Por diana.dantas

Com mais salas de cinema em cidades pequenas e médias e fora das capitais em todo o país, impulsionada pela abertura de mais shoppings nas regiões metropolitanas e no interior dos estados, o número de pessoas que assiste filmes nas telonas vem aumentando. No período de 2009 a 2013, o público girava em torno de 33 milhões, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Somente no primeiro trimestre de 2015 chegou a 43,4 milhões, alta de 18,1% ante 2014. A renda bruta das salas de exibição nos três primeiros meses do ano atingiu R$ 568 milhões, alta de 23,2% comparado ao mesmo período do ano passado.

O sucesso de público e bilheteria tem explicação na ampliação de investimentos não só de grandes grupos mas de empresas do setor de pequeno e médio porte. Este modelo descentralizado já foi experimentado pelos brasileiros há 40 anos. Um levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostra que o Brasil já teve 3.300 salas em 1975, uma para cada 30.000 habitantes, 80% delas em cidades do interior.

Hoje, com 2.870 salas em funcionamento, o país se aproxima do números dos anos 70. E deverá ultrapassar as três mil salas este ano, segundo o BNDES, que mantém ativas as linhas de financiamento em parceria com a Ancine para a construção e reforma de complexos de cinemas no país.

“O banco criou em parceria com o Fundo Setorial do Audiovisual, o programa Cinema Perto de Você, em 2010. Anteriormente, havia uma carteira nossa que financiava projetos desde 2007. Somando as duas carteiras, já aprovamos 317 salas de cinemas, a maioria novas, tanto para grandes grupos, como Severiano Ribeiro e Cinesystem, até médios exibidores como Moviecom, do interior de São Paulo, Playart e Cineart, entre outras. Este é um setor bastante pulverizado, onde apenas oito empresas têm faturamento acima de R$ 100 milhões. Por isso o banco segue com a linha de crédito que, até o momento, não tem prazo para encerrar”, adianta Fernanda Farah, gerente do Departamento de Economia da Cultura do BNDES.

O valor total dos financiamentos aprovados pelo banco até maio é de R$ 427,5 milhões. Pelas contas do BNDES, 62% das salas de cinema foram construídas fora das capitais. Estão em fase de consulta no banco este ano novos pedidos de financiamento, já protocolados, que somam até o momento cerca de R$ 100 milhões.

Outro programa capitaneado pela instituição e a Ancine é o de digitalização das salas de cinema brasileiras, lançado no final do ano passado. O montante de R$ 123,3 milhões tem como operador dos projetos de digitalização a empresa Quanta DGT, do Grupo Telem, e visa à capacitação de 770 salas em todo o país, incluindo as pequenas e médias exibidoras, que a partir deste ano devem se enquadrar no padrão digital. Ou seja, deste total, aproximadamente R$ 2,7 milhões dos recursos da linha são não-reembolsáveis. Pelo relatório da Ancine, 74,1% do parque exibidor brasileiro já estava digitalizado no primeiro trimestre deste ano, um total de 2.128 salas. Dos 20 maiores grupos exibidores, oito já estão com 100% de suas salas convertidas para o digital.

“O movimento de levar tecnologia para todas as empresas exibidoras por meio de linhas de financiamento, além de modernizar o parque, dá acesso a serviços de qualidade ao mercado, não importa o porte da empresa”, completa a gerente do BNDES.

Uma das grandes redes exibidoras do país, o Grupo Severiano Ribeiro vai abrir 23 novas salas este ano, com a inauguração de quatro novos complexos de cinema. São eles o Kinoplex Uberaba (MG), com seis salas; o Kinoplex Uberlândia (MG), com cinco salas; o Kinoplex Top Shopping (Nova Iguaçu/RJ) que terá seis salas e o Kinoplex Rio Sul (RJ), também com seis salas. Uberaba e Rio Sul entram em operação neste semestre.

Luiz Severiano Ribeiro, presidente do Kinoplex, marca das salas de cinema do Grupo Severiano Ribeiro, diz que o maior número de inaugurações acontecerá em 2016, quando serão abertos sete novos complexos, somando 37 salas. Já em 2017, ano em que a exibidora completa 100 anos, serão mais quatro complexos, com 19 salas, somando nos três próximos anos, 79 salas novas. Mas o executivo acredita que o momento do mercado é favorável ao setor exibidor e que ele pode até mesmo ir além.

“O cenário para o nosso mercado está bom e ainda temos o acesso a linhas de financiamento como as do BNDES. E é por causa disso que estamos com planos de chegar a 100 novas salas em três anos. Tudo vai depender das oportunidades. O nosso plano de expansão está baseado no programa Cinema Perto de Você, com financiamento do BNDES, num total de cerca de R$ 100 milhões”, completa ele .

E por falar em oportunidades, o executivo reinaugurou ontem o Odeon — que completa 90 anos — , agora rebatizado de Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro. Além da programação variada com pré-estreias e mostras especiais, o espaço terá uma galeria de arte e uma loja da Starbucks, em breve. Mas a novidade para este espaço cultural, que teve investimentos de R$ 1,5 milhão, será o preço do ingresso. Segundo o executivo, o preço da entrada será maior durante a semana — R$ 24 o bilhete inteiro — e R$ 18 nos finais de semana. O objetivo é estimular a ida ao cinema em dias em que o centro da cidade é mais vazio. Severiano Ribeiro não descarta novos espaços como o do antigo Odeon em sua carteira. Mas, comedido, justifica que, em um empreendimento com este porte, é preciso analisar a viabilidade do negócio sem pressa.

Outro exibidor de grande porte no Brasil, a rede Cinesystem tem 22 complexos espalhados por oito estados brasileiros, incluindo as inaugurações feitas este ano no Américas Shopping e no Parque Shopping Sulacap, no Rio de Janeiro. A meta da empresa é alcançar 350 salas em operação nos próximos cinco anos. O exibidor ganhou fôlego no final do ano passado, quando fechou uma parceria com o fundo Stratus, que fez um aporte de R$ 40 milhões na empresa. O fundo prevê investimentos de R$ 350 milhões em cinco anos, para apoiar o projeto de expansão.

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