Por monica.lima

Rio - Com 13 shoppings no portfólio, sendo 11 em funcionamento e dois em fase de obras, a Saphyr Shopping Centers — criada pelo empresário Paulo Stewart em 2002, após a sua saída da Ecisa, empreendedora e gestora de shopping centers de sua família —, vem investindo no conceito de shopping como entretenimento e cultura. Tanto assim que é com este perfil que foi desenhado a nova identidade do Fashion Mall, em São Conrado, na zona Sul carioca, e do futuro Bossa Nova, interligado ao aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio.

“Estou há 31 anos na indústria de shoppings centers e muita coisa mudou desde então. Para fazermos o que estávamos decididos a fazer, buscamos parcerias e fechamos uma joint venture com a Hemisfério Sul Investimentos (HSI), com investimento inicial de R$ 840 milhões, e a previsão de construção de cinco novos shoppings em até quatro anos”, detalha ele.

Além do Bossa Nova, no Rio, o shopping Cosmopolitano, em São Paulo, em uma parceria com a divisão imobiliária do grupo Carrefour, o Carrefour Property, são algumas das iniciativas.  Desde a criação da joint venture Saphyr/HSI em 2012, são 13 shoppings no portifólio. O Bossa Nova ficará pronto no segundo semestre desse ano, com investimentos de R$ 240 milhões e o Cosmopolitan, em 2017.

“No caso do Bossa Nova, tivemos uma concessão do espaço onde funcionava a Varig, logo atrás do aeroporto Santos Dumont. Neste empreendimento, temos como parceiro Guilherme Paulus, com a empresa dele, a GJP. Ele vai operar um hotel quatro estrelas com 300 apartamentos e um centro de convenções, e nós vamos cuidar do shopping e dos escritórios”, diz ele.

Stewart explica que o principal conceito do shopping é ser um hub de entretenimento durante a semana e nos finais de semana, com eventos musicais, exposições e restaurantes. Mas que terá um mix de 50 lojas, com marcas como Forever 21, em uma unidade de 1.300 metros quadrados, Crawford, Le Lis Blanc, entre outras.

“O foco do Bossa Nova é o entretenimento, a gastronomia. Vamos ter uma filial do Galli, restaurante da família Mocelin, ex-dona do Porcão, além de uma outra operação gastronômica com estilo asiático que ainda precisa ser mantida em sigilo. Uma loja da boulangerie Guerin também será aberta. O terraço será usado para happy hours e apresentações musicais. Vamos fazer parcerias com a cena cultural da região, que é farta. O luxo do shopping, que também terá excelentes operações de varejo de moda, será o entretenimento”, afirma.

Ao falar de luxo, o executivo cita as mudanças no Fashion Mall, que está sendo reformado pela Saphyr por R$ 25 milhões, como um dos exemplos do que ele acredita para o setor. “Vamos ser um shopping onde o luxo estará na atitude e não na grife da bolsa. Com paisagismo, serviços de excelência e, claro, lojas exclusivas também. Mas não queremos um shopping com grandes marcas permanentemente vazio”, acrescenta ele.

Já com o Cosmopolitano Shopping, o caminho será de serviços ligados ao bem-estar, com espaços para ioga, tai-chi e meditação.

Ele segue atento a oportunidades de aquisições mas não tem interesse por shoppings em cidades menores ou do interior. “Meu foco está em mercados maduros e esse é um momento de oportunidades, já que a crise atual vai levar o setor a movimentações. Temos um mercado pulverizado.”

Novas tendências para a indústria de shopping center

Luiz Alberto Marinho, sócio diretor da GS&BW e que esteve na última edição do RECon 2015, em Las Vegas (EUA), realizado pelo Conselho Internacional de Shopping Centers, diz que o caminho do setor é o de atrair mais jovens, com ambientes mais atraentes que ofereçam opções culturais, de lazer, entretenimento e conveniência.

“Hoje, 37% das pessoas vão ao shopping no Brasil apenas para fazer compras. A pesquisa Envision 2020, que definiu tendências que vão impactar a indústria dos centros comerciais ao longo dos próximos cinco anos, tem muitos exemplos que podem chegar rápido ao mercado brasileiro, ainda que não sejamos consolidados como no mercado americano. Um deles é o entretenimento e a cultura”, comenta Marinho.

Outro ponto, diz ele, é a conversão do varejo online com o varejo físico, trazendo o mundo digital para dentro das lojas, para que elas sejam pontos de retirada de compras feitas online. O outro caminho está no uso do shopping como centro de distribuição.

“Também é preciso pensar na conversão do shopping com o conceito de vizinhança, que terá como recheio mais serviço, entretenimento e gastronomia, com base das preferências de quem vive ou trabalha em seu entorno”, destaca o especialista, que vai apresentar o estudo hoje, no Rio.

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