Mesmo com perspectivas desfavoráveis, Kroton aumenta receita

Assim como a concorrente Estácio, grupo educacional termina primeiro trimestre com resultados positivos apesar das alterações regulatórias sofridas este ano pelo Fies

Por O Dia

Mesmo num ano marcado por perspectivas macroeconômicas desfavoráveis e mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o grupo educacional Kroton fechou o primeiro trimestre de 2015 com aumento na receita (+6%) e no lucro (+14,8%) líquidos, na comparação anual. Ganhos de eficiência operacional e controle mais rígido de custos e despesas impulsionaram os resultados da companhia, que também se beneficiou da oferta de alternativas privadas ao financiamento público de estudantes do ensino superior. O crédito privado também já é oferecido pelas concorrentes Estácio e Ser Educacional.

Apesar do desempenho positivo entre janeiro e março, a Kroton perdeu fôlego em sua expansão, na comparação com o período anterior às alterações regulatórias no Fies, alertam analistas de mercado. A companhia terminou os primeiros três meses do ano com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 552 milhões, o que representou expansão de 13,7% frente ao resultado pro forma (anterior à fusão entre Kroton e Anhanguera) registrado em igual período de 2014. A margem Ebitda teve acréscimo de 2,9 pontos percentuais, em relação ao primeiro trimestre do ano passado, alcançando o patamar de 42,8%. O lucro líquido totalizou R$ 455 milhões, enquanto a receita líquida foi de R$ 1,28 bilhão entre janeiro e março.

“Conseguimos reestruturar a operação com foco no aumento de margem”, disse ontem Rodrigo Galindo, presidente da Kroton, em teleconferência com analistas. A revisão de custos teve como foco o aumento de eficiência no processo de abertura de turmas novas. “Fomos mais restritivos que o habitual na definição de turmas. Formamos menos turmas, mais rentáveis”, acrescentou o executivo. Para 2015, a companhia projeta receita líquida de R$ 5,21 bilhões (avanço de 8% em termos anuais), Ebitda de R$ 1,93 bilhão (+13,4%) e lucro líquido de R$ 1,44 bilhão (+8,4%), além de investimentos totais equivalentes a 7,5% da receita líquida.

A expectativa de expansão mesmo num cenário adverso está diretamente ligada ao êxito do Parcelamento Especial Privado (PEP), alternativa ao Fies oferecida pela Kroton com mais de 22,8 mil alunos matriculados. A concorrente Estácio, por sua vez, fechou parceria com a Ideal Invest, gestora do Pravaler, programa privado de crédito universitário. Outro gigante do setor, a Ser Educacional, também firmou acordo com a Ideal Invest.

Os números da Kroton para o primeiro trimestre deste ano, assim como os da Estácio, indicam que ambas as empresas superaram os efeitos negativos das mudanças regulatórias ocorridas no mercado de ensino superior. “As mudanças regulatórias exigiram da Kroton e da Estácio habilidade de gestão, para mostrar que são empresas mais diversificadas, que não dependem apenas dos programas de financiamento governamentais”, justificou Felipe Silveira, analista da corretora Coinvalores.

A Portaria Normativa nº 21, do MEC, estabelece que — para ser elegível ao Fies — o estudante deve alcançar nota mínima de 450 no Enem, além de não tirar zero na redação. Já a Portaria Normativa nº 23 estendeu de 30 para 45 dias o prazo dos repasses do governo às instituições de ensino para pagamento das mensalidades de estudantes que recorrem ao Fies. “Mesmo num cenário complicado, as empresas conseguiram atrair alunos”, disse Silveira, que cobre o setor em conjunto com o analista Daniel Liberato. Na Kroton, a base total de alunos de ensino superior era de 1,11 milhão ao fim de março — incremento de 12,8% na comparação com o trimestre anterior. O total de alunos matriculados com contratos do Fies caiu 1,2%, para 255.755, em relação ao período de outubro a dezembro de 2014, quando as regras ainda não haviam sido alteradas pelo MEC.

Já a Estácio terminou o primeiro trimestre com um crescimento anual de 33,8% na base total de alunos. A companhia apresentou receita líquida operacional de R$ 722,3 milhões no período, resultado 34,2% superior ao obtido no primeiro trimestre do ano passado.“Tanto a Kroton como a Estácio apresentaram desaceleração nos resultados de captação de alunos, crescimento da base”, comparou Ricardo Kim, analista-chefe da XP Investimentos, referindo-se ao período anterior às mudanças regulatórias. “A Kroton apresentou um belo resultado, mas isso não significa que tudo voltou ao normal, aos níveis anteriores.”

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