Por monica.lima

São Paulo - Dois meses após a aprovação da fusão pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), a Rumo ALL – resultado da operação combinada da Rumo Logística e da América Latina Logística (ALL) – apresentou ontem mais detalhes sobre a estratégia e a estrutura da companhia para os próximos cinco anos. Além de projeções para o período, a empresa anunciou um plano de investimentos dividido em duas fases e que pode chegar ao montante de R$ 7,4 bilhões até o fim de 2019.

“Nossa prioridade no curto prazo será o aumento da eficiência e a redução dos custos da operação. No longo prazo, o foco será o aumento da capacidade e dos volumes transportados”, afirmou Julio Fontana, diretor-presidente da companhia, em teleconferência com analistas.

Com um prazo de dezoito meses para a aplicação dos recursos, a primeira etapa do plano – já em execução – envolve um aporte de R$ 2,8 bilhões. O financiamento de 50% desse montante já está captado. Segundo a empresa, a ideia é buscar a cifra restante junto a fontes como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e as agências de crédito a exportação.

Entre outras estratégias, essa fase dos investimentos prevê a substituição e reforma de locomotivas. Nessa frente, 13 locomotivas AC 44, da General Electric (GE) já foram adquiridas e entregues em março. Hoje, 29% da frota de cerca de mil locomotivas da companhia têm mais de 30 anos, enquanto 41% têm entre 10 e 30 anos. A mesma estratégia será reservada aos 25 mil vagões da empresa, dos quais, 67% têm mais de 30 anos em operação. Com essas medidas, a expectativa é reduzir os gastos de manutenção e o obter ganhos de eficiência nos volumes transportados por cada trem.

A recuperação de vias permanentes – malha ferroviária e pátios – também está no escopo. Um dos projetos em fase de finalização é a duplicação do trecho Campinas-Santos. “Vamos investir também na melhoria de acesso e na redução nos gargalos de chegada e descarga nos portos de Santos e Paranaguá”, disse Fontana.

Com previsão de aplicação de R$ 4,6 bilhões a partir do início de 2017 e busca de financiamento nas mesmas fontes utilizadas na primeira etapa de aportes, a segunda fase do plano de está condicionada à negociação com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a extensão das concessões de ferrovias da malha da companhia. Além da aquisição de locomotivas e vagões, essa fase prevê projetos para melhorar o acesso aos portos de Santos, São Francisco do Sul e Paranaguá. O plano contempla ainda iniciativas para aumentar a capacidade, como a duplicação de 42 quilômetros no trecho Itirapina-Campinas e a construção de 37 novos pátios nas operações Norte e Sul, além da ampliação de 45 pátios nas operações Norte e do terminal de Rondonópolis (MT).

Segundo Fontana, o plano foi desenhado com base em diversos estudos de mercado, que preveem o crescimento da safra de grãos e de açúcar. A partir desses projetos, a Rumo ALL estima ampliar sua participação no transporte de grãos para exportação de 33,5%, em 2014, para 46%, em 2025, com um salto de 22 milhões de toneladas para 39 milhões de toneladas nesse intervalo. Já em açúcar, o plano é sair de um transporte de 6,4 milhões de toneladas, no ano passado, para 20 milhões de toneladas no mesmo período. “Nós enxergamos uma grande oportunidade no mercado de açúcar, que só será capturada com o aumento de capacidade. Hoje, nosso atendimento é muito aquém do que gostaríamos de ter”, diz José Cezário Sobrinho, diretor de finanças e de relações com investidores da empresa.

Segundo o executivo, a previsão é de que no início de 2017, logo após a conclusão da primeira fase do plano, a empresa passe a ter uma situação mais confortável, com geração positiva de caixa. Como fruto das ações nesse período, a projeção é reportar um crescimento de R$ 500 milhões no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), com a estimativa de fechar 2016 com um Ebtida entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,2 bilhões. Já com a segunda fase do plano de investimentos, a empresa projeta reportar um crescimento de R$ 1,1 bilhão do Ebitda, com previsão de encerrar 2019 com faixa de R$ 3,3 bilhões a R$ 3,5 bilhões nesse indicador.

Com a nova estrutura resultante da fusão, a Rumo ALL passou a ter grupo formado pela Cosan Logística, TPG, Gávea Investimentos e BNDESPAR, que detém 42,2% das ações da companhia. Os 57,8% restantes estão divididos entre outros acionistas e o percentual destinado à negociação em bolsa.

As ações da Rumo encerraram o pregão de ontem com uma queda de 9,69%, cotadas a R$ 1,49. Na semana, a queda acumulada pelos papéis da empresa foi de 11,31%, enquanto no ano, a desvalorização é de 14,67%. No mês, no entanto, as ações da empresa acumulam uma valorização de 8,76%. 

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