Por douglas.nunes

A estratégia de corte custos da Oi produziu resultados no primeiro trimestre do ano, mas não foi suficiente para evitar um prejuízo líquido consolidado de R$ 447 milhões no período. Além do alto endividamento da companhia, pesaram no resultado financeiro da operadora impactos contábeis negativos de R$ 32 milhões ainda decorrentes das operações descontinuadas da PT Portugal, que foi adquirida pela francesa Altice. No mesmo período de 2014, a companhia apresentou lucro líquido de R$ 228 milhões.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de rotina aumentou 12,8% em relação aos três primeiros meses do ano passado, atingindo o patamar de R$ 1,92 bilhão. A evolução no indicador foi consequência de uma redução de 4,9% — na comparação anual — nos custos e despesas operacionais, que totalizaram R$ 4,91 milhões no período de janeiro a março de 2015. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o recuo foi ainda maior: 8,6%. “No fim do ano passado, tínhamos 134 iniciativas mapeadas de redução de custos. Hoje, são 290”, exemplificou ontem o presidente da Oi, Bayard Gontijo, em teleconferência com analistas. O executivo sustentou que a atual política de corte de custos — abrangendo renegociação de contratos e racionalização de fornecedores — é sustentável no longo prazo.

A receita líquida da Oi no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 7,04 bilhões, o que representa um decréscimo de 0,9% ante igual período de 2014. No fim de março, a Oi tinha uma base de 73,5 milhões de clientes, total inferior em 1,4% ao registrado em 31 de março de 2014. A base móvel recuou 0,4% na comparação anual, para 47,9 milhões de linhas, sendo que o volume de clientes de planos pré-pagos encolheu 1,4% no trimestre, frente ao mesmo período de 2014, por conta de uma limpeza de base. O total de pós-pagos aumentou 5,8% entre janeiro e março. Em relatório divulgado ontem, a Concórdia Corretora destacou que a Oi mostrou redução na base de clientes “em todas as frentes, com mobilidade pessoal sendo afetada pela retirada de inativos no pré-pago” e com o segmento “corporativo sentindo os efeitos da desaceleração da atividade, além do próprio processo de substituição fixo-móvel no residencial.”

“Nosso foco em 2015 é a rentabilidade da base”, disse Gontijo, destacando que o Arpu (receita média por usuário) aumentou em todos os produtos. Na telefonia móvel, o Arpu excluindo as receitas de interconexão — remuneração que uma empresa de telefonia celular recebe pelo uso de sua rede — aumentou 11,3% na comparação anual. Se forem consideradas essas receitas, que vêm caindo, o Arpu móvel (R$ 17,7) sofreu queda de - 4,1%. A dívida líquida da companhia totalizava R$ 32,55 bilhões ao fim de março de 2015, montante 6,5% maior que o existente no término de 2014. A parcela indexada em moeda estrangeira representava 51,8% da dívida total no fim de março. As despesas financeiras líquidas da companhia somaram R$ 1,26 bilhão no primeiro trimestre (+6,3% em relação a igual período de 2014).

Para 2015, a Oi projeta um Ebitda de rotina entre R$ 7 bilhões e R$ 7,4 bilhões, além de uma melhoria no Fluxo de Caixa Operacional (FCO) entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,8 bilhão.

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