em 2009 e lançado oficialmente em 2010, em San Francisco (EUA), o Uber está presente hoje em mais de 300 cidades de 56 países, com uma média diária de 1 milhão de viagens. O aplicativo chegou ao Brasil em junho, na carona da Copa do Mundo, e atualmente está disponível no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, com um modelo que inclui serviços como carros executivos sob demanda. 

Segundo a empresa, para se cadastrar no serviço, o motorista precisa ter carteira de habilitação com autorização para exercer atividade remunerada. Entre outros processos e requisitos, o cadastro inclui a checagem de informações e antecedentes criminais. No Brasil, o valor mínimo de uma viagem é de R$ 10, e o modelo inclui ainda tarifas adicionais por minuto rodado e quilômetro percorrido.

À parte da manifestação de ontem, esse modelo já foi alvo de outras ações no Brasil. No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Transportes registrou em dezembro uma queixa contra o serviço e solicitou uma investigação à polícia. O aplicativo também é alvo de uma investigação do Ministério Público Federal em São Paulo. 

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