Por monica.lima

A consultoria Economatica consolidou o lucro líquido de 316 empresas de capital aberto brasileiras e constatou que o lucro delas no primeiro trimestre do ano, somado, foi de R$ 35,3 bilhões, contra R$ 38,1 bilhões no mesmo período de 2014 — um recuo de 7,4%.

O setor bancário foi o que apresentou o maior lucro entre os 24 listados, com R$ 17,7 bilhões nos primeiros três meses de 2015, uma alta de 41,4%, ante o mesmo período do ano anterior. Em 2014, a lucratividade dos bancos havia sido de R$ 12,4 bilhões.

“O setor bancário, de uma forma geral, vem sendo favorecido pela política econômica nos últimos anos. Desde que governo baixou os juros, eles vêm apostando de geração de receitas com prestação de serviços, o que inclui tarifas. Essa revisão de receita em cima de prestação de serviços teve ainda um reforço natural da própria política dos juros, hoje em trajetória de crescimento”, destaca o professor de Finanças do Ibmec/RJ, Gilberto Braga.

O Banco do Brasil teve o maior lucro entre as empresas de capital aberto no primeiro trimestre de 2015, com R$ 5,81 bilhões. Entre as 20 empresas mais lucrativas, o setor bancário é que teve mais representantes, com cinco instituições (Itaú/Unibanco, Bradesco, BTG e Banco Santander). O setor de energia elétrica é o segundo, com quatro companhias.

Segundo Braga, o setor de energia elétrica foi beneficiado pela recomposição das tarifas, que permitiu a melhoria das receitas, e teve ainda o adicional das “bandeiras tarifárias”, em que o consumidor é cobrado quando há aumento no custo de produção de energia no país.

Outro setor em destaque no estudo é o de bebidas e alimentos, onde aparecem JBS e Ambev. “São players muito fortes. Claro que teve o efeito do dólar, por conta das exportações da JBS”, diz o professor.

Quando a mesma análise é feita com 317 empresas (incluindo a Vale), o estudo mostra lucro de R$ 25,7 bilhões, ante R$ 44 bilhões no primeiro trimestre de 2014 — ou seja, queda de 41,4%. O lucro da Vale no ano de 2014 foi de R$ 5,9 bilhões, ante um prejuízo de R$ 9,53 bilhões no primeiro trimestre de 2015.

“A Vale foi influenciada principalmente pela desaceleração da China. Em alimentos e bebidas, temos os dois lados, com Minerva e Marfrig no grupo das dez com maiores prejuízos no primeiro trimestre desse ano”, pondera Braga.

A Vale é a empresa com maior prejuízo, seguida de Suzano Papel e Celulose, Klabin, Gol, Minerva, Marfrig, Fibria, Bradespar, Oi e a mineradora MMX, segundo o levantamento.

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