Por diana.dantas

O minério de ferro poderá estender o rali de alta no mercado se as maiores produtoras desacelerarem ainda mais suas expansões e começarem a reduzir a produção das minas mais custosas, disse Michael Zhu, ex-diretor de vendas internacionais da Vale SA.

A matéria-prima provavelmente subirá para uma média de US$ 60 a US$ 70 a tonelada neste ano, disse Zhu, que é presidente da trader Millennia Resources, em Hong Kong. A matéria-prima registrou uma média de US$ 59,82 depois de cair para apenas US$ 47,08 em 2 de abril. A commodity continua 69% abaixo de seu recorde de 2011, e o Morgan Stanley disse que os preços atingirão um pico dentro das próximas semanas.

O minério de ferro entrou em ascensão na sexta-feira e subiu mais de 20% em relação ao seu fechamento mais baixo depois que a BHP Billiton disse que diminuiria o ritmo da expansão na Austrália e que algumas fornecedoras menores desativaram minas. É possível que esteja se formando um piso para os preços, segundo a Pacific Investment Management. O quarto dia de incrementos dos preços de referência, ocorrido ontem, é a sequência mais longa neste ano, e os contratos futuros estão sinalizando mais ganhos na China.

“ O mercado está principalmente nas mãos das chamadas Quatro Grandes: se apenas uma delas adota uma pequena medida, já há uma grande influência”, disse Zhu, em referência às empresas Vale, BHP, Rio Tinto Group e Fortescue Metals Group.

O minério com 62% de conteúdo em Qingdao se recuperou 5,5% na sexta-feira, para US$ 57,81 a tonelada, o nível mais alto desde 16 de março, segundo a Metal Bulletin. A commodity caiu 47% no ano passado e registrou cinco trimestres seguidos de perdas até março, em um momento em que uma expansão nas ofertas de baixo custo provocaram um excedente global e o crescimento lento na China, o maior consumidor, prejudicou a demanda.

O minério de ferro poderá subir mais US$ 10 a US$ 20 no curto prazo antes de atingir um pico nas próximas semanas, escreveu Joel Crane, analista do Morgan Stanley, em um relatório, ontem. A confiança na indústria siderúrgica da China está tão negativa que parece improvável que ocorra qualquer recuperação nas transações neste ano, disse ele.

O minério de ferro caiu em um momento em que o crescimento na China desacelerou: os dados para o primeiro trimestre mostram a expansão mais fraca desde 2009. A demanda por aço no país, que compra dois terços de seu minério no exterior, cairá neste e no próximo ano, segundo a Associação Mundial do Aço. Os contratos futuros mais ativos na Bolsa de Commodities Dalian subiram 4% ontem.

Para combater a desaceleração deste ano, o Banco Popular da China, banco central do país, relaxou as regras para aquisição de residências, reduziu taxas de juros e diminuiu as reservas bancárias.

“Nós acreditamos que a recente recuperação alinha o preço novamente às nossas expectativas”, disse Paul Bloxham, economista-chefe do HSBC Holdings em Sydney, que vê uma média de US$ 50 a US$ 60 em 2015. “A demanda chinesa deverá subir, apoiada por uma maior flexibilização da política monetária e pelos planos do governo de aumentar o investimento.” 

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