Por diana.dantas

O grupo francês Publicis anunciou ontem a fusão das agências DPZ e Taterka no Brasil, formando a DPZ&T, que já nasce grande. Somados os faturamentos das duas empresas no ano passado, a DPZ&T estaria na 13ª posição (ocupada pela Leo Burnett, também do conglomerado). DPZ e Taterka figuravam, no ano passado, nas 21ª e 29ª colocações, respectivamente, segundo ranking do Ibope Media, que relaciona as maiores agências brasileiras.

Ambas empresas já pertenciam à Publicis Worldwide Brasil (PWW) e a união já era esperada desde dezembro de 2013, quando o Publicis Groupe concluiu a compra da totalidade dos papéis da DPZ, mas só foi confirmada ontem. O Publicis faturou € 7,2 bilhões em 2014, e espera atingir € 9,2 bilhões neste ano.

Com a fusão, a DPZ&T inicia sua atuação com clientes de peso como McDonald’s, Itaú, Natura, Coca-Cola, Vivo e Bombril em seu portfólio. E o ex-sócio da Taterka, Eduardo Simon, vai comandar a “nova agência”, que ganhará também nova sede. Tonico Pereira, principal executivo da DPZ, assume como principal executivo de operações.

A PWW inclui ainda Publicis Brasil, Salles Chemistri, Talent e AG2 Nurun. O grupo francês, terceiro maior conglomerado de comunicações do mundo, ainda é dono das agências Neogama/BBH, Leo Burnett Tailor Made e F/Nazca Saatchi & Saatchi. Além do MSL Group, de relações públicas.

Segundo o CEO do Publicis Groupe, Maurice Lévy, a fusão entre as duas empresas aconteceu de forma natural e ajudará o grupo a ser ainda maior no futuro, já que reúne a tradição da DPZ no Brasil, com a “excelente” execução da Taterka.

O principal objetivo é dar aos clientes brasileiros mais possibilidades, inclusive nos meios digitais, que hoje já são mais de 50% do faturamento do grupo francês. A meta é que essa fatia chegue a 60% nos próximos anos.

“A combinação será muito boa não só para o mercado brasileiro, como também para o latino americano e até para as bases globais”, disse ele, não descartando novas aquisições no país em um futuro próximo. “O primeiro investimento que fizemos com sucesso, quando decidimos ter atuação global, foi aqui no Brasil (...) Acreditamos muito no país”.

Lévy destacou que a concorrência no Brasil, país repleto de pequenas agências, mas que também conta com a presença de grandes conglomerados, não assusta. “Preocupados, certamente não estamos (...) Mas também não podemos olhar para o Brasil como um mercado emergente quando falamos de criatividade e publicidade. Todas as agências daqui são muito boas e as pessoas são muito talentosas”, declarou, acrescentando que brasileiros estão sendo contratados para atuar em países como França, Portugal, Espanha, Reino Unido e até nos Estados Unidos.

De acordo com o executivo, ainda há muitas oportunidades no mercado brasileiro, e a fusão dá à “nova agência” um forte diferencial competitivo. “A união nos torna um player muito forte no país”, disse ele. Um dos objetivos é que o Brasil seja um dos cinco mercados mais importantes para o grupo. Atualmente, o país ocupa a 8ª posição.

No mercado global, o Publicis Groupe concluiu recentemente a compra da agência Sapient, por US$ 3,7 bilhões. Atualmente no radar, ponderou Lévy, estão apenas aquisições pontuais — ele não deu detalhes —, para completar o portfólio em alguns mercados. “Mas primeiro precisamos integrar a Sapient, desenvolver novas abordagens de comunicação, e integrar os clientes, antes de pensarmos em novas aquisições”, ressaltou.

Quanto ao futuro da publicidade mundial, o CEO do Publicis Groupe acredita que a combinação do analógico com o digital será o caminho, e considera a aposta somente no digital um erro, principalmente das novas agências.

“Eu nunca uso a palavra ‘tradicional’, quando falamos de agências (...) Eu penso que se hoje já temos 50% das nossas receitas direcionadas para o digital, ele é muito importante, mas quem pensar que ele será a única coisa no futuro está errado. Muita gente pensa que o futuro será 100% digital, mas eu discordo totalmente disso”, disse.

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