Gigante chinesa de ar-condicionado ainda patina no Brasil

Líder no mercado mundial no setor, Gree ainda tem participação tímida no segmento doméstico mas investe pesado em tecnologia para conquistar cliente empresarial

Por O Dia

Rio - Um em cada três aparelhos de ar- condicionado vendidos no mundo em 2014 foi fabricado por uma companhia ainda praticamente desconhecida entre os consumidores residenciais brasileiros. Fundada em em 1991, a chinesa Gree começou como uma fábrica sem marca, com 200 empregados e uma produção anual de menos de 20 mil unidades. Terminou o primeiro trimestre deste ano com vendas líquidas de US$ 3,55 bilhões e um exército de oito mil pesquisadores — cerca de 6% da receita da empresa são investidos anualmente em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Parte dessa transformação se deu pelas mãos de Dong Mingzhu, executiva de 61 anos para quem — no fim deste século — 100% da população mundial usará ar-condicionado.

Não um aparelho tradicional, como os que conhecemos hoje, deixa claro Dong, CEO da Gree desde 2004 e presidente do conselho de administração da empresa. “A preocupação com o meio ambiente é mundial e, como somos líderes em vendas no mercado global de ar-condicionado, sempre pensamos em desenvolver um aparelho que usa energia e não consome”, disse Dong ao Brasil Econômico, referindo-se à tecnologia de ar-condicionados fotovoltaicos recém-lançada no país. Voltados para atender a demanda de centros comerciais, hotéis, frigoríficos e outros estabelecimentos comerciais de grande porte, os dois modelos disponíveis no país aproveitam a energia solar com o objetivo de proporcionar consumo zero aos usuários.

No Brasil, a Gree ocupava no ano passado um modesto 17º lugar no mercado doméstico (excluindo os sistemas de ar condicionado industriais), segundo dados da consultoria britânica Euromonitor. Tinha apenas 0,8% de market share, contra 1,1% em 2009. No cenário internacional, a chinesa expandiu sua participação de mercado de 5,7% para 7,4% no segmento residencial entre 2009 e 2014, de acordo com a Euromonitor. Mesmo assim continuou na segunda colocação do ranking, atrás do Midea Group — outro peso pesado chinês que detinha 9% das vendas de ar-condicionados no varejo no ano passado. Somadas as linhas industriais e residenciais, a Gree é líder. “No ano passado, vendemos 50 milhões de condicionadores de ar, de um mercado total de 130 milhões de aparelhos”, afirmou Ronald Wang, vice-diretor geral da Gree do Brasil.

Com produtos à venda em mais de 200 países, a Gree inaugurou em 2001 uma fábrica no país, que gerou até hoje R$ 2,5 bilhões em faturamento, dos quais cerca de R$ 1 bilhão foram transformados em contribuições e investimentos em P&D. “Anualmente, 6% da nossa receita são investidos em pesquisa e desenvolvimento”, afirmou Ronald Wang, destacando que este é um percentual elevado dentro da indústria de eletrodomésticos. Em 2015, foram criadas até agora 11 novas patentes por dia. Essa inovações se somam às cerca de 14 mil patentes já desenvolvidas pelos oito mil pesquisadores da Gree, em 600 laboratórios ao redor do mundo. Só o desenvolvimento da tecnologia de ar-condicionado fotovoltaico consumiu dois anos de pesquisas e resultou em cem novas patentes.

Perguntada sobre quais as tecnologias mais promissoras no mercado de refrigeração, Dong preferiu ser evasiva: “Apesar de sermos a empresa número um, melhorar o ar-condicionado, introduzir inovações, é uma forma de manter o mercado sempre aberto para nós”, respondeu, com um sorriso cordial, a executiva eleita em 2005 uma das mulheres mais poderosas do mundo dos negócios pela revista “Fortune.”

Dados de uma pesquisa publicada na revista da Academia Americana de Ciências (PNAS), realizada por pesquisadores da Universidade da Califórnia, estimam que o uso do ar-condicionado saltará do patamar atual de 13% da população mundial para 70% em 2100. Dong é mais otimista: “Teremos 100% dos lares com ar-condicionado”, afirmou. Na Gree desde sua fundação, a executiva — que estudou estatística e trabalhou durante 15 anos num instituto de pesquisa — não descarta a instalação de uma segunda fábrica no Brasil. “Se a Gree se tornar ainda mais popular no país, é muito provável que tenhamos uma nova fábrica no país”, disse Dong Mingzhu, que no fim de março anunciou o lançamento do primeiro smartphone da Gree num prazo de seis meses.

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