Mercado premium é o novo foco da Samsung no Brasil

Com o lançamento da linha de smartphones S6, empresa quer consolidar atuação no high end e investe na abertura de sua loja virtual no Brasil, a primeira da América Latina

Por O Dia

Após anunciar uma retomada em suas projeções para 2015, a Samsung começa a replicar nesta semana no Brasil a estratégia que explica boa parte desse horizonte positivo da empresa: o investimento no mercado high end de smartphones. E no rastro dessa abordagem, a companhia sul-coreana está desenhando uma série de iniciativas para acompanhar e facilitar a migração dos consumidores locais para o topo da categoria. 

“O mercado brasileiro teve uma evolução rápida. Ao lado das teles, nós tivemos um papel importante na migração dos feature phones para os smartphones. Agora, é um caminho natural acompanhar essa busca do consumidor por uma experiência aprimorada”, diz Antonio Quintas, diretor sênior de Mobilidade da Samsung no Brasil, cargo que ocupa desde novembro. “Os aparelhos de baixa gama são importantes para ganhar participação, escala e conhecimento de marca, mas você sacrifica muito as margens. A rentabilidade começa no mercado intermediário, mas ela está efetivamente no segmento premium. Esse é o nosso foco agora no Brasil”, observa.

Segundo o executivo — que cita dados da IDC —, o segmento premium — com aparelhos acima de R$ 1 mil — representa cerca de 10% do mercado local em unidades e 21% em receita.Para esse ano, a projeção de crescimento desse perfil de aparelhos no país é de 13%.

As grandes vedetes dessa nova guinada da Samsung são os modelos S6, que chegam ao país nessa semana nas versões Flat e Edge, e que, ao lado da Família A, lançada aqui em janeiro, compõem o portfólio premium da Samsung para 2015. Lançada em março na Coreia do Sul e na última semana em outros mercados globais, a linha Galaxy S6 recebeu diversas críticas positivas e tem sido apontada como o motor para a retomada da Samsung em smartphones, após a companhia ver suas vendas impactadas no high-end, com o lançamento do iPhone 6, e no mercado intermediário, com a escalada da chinesa Xiaomi. Em março, a Samsung somou US$ 11 bilhões ao seu valor de mercado, como reflexo das vendas do Galaxy S6 em seu mercado doméstico. “O S6 é uma revolução na estratégia da empresa para smartphones, tanto que o projeto internamente foi batizado de Zero, pois ele não tem nenhuma ligação com outro produto da série. Tivemos um foco muito grande em design e em questões como performance e consumo de bateria”, diz.

Para ganhar tração no high end, a companhia lança a loja virtual própria da marca no país, em linha com os projetos globais. Primeira iniciativa da América Latina, o e-commerce será inaugurado na quinta-feira, quando inicia a pré-venda do S6 no país. Para marcar o lançamento, os pedidos feitos no canal on-line terão frete gratuito no dia. Com foco no segmento premium, a loja virtual da Samsung terá cerca de 200 itens, entre smartphones, tablets, vestíveis e acessórios mais sofisticados da marca.

As lojas físicas da coreana serão outro canal importante.No último ano, a Samsung investiu em 252 unidades no país, sendo 184 lojas e 68 quiosques. “Já temos cobertura suficiente e não pretendemos expandir esse canal, mas sim, aprimorar a experiência dentro das lojas”, diz Quintas. Nessa trilha, após realizar pilotos em três unidades, a fabricante estende agora a toda a rede uma prática para facilitar o acesso dos consumidores aos smartphones premium: a possibilidade de usar um aparelho de qualquer marca para abater o preço na compra de dispositivos da Samsung nessa categoria.

A sul-coreana também está buscando outras alternativas para encurtar o acesso à categoria, entre elas, as parcerias com bancos e empresas de cartões de crédito para oferecer novas opções de financiamento, especialmente com um número maior de parcelas. Outro mecanismo no radar são as parcerias com clubes de fidelização, para a troca de pontos a partir da aquisição dos aparelhos.

No plano das ações de marketing, Quintas diz que esse será o maior investimento já realizado pela empresa no país. Além de mídias tradicionais e on-line, uma das ações previstas são possíveis parcerias com marcas de luxo, assim como a fabricante fez globalmente, com empresas como Swarovski e Montblanc, e acordos com serviços de entretenimento para os usuários.

Em relação às demais linhas do portfólio, Quintas diz que após investir em um amplo leque de itens a Samsung planeja agora priorizar a racionalização de seu portfólio local. “Hoje, o mercado está mais maduro e temos condições para ter um entendimento mais preciso desses perfis. É natural que comecemos a simplificar essas linhas, até mesmo para facilitar a comunicação”, diz.

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