Por monica.lima

Fator de pressão sobre a economia brasileira, a crise hídrica e seus desdobramentos no setor elétrico estão impulsionando os resultados da britânica Aggreko — especializada no fornecimento temporário de energia — no país. De janeiro a março, a multinacional com sede na Escócia registrou expansão de 16% na locação de geradores e outros equipamentos do gênero no Brasil. O percentual é mais de duas vezes superior ao crescimento reportado no Reino Unido (6%) no mesmo período, com o aluguel de soluções temporárias de energia. Mesmo diante da recuperação no nível dos reservatórios de hidrelétricas, a empresa projeta para 2015 um incremento de dois dígitos no faturamento, em grande parte por conta de alterações regulatórias no incentivo à geração própria.

No ano passado, a empresa faturou £ 1,57 bilhão no mundo, mesma receita obtida em 2013. A estabilidade é resultado de um cenário global desfavorável, diretamente relacionado à baixa histórica nas cotações das commodities. Uma das linhas de negócios da Aggreko é o abastecimento energético de plataformas de petróleo, minas e outras instalações situadas em regiões de difícil acesso. Com o declínio nos preços das matérias-primas, algumas empresas cancelaram projetos em função da rentabilidade, principalmente nos segmentos de minério de ferro e petróleo. O lucro comercial da companhia caiu 13% na comparação com 2013, totalizando £ 306 milhões.

No Brasil, o baixo crescimento da economia e os preços em queda das commodities foram compensados pela realização da Copa do Mundo e pelos efeitos da crise hídrica. “A partir de setembro, as usinas térmicas passaram a ficar ligadas praticamente 100% do tempo, para compensar a menor geração hidrelétrica”, lembra Thiago Moraes, diretor de Marketing e Efetividade de Vendas da Aggreko para a América Latina. “Isso aumentou a necessidade de paradas para manutenção das térmicas. Fomos contratados para substituir térmicas quando o serviço era interrompido”. A Aggreko também foi acionada para garantir — em caso de falha do fornecimento comercial — a energia utilizada nas transmissões dos 64 jogos do Mundial de 2014 e nas placas publicitárias de leds espalhadas ao redor dos campos.

Na comparação com outras regiões do globo, a das Américas — onde o Brasil é um dos principais mercados — foi a que apresentou maior crescimento subjacente da receita em 2014: 19%. Nesse caso, o termo subjacente indica um ajuste de acordo com as variações cambiais e questões operacionais específicas de cada país (ou região). Sem levar em consideração esses fatores, a receita nas Américas aumentou 6% no ano passado, para um patamar de £ 684 milhões.

Para 2015, a companhia trabalha com a perspectiva de um aumento no lucro comercial subjacente em nível mundial. No primeiro trimestre, os novos pedidos de fornecimento de energia somaram 287 megawatts (MW) no cômputo global. O volume equivale a 38% das novas demandas registradas em 2014. No Brasil, um dos fatores que devem acelerar a contratação de serviços de fornecimento temporário de energia é a portaria 44/2015, do Ministério das Minas e Energia, publicada em 11 de março deste ano. Segundo a portaria, grandes consumidores de eletricidade (enquadrados no chamado Grupo A) poderão vender capacidade própria de geração para as distribuidoras e, com isto, gerar créditos. “Já estamos recebendo consultas de mineradoras, shopping centers e muitas outras empresas”, conta Moraes. “O preço por megawatt/hora é muito atraente: R$ 1.420 para a geração a diesel.”

Assim como a Agrekko, a americana Cummins Power Generation vem lucrando com a demanda aquecida por geradores. No ano passado,a companhia — segunda maior no mercado de venda e locação desse tipo de equipamento no Brasil — registrou expansão de 20% nas vendas de grupos geradores movidos a diesel, na comparação com 2013. De acordo com a Cummins, atualmente o volume de consultas está aproximadamente 40% maior do que no mesmo período do ano passado, o que leva a acreditar que ainda há grande preocupação com a possibilidade de um racionamento de energia no país.

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