Por monica.lima

Não é de hoje que as empresas buscam se associar a artistas para vender produtos ou aumentar a visibilidade de suas marcas. Mas com a queda da venda de CDs e DVDs, as gravadoras e produtoras — que precisam de outras formas de rentabilização — têm se tornado aliados ainda mais fortes nessa relação. E não falta criatividade: product placement em clipes, músicas criadas para uma marca, ações de relacionamento com fãs, só para citar alguns exemplos.

Segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, o mercado fonográfico no mundo teve queda de 0,4%, em 2014, basicamente devido ao declínio das vendas nos formatos físicos (-8,1%) e download (-8,0%). O tombo não foi maior graças à variedade dos modelos de negócios que a indústria vem adotando, como streaming por assinatura e baseado em publicidade, que juntos tiveram alta de 32%, em 2014; shows; vinil; execução pública; sincronização em filmes, campanhas publicitárias e jogos; entre outros.

Assim, a receita gerada pela música digital hoje já se equipara a venda física, cada uma representando 46% do mercado mundial.

A Vevo Brasil, por exemplo, tem como uma das apostas ser a ponte entre artistas e empresas, através de seu braço Vevo Criative Lab. “A relação entre música e artista sempre existiu. Mas sempre foi baseada na audiência do artista. O hoje o caminho é se alinhar a artistas que têm uma mensagem por trás”, explica o gerente de Contas da Vevo, Fabio Santana.

Segundo ele, justamente por se tratar de música não há uma receita de bolo. “Música é criatividade”, diz, citando o product placement, mas também projetos mais completos, como a criação de uma música ou videoclipe para a marca.

“Produzimos um clipe com a Anitta para a Seda, na Copa do Mundo. Nele, lançamos uma música especial, que ela também cantava no show. O projeto ia muito além do videoclipe, gerando entrega também no offline”, conta o gerente da Vevo. “Nosso principal veículo de divulgação é a nossa plataforma”, completa ele.

Na Vevo, diz Santana, a procura das marcas que não querem estar dentro dos clipes e preferem aparecer no próprio canal é principalmente por estrelas internacionais. “Eles veem como uma forma de se alinhar ao artista sem gastar muito”.

Já a plataforma de streaming Spotify usa o big data para entregar a mensagem da marca no melhor momento, dentro da experiência do usuário. “Isso propicia uma abordagem única para os anunciantes”, destaca o diretor de Vendas do Spotify, Thiago Machado.

A Sony Music também tem criado projetos com marcas, e esta linha de negócios, diz Maria Clara Graciosa, diretora de Digital e Novos Negócios da gravadora, está se tornando cada vez mais importante dentro da indústria.

“A música está associada a sensações marcantes, que podem agregar valor a marca e ajudá-la a se posicionar e a se diferenciar dentro do mercado”, diz. “A Sony já realizou diversos projetos, como transmissões de shows na internet, promoção de experiências de fãs com artistas, product placement e conteúdos exclusivos.”

Em um projeto para a Samsung, a Sony inseriu produtos da marca em 15 videoclipes, de nomes como Lulu Santos, Capital Inicial, Jota Quest, Arlindo Cruz, Vanessa da Mata, entre outros. “Para a marca, o product placement é super benéfico, pois permite que o produto seja contextualizado de forma mais realista, dando mais credibilidade. Além disso, pode alcançar um público segmentado de maneira mais eficiente e barata, do que comparada a uma propaganda”, ressalta Maria Clara.

A produtora Comando S é uma das pioneiras em projetos relacionando marcas e artistas. A empresa criou, por exemplo, a música cantada por Roberta Sá para a Nivea. “Conectamos as pontas para achar novos formatos. Estamos em um momento de transição. As editoras estavam acostumadas a esperar o telefone tocar e as marcas falavam como queriam. Isso está mudando”, diz o CEO da Comando S, Serginho Rezende.

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