Por bruno.dutra

Rio - Mesmo com a baixa nos preços do petróleo, fabricantes de aviões e helicópteros apostam em inovações relacionadas ao consumo de combustível para atrair clientes. Em meio a um cenário de retração na demanda pelo transporte aéreo no Brasil em 2015, o grupo europeu Airbus vai redobrar esforços — mundialmente — em modelos com baixo consumo de combustível, como o A320neo e o A330neo. Já o grupo francês Safran, que reúne empresas nos setores aeronáutico, aerospacial, de defesa e de segurança, prepara o primeiro voo no Brasil de um helicóptero abastecido com biocombustível, no segundo semestre do ano.

“Ainda não estamos sentindo a crise brasileira quando se trata de aviação comercial”, diz Bruno Gallaard, CEO das áreas de Defesa e Aeroespacial da Airbus no Brasil. Apesar de os efeitos da desaceleração ainda não se fazerem sentir, o executivo admite que no curto e médio prazo — de 12 a 18 meses — o cenário é de queda na demanda. “Apostamos numa retomada da economia no fim de 2016”, acrescenta Gallard. “Para 2015, a prioridade é mais entregar os aviões já encomendados, mas não descartamos um complemento de frota por parte das companhias aéreas.”

Nesse cenário, a Airbus acredita que a economia de combustível irá fazer toda a diferença. A fabricante europeia já tem encomendas de aéreas brasileiras para o A320neo, versão do jato equipada com novos motores maiores, com gasto 10% a 15% menor que o modelo tradicional. O A330neo segue a mesma linha de projeto. Ambos os aviões são feitos com uma combinação de materiais mais leves. “O preço do combustível caiu, mas isto é algo que afeta todas as aéreas por igual”, argumenta Gallard. Com base no crescimento demográfico atual e na expectativa de um crescimento sustentável da economia brasileira, a Airbus estima que a oferta de voos (tanto nacionais quanto internacionais) vai duplicar ou até triplicar nos próximos 25 anos.

Com um quadro de 69 mil funcionários no mundo e faturamento de € 15,3 bilhões, a francesa Safran fabrica motores de helicóptero numa unidade industrial localizada em Xerém, no município de Duque de Caxias (RJ), com a marca Turbomeca. A empresa trabalha no momento para realizar no segundo semestre deste ano um voo — o primeiro no país — com biocombustível. Para viabilizar a experiência, não foi necessário adaptar as turbinas e, sim, produzir biocombustível que atendesse às especificações de funcionamento das aeronaves.

“Fornecemos apoio aos fabricantes para que o biocombustível atingisse os requisitos necessários”, conta François Haas, diretor geral da Turbomeca do Brasil e principal representante do grupo no país.

Com a iniciativa, a Safran pretende dar mais visibilidade à marca do grupo, usando uma inovação para atrair as atenções no mercado brasileiro. Isso não significa, necessariamente, que o uso do biocombustível em helicópteros vai se firmar como opção comercial. “O cliente não vai aceitar pagar a mais por causa do biocombustível”, reconhece Haas.

Além das oportunidades nos segmentos de aviões e helicópteros, Airbus e Safran — que estão integrando suas divisões aeroespaciais para ganhar mais competitividade — cobiçam uma participação no programa espacial brasileiro. Ambas aguardam uma definição estratégica do governo federal, diante da provável ruptura da parceria entre Brasil e Ucrânia neste campo.

“Estamos em busca de parceiros”, afirma Christophe Roux, vice-presidente de Compras Governamentais de Sistemas Espaciais, da Airbus. Embora não faça comentários específicos sobre o programa espacial brasileiro, Roux afirma que a companhia está se preparando para responder às prováveis mudanças neste campo. “Nós e a Airbus, com o apoio do governo francês, estamos dispostos a retomar o diálogo com o Brasil nessa área”, completa Haas, da Turbomeca Brasil.

Você pode gostar