Por douglas.nunes

Empresa de automação comercial, a Bematech interrompeu uma sequência de dois trimestres de receita recorde em suas operações. Apesar de registrar crescimento no índice pelo 14º trimestre consecutivo, entre janeiro e março, a companhia reportou uma desaceleração nessa expansão, com uma receita líquida de R$ 98,1 milhões. A alta foi de 2,7% na comparação com o mesmo intervalo, em 2014, em um contraponto aos costumeiros saltos de dois dígitos que a empresa vinha apurando nos últimos três anos.

No trimestre, o lucro líquido da companhia teve queda de 14,4%, para R$ 10,6 milhões. O lucro antes de juros, depreciação e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 15,9 milhões, 19,4% inferior na comparação anual.

Diante da expectativa do resultado – divulgado após o fechamento do mercado -, as ações da empresa encerraram o pregão com queda de 3,29%, cotadas a R$ 9,70. No ano, porém, a Bematech acumula uma alta de 6,6%.

A Bematech atribuiu o crescimento aquém das expectativa dois fatores. Um dos impactos foi a comparação com o forte desempenho da companhia no primeiro trimestre de 2014. “Naquele período, tivemos um crescimento de 23% na receita, em função da preparação do varejo para a Copa do Mundo”, afirmou Cleber Morais, presidente da Bematech, ao Brasil Econômico. Outro grande reflexo veio na esteira do contexto macroeconômico. “Muitos projetos foram adiados, especialmente no pequeno e médio varejo”, explicou.

O segmento de restaurantes foi o principal impactado pelos projetos postergados. A divisão registrou uma queda na receita de 3,2%, para R$ 7,8 milhões. Morais destacou, no entanto, o crescimento de 14,9% da receita recorrente na divisão, que passou a representar 30,7% da receita total da área no período.

Com uma participação de 51,6%, a receita recorrente também foi um dos destaques nas vendas para o varejo, que apurou uma receita de R$ 18,8 milhões, 15,8% superior na comparação com o primeiro trimestre de 2014. “Os dois primeiros meses foram desafiadores, mas já percebemos uma retomada em março e começamos a ver o varejo se preparando para as grandes datas e para o segundo semestre, que tradicionalmente é mais forte para o setor”, disse Morais.

O segmento de hotelaria foi o principal ponto positivo, com um salto de 18,8% na receita, para R$ 19,1 milhões, impulsionada por projetos de longo prazo das grandes redes, em virtude da tendência de interiorização e da preparação para a Olimpíada, explicou o executivo. Nessa frente, a receita recorrente foi de R$ 14,7 milhões.

Fruto de uma estratégia que vem sendo implantada há três anos e que explica o desempenho nos últimos trimestres, a transição de uma oferta antes voltada a venda de produtos para um modelo de soluções – hardware, software e serviços – por verticais é a grande aposta para superar os desafios. “A preparação da estrutura e do portfólio está trazendo uma despesa maior para a empresa. Por outro lado, hoje temos um modelo mais resiliente”, disse Morais, que destacou o fato de as receitas por verticais terem ampliado a participação na receita total de 42,3%, para 46,6%.

Vice-presidente financeiro e diretor de Relações com Investidores, Marcos Perillo ressaltou ainda o crescimento de 30% dos investimentos em desenvolvimento de inovações. “O primeiro trimestre foi um reflexo de notícias ruins que foram se acumulando, acima das expectativas. Agora, esse cenário está se estabilizando. O resultado veio em linha com as nossas expectativas e temos total confiança que vamos entregar todas as nossas metas para os acionistas em 2015”.

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