Por diana.dantas

Pouco mais de dois anos após o início das obras, a Jeep inaugura hoje seu Polo Automotivo em Goiana (PE), a cerca de 70 quilômetros da capital do estado. Com investimentos totais de R$ 7 bilhões, sendo R$ 3,9 bilhões da matriz, esse é a primeira planta da montadora fora dos Estados Unidos e é a maior unidade individual da Fiat Chrysler Automobiles (FCA). O grupo afirma que esta é a planta mais moderna de produção de automóveis de todo o globo.

O primeiro produto já em produção é o Jeep Renegade, um SUV compacto ainda sem preço divulgado pela empresa. Ainda este ano, é aguardado o anúncio do segundo modelo Jeep a sair dos pátios de Goiana. Em 2016, será a vez de um terceiro automóvel.

De acordo com o diretor de Engenharia de Manufatura da Jeep, Denny Monti, por possuir um modelo flexível, a planta pode fabricar quatro modelos simultaneamente. Quando atingir seu pico de produção, sairão da nova unidade 250 mil carros por ano, parte da estratégia global da montadora de fabricar 2 milhões de unidades até 2018.

“O espaço tem ainda a possibilidade de expansão, podendo chegar a uma produção de até 600 mil unidades por ano”, disse Monti. “Vamos iniciar um segundo turno em breve, mas atingir nossa capacidade máxima vai depender das demandas do mercado”, ponderou o diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da FCA América Latina, Marco Antônio Lage.

Segundo os executivos da montadora, Pernambuco foi o local escolhido para a fábrica, entre outros fatores, pela forte ligação do estado com a tecnologia, além da proximidade com o Complexo Portuário de Suape, facilitando o escoamento da produção para a toda a América Latina. “O Brasil é o segundo maior mercado mundial para a Fiat e a Chrysler após a fusão”, ressaltou Lage. O complexo faz parte dos planos da FCA de investir R$ 15 bilhões no país, no período que vai de 2013 até 2016.

Além da unidade principal, composta por cinco edifícios, a planta abriga um parque com 16 fornecedores diretos da Jeep, entre eles Pirelli, Saint Gobain e PMC. No total, foram investidos R$ 2 bilhões apenas no que a montadora chama de “Supplier Park”, sendo R$ 1 bilhão na edificação e o restante em equipamentos. Em breve, será inaugurado ainda um parque de provas, um centro de pesquisa e desenvolvimento, ambos na mesma planta de Goiana; e um novo parque de fornecedores, este último em outro terreno, mais próximo de Recife.

“O parque de fornecedores vai gerar até cinco mil empregos até o final do ano”, afirmou o diretor do Supplier Park, Alfredo Fernandez. “A nacionalização dos componentes da nossa produção chega a 80%, com 40% deles vindo do parque de fornecedores. Assim, diminuímos não só os custos logísticos, como as possíveis pressões do câmbio”, completou ele. A unidade da Jeep já gera nove mil empregos diretos e expectativa é chegar a onze mil. O foco é contratar mão de obra local, mesmo que sem experiência prévia no setor automobilístico.

Diretor de RH do Polo Automotivo da Jeep, Adauto Duarte afirma que 100% dos operários na produção nunca trabalharam antes na indústria automotiva, bem como 75% dos líderes. “Além de termos eliminado a necessidade de experiência prévia, temos tecnologia para controle do erro humano”, afirmou ele. Além disso, as 15 mil melhores práticas da FCA no mundo estão sendo aplicadas na unidade. A chegada da planta à Goiana junto com parceria firmada com oito instituições de ensino de Pernambuco e Paraíba, já gerou 78 cursos de formação e especialização, desde os mais simples, como a manipulação de um smartphone, chegando a pós-graduação. 

Outra preocupação do grupo é a sustentabilidade. A planta já começa com 98% do reuso de água e adota processos de produção que permitem o melhor uso da energia elétrica. Para as ações sociais no entorno da nova unidade, o público infantil é a prioridade, destacou Rosangela Coelho da área de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Jeep.

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