Food trucks vão ganhar áreas regulamentadas no Rio de Janeiro

Até o final do mês, a prefeitura da cidade vai divulgar os locais. Enquanto isso, eventos indoor movimentam o segmento e atraem novos empreendedores

Por O Dia

Marina Braga%2C dona do Larica Gourmet%2C preside também a associação do setor no Rio%2C que reúne 34 empreendedoresMaira Coelho

Até o final do mês os food trucks cariocas — versão gourmet da comida de rua — terão os espaços oficiais para funcionamento divulgados pela prefeitura do Rio de Janeiro. Áreas como o Parque de Madureira, na zona Norte da cidade, Aterro do Flamengo e bairros como Laranjeiras, Glória e Grajaú estão na lista. O decreto que regulamenta a atividade no Rio foi aprovado pela Câmara de Vereadores em janeiro. O Rio seguiu São Paulo, que desde maio de 2014 já tem food trucks nas ruas. Além da comida, os donos de trailers, vans e caminhões recorrem à criatividade para chamar a atenção dos clientes e fazer a fila de seu negócio andar.

Marina Braga, dona do food truck Larica Gourmet, de sanduíches, e presidente da Associação de Comida Artesanal sobre Rodas do Rio de Janeiro (Acaso), diz que o trabalho da entidade hoje é de informar sobre as regras que são impostas para quem deseja empreender no segmento, além de divulgar eventos que permitam a participação dos food trucks.

“O mercado vem tendo um bom retorno para o negócio e estamos confiantes no resultado das vendas nos pontos de fixação que teremos. Pelo decreto, os donos de food trucks ficarão um dia em cada ponto autorizado pela prefeitura, para que todos possam ter condições de trabalhar em todos os espaços. Ou seja, no Parque de Madureira, que terá duas vagas, 14 food trucks poderão trabalhar durante a semana”, explica Marina.

Por enquanto, quem tem um food truck segue trabalhando em eventos indoor. São festivais pelo interior do estado, festas particulares, casamentos, inaugurações de lojas e encontros específicos de comida sobre rodas.

“A procura tem crescido, sobretudo no interior do estado. Hoje, podemos dizer que não é apenas um modismo. O boom vai acontecer, é claro. Mas quem tiver uma gestão profissional vai permanecer. É uma seleção natural”, diz Marina, que reúne 34 donos de food trucks ligados à associação.

Fernando Mondenesi, dono do food truck Frites, que vende batatas fritas com molhos variados à moda belga, trocou a moda pela gastronomia e diz que não se arrependeu da mudança.

“Por 14 anos, trabalhei no departamento de marketing de algumas marcas de moda. O setor não é mais o mesmo, o mercado de moda está mudando e foi por isso que comecei a pensar em ter um negócio próprio. Vi que a gastronomia entrou na moda e, nesse contexto pensei em investir em um food truck, porém com um único produto. E assim surgiu a Frites, há cerca de um mês”, diz Mondenesi.

Segundo ele, o que também levou à decisão por um restaurante móvel foram os custos de uma loja física.

“São custos impeditivos. O pagamento de aluguel, luvas e outras despesas afasta um pequeno empreendedor de uma loja de shopping ou de rua. Já o food truck oferece custos menores, além de permitir estar em muitos lugares, interagindo com diferentes públicos. Queremos permanecer no food truck, ter mais uma unidade, para depois pensar em uma loja”, comenta Mondenesi.

Se os donos de food trucks parecem não ter do que reclamar, quem trabalha com a montagem dos veículos, muito menos. Dono da RJ Custom, Luis Eduardo Machado trabalhava apenas com a montagem de unidades móveis para clientes como Sesc e Senac, entre outros.

“Antes, tinha 15 projetos por ano de clientes do mercado corporativo. Hoje, tenho 25 pedidos de food trucks por mês e venho recebendo solicitações de orçamentos de outras estados, como Rio Grande do Norte e Minas Gerais, de food trucks e também bike trucks. É um mercado para quem quer testar um produto antes de partir para um investimento maior”, comenta Machado, que vai encerrar o ano de 2015 com um faturamento de R$ 7 milhões, 20% acima do registrado no ano passado.

O custo para a montagem de um food truck varia de R$ 40 mil, para um trailer, a R$ 300 mil, no caso de um caminhão completo, incluindo placas de energia solar. Diante de tantos pedidos, Machado encontrou um novo nicho, com a prestação de serviços aos donos de food trucks. Em um espaço de sua empresa, no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele criou o RJ Park, para estacionamento, limpeza e manutenção de food trucks.

“Depois de algumas consultas que recebi, de donos de food trucks que procuravam um serviço desse tipo, decidi utilizar o espaço livre que disponho na minha fábrica e, hoje, tenho capacidade para 20 veículos”, comenta ele.

Peugeot lança food truck da marca

No embalo da popularidade dos food trucks, a Peugeot mostrou este mês na França o seu modelo conceito para a cozinha sobre rodas desenvolvida pelo Peugeot Design Lab. O modelo chamado de “bistrô do Leão”, em referência ao símbolo da montadora, tem cozinha completa com duas grelhas, quatro cooktops, uma fritadeira e máquina de café expresso, além de refrigeradores, um de 400 litros, para armazenamento de alimentos, e outro de 350 litros, para manter as bebidas geladas . Há também opcionais como mesas e cadeiras, além de um sistema de som. Ou uma tela de 46 polegadas, que poderá exibir filmes, shows ou o que o dono do bistrô móvel quiser. A base do food truck da Peugeot é o modelo Boxer, utilitário da montadora. O cardápio do dia também tem um espaço no veículo, que foi apresentado durante a Semana de Design de Milão, na semana passada, e permanece na cidade para a Expo Mundial, de 1º de maio a 31 de outubro.

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