Spotify investe em ações para conquistar usuários e atrair anunciantes

Serviço de música via streaming aprimora oferta de conteúdos e de formatos de publicidade para consolidar modelo de streaming no país

Por O Dia

Um ano após estrear no mercado brasileiro, o Spotify — serviço de música via streaming — já contabiliza números que impressionam. Nesse período, os usuários locais ouviram 3,8 bilhões de músicas e criaram mais de 11 milhões de playlists na plataforma. Apesar dos números favoráveis, a companhia sueca sabe que tem um longo caminho pela frente para que esse modelo mais recente de consumo de música se consolide no país. E, afinada com a estratégia global, a operação brasileira está investindo em uma série de ações para conquistar e reter usuários por mais tempo no serviço, e, por consequência, ter maior poder de barganha na atração de anunciantes.

“O Brasil já está entre os três países que mais crescem na operação global. Mas ainda estamos apenas no começo. Nosso principal competidor continua sendo a pirataria”, diz Gustavo Diament, diretor geral do Spotify para a América Latina. O executivo ressalta, porém, que a faixa etária de 18 a 34 anos já responde por 70% dos usuários no país. “Grande parte dessas pessoas cresceu acostumada a não pagar para ouvir música, o que mostra que estamos no caminho certo. A transição para esse modelo não acontece da noite para o dia”, afirma.

O modelo de negócios do Spotify é baseado em dois formatos. No primeiro deles, o acesso é gratuito, com veiculação de publicidade. Na outra ponta, a plataforma conta com assinaturas — no valor mensal de R$ 14,90 —, sem publicidade e com recursos como a possibilidade de ouvir qualquer faixa off-line. Diament não revela números de usuários no Brasil. No mundo, a base é de 60 milhões de usuários ativos, dos quais, 15 milhões pagam pelo serviço. Para marcar o primeiro ano de operação no Brasil e estimular a experimentação do serviço, o Spotify está oferecendo os três primeiros meses de assinatura por um valor mensal de R$ 1,99.
Uma série de novos recursos apresentados globalmente na semana passada indicam os próximos passos do Spotify. O serviço passou a incluir formatos como vídeos e podcasts, por meio de parcerias com empresas como BBC, ESPN, e NBC. As novidades estão disponíveis nos Estados Unidos, no Reino Unido, Alemanha e Suécia. “A empresa tem uma estratégia agressiva de lançamento em 20 países, incluindo o Brasil, mas ainda não temos uma data definida para que isso aconteça”, diz Diament.

Na visão de analistas, a guinada do Spotify coloca o serviço em concorrência direta com rivais como o YouTube, do Google, e é uma preparação para a competição mais intensa no setor, sob os rumores de que a Apple irá lançar um serviço de streaming de música, após a compra da Beats, por US$ 3 bilhões, há exatamente um ano. “Mais que uma resposta, é uma evolução natural da plataforma e está muito mais relacionada à nossa tentativa de acompanhar a forma como nossos usuários têm consumido conteúdo”, diz Thiago Pagliuso, diretor de vendas do Spotify no Brasil.

Nessa trilha, o Spotify tem investido cada vez mais em playlists que se relacionam a todos os momentos do dia a dia de quem acessa o serviço. Há opções, por exemplo, de listas para ouvir na academia, na manhã de uma segunda-feira e no trabalho. Além de se adequar ao contexto do usuário, a ideia é dar aos anunciantes uma oportunidade de entregar anúncios mais personalizados. “Essa mensagem contextualizada traz maior poder de engajamento para a marca”, afirma Pagliuso. “Nós selecionamos 11 grupos de segmentação e, a partir de junho, vamos começar a trabalhar essa proposta com as marcas”, conta.

O Spotify também está investindo em anúncios em vídeo. Nos desktops, os vídeos são exibidos apenas quando o usuário está com o serviço aberto na tela. Já nos dispositivos móveis, ele tem a opção de assistir a um vídeo de um anunciante e usar o serviço nos trinta minutos seguintes sem a inserção de publicidade. “Em 85% dos casos, os usuários escolhem essa alternativa. É uma forma de preservar a experiência e, ao mesmo tempo, aprimorar a oferta para os anunciantes”, conta Pagliuso. Segundo o executivo, Ford, FGV, Kroton e Microsoft são algumas das marcas que estão investindo nesse formato.

O Spotify vem buscando ainda acordos para divulgar o serviço. Uma ação em curso é a parceria com o programa “Superstars”, da Rede Globo. Além da plataforma embarcada no site e no aplicativo da atração, o Spotify promove interações no Twitter, durante o programa. “Queremos criar uma relação autêntica, real e pessoal com a nossa audiência”, diz Carolina Baracat, diretora de Marketing do Spotify para a América Latina, que destaca ainda os acordos com gravadoras e distribuidoras para ampliar a oferta de artistas locais.
Ainda nessa frente, o Spotify programa para o segundo semestre as duas primeiras edições do concurso Emerge, que vai identificar os 10 principais novos artistas na plataforma. A empresa já trabalha na venda do patrocínio para a ação.

Últimas de _legado_Notícia