Por douglas.nunes

O consumo de dados crescente por usuários do serviço 4G, aliado à adesão de clientes pré-pagos a planos de dados não básicos, alavancou as receitas da TIM no primeiro trimestre deste ano, contribuindo para um lucro líquido de R$ 312,7 milhões entre janeiro e março. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o resultado positivo foi de R$ 372,1 milhões, houve retração de 16%, motivada principalmente pela aceleração da execução de investimentos no curto prazo ao longo do primeiro trimestre. Despesas financeiras mais altas e uma retração leve na receita também afetaram negativamente o resultado no período.

Nos primeiros três meses de 2015, a receita bruta da operadora com serviços de dados (navegação na web e conteúdo, excluindo SMS) aumentou 46%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Levando em consideração a receita de SMS, que vem caindo vertiginosamente em todo o mercado, a expansão da receita bruta de serviços de valor adicionado (SVA) seria de 22%.

De modo geral, a companhia se beneficiou da expansão acelerada da base de clientes 4G, que cresceu 4,5 vezes no primeiro trimestre, na comparação anual, totalizando cerca de três milhões de usuários no fim de março. “O Arpu (receita média por usuário) total de dados é bastante maior entre os clientes do 4G, na comparação com os do 3G”, disse ontem o presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, em teleconferência com analistas e jornalistas. “O 4G começa a ter um impacto interessante”, acrescentou o executivo, referindo-se aos primeiros três meses do ano.

Além disso, a TIM registrou um avanço na utilização pelos clientes de planos pré-pagos menos básicos, com franquias de 30 megabytes (MB) ou 100MB: de 9%, no primeiro trimestre de 2014, para 14% um ano depois. “A base pré-paga deu uma contribuição significativa, do contrário não teríamos um crescimento tão alto”, afirmou Abreu. Apesar de a receita média por usuário (Arpu) de dados ter aumentado 29% na comparação anual, o avanço foi insuficiente para conter a queda (-5,5%) no Arpu da companhia, que ficou no patamar de R$ 17 entre janeiro e março.

A operadora investiu R$ 924 milhões ao longo do primeiro trimestre do ano, montante 50,7% superior ao desembolsado no mesmo período de 2014. Do total aportado, 92% foram direcionados para infraestrutura (3G e 4G, principalmente). A TIM reafirmou que irá investir R$ 14 bilhões no país entre 2015 e 2017. O plano de investimentos anterior — para o triênio 2014-2016 — era de R$ 11 bilhões.

A operadora terminou março com 75,7 milhões de clientes em sua base, um incremento de 2,5% em termos anuais. O total de clientes pós-pagos subiu 6,4% no período, para um patamar de 13 milhões, enquanto a base pré-paga se expandiu a uma taxa menor (1,7%), para 62,7 milhões.

A receita bruta da companhia entre janeiro e março somou R$ 6,81 bilhões, o que representa uma diminuição de 3,2% frente os primeiros três meses de 2014. O desempenho negativo está diretamente relacionado à queda nas receitas de interconexão, remuneração que uma empresa de telefonia celular recebe pelo uso de sua rede. O barateamento dessas tarifas no mercado segue cronograma estabelecido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) atingiu R$ 1,33 bilhão no trimestre, um avanço de 1,7% ante o intervalo de janeiro a março de 2014. A margem Ebitda subiu para 29,5%, melhor resultado da empresa num primeiro trimestre.

Rodrigo Abreu reafirmou ontem que, “nos próximos três a quatro meses”, a empresa deverá concretizar a venda da “grande maioria” das torres de telecomunicações que ainda não foram negociadas com a American Tower. A empresa já adquiriu da TIM um total de 4.176 torres, por R$ 1,9 bilhão. Há um segundo lote, com as 2.305 torres restantes, cuja venda ainda não foi concluída.

Perguntado se a TIM planeja fazer demissões, por conta do cenário macroeconômico desfavorável no país, o executivo disse que não há corte de pessoal previsto. “Nossa estratégia está voltada a processos, mudanças de modelo de negócios, e menos voltada a corte de curto prazo em estrutura", justificou o executivo. A respeito de possíveis consolidações no setor de telecomunicações, Abreu disse que “o que houve foi uma diminuição do nível de rumor”. Anteontem, circulou no mercado a informação de que as conversas entre operadoras haviam esfriado.

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