Airbnb avança sem resistência no mercado

Plataforma online de hospedagem alternativa já conta com 80 mil leitos na cidade do Rio de Janeiro, quase o mesmo número disponível em hotéis tradicionais. Indústria tenta reverter a situação com ações no campo político

Por O Dia

Rio - Quatro anos após a chegada ao país da Airbnb, a indústria hoteleira reage ainda timidamente à concorrência movida pela plataforma online de hospedagem alternativa. Na cidade do Rio de Janeiro, principal destino turístico de lazer do Brasil, o número de leitos oferecidos pela pontocom — cerca de 80 mil — já é quase o mesmo da rede hoteleira tradicional. Apesar de acompanhar de perto a expansão da oferta de hospedagem alternativa no país, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH)adotou uma estratégia de convencimento político, principalmente junto às prefeituras, em vez de recorrer à Justiça.

“É um problema que temos que combater no início, matar no ninho”, diz Enrico Fermi Torquato Fontes, presidente da ABIH Nacional. A orientação da entidade às associações estaduais e regionais tem sido no sentido de fazer denúncias pontuais contra os proprietários de imóveis que oferecem hospedagem via Airbnb, conta Fontes. Nada disso impediu a Airbnb de fechar parceria com o Comitê Olímpico Rio 2016, anunciada em março, para ser a fornecedora oficial de hospedagem alternativa do evento esportivo internacional. “É um modelo altamente predador. Não emprega de forma legalizada nem recolhe ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza)”, critica Fontes.

Menos contundente, o presidente da ABIH do Rio de Janeiro, Alfredo Lopes, não vê o Airbnb como ameaça e acredita que o próprio mercado vai se regular. “Vender gelo no deserto é fácil”, desdenha o executivo, referindo-se à provável escassez de hospedagem durante os Jogos Olímpicos de 2016. Atualmente, a taxa de ocupação da rede hoteleira na cidade ronda a casa dos 85%. De acordo com a agência de promoção de investimentos Rio Negócios, o município conta com 34,5 mil quartos em operação. “Cada quarto tem em média 2,5 leitos”, esclarece Lopes. Com base nessa estimativa, o número de leitos no Rio chegaria a 86,2 mil. Em 2011, eram 67,5 mil segundo a Pesquisa de Serviços de Hospedagem feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa da ABIH-RJ é de que o Rio termine este ano com cerca de 44 mil quartos.

Já o Airbnb tinha pouco mais de 800 anúncios com opções de hospedagem na capital fluminense no início de 2012. Antes da Copa de 2014, esse total havia subido para mais de 12 mil e hoje está em 20 mil — metade do total de anúncios da Airbnb no Brasil. A empresa calcula que cada anúncio equivale, em média, a quatro leitos, o que significaria um total de 80 mil leitos espalhados pela cidade. “Será que estamos roubando turistas das redes tradicionais de hotéis? Não. Nosso cliente típico é diferente”, argumenta Christian Gessner, diretor geral do Airbnb no Brasil. O usuário típico do Airbnb — diz o executivo — não se hospeda nos bairros mais centrais, próximos das atrações turísticas. No Rio de Janeiro, as opções de hospedagem alternativa disponíveis no Airbnb estão espalhadas por 80 bairros. Estudos da pontocom indicam ainda que esses turistas permanecem mais tempo na cidade, na comparação com aqueles hospedados em hotéis tradicionais. Pelo menos em teoria, isso representa mais gastos dos visitantes. “Nos últimos anos, desde que o Airbnb se instalou no país, a indústria hoteleira conseguiu resultados recordes”, sustenta Gessner.

Com a desaceleração econômica e a queda na renda no país, o setor de turismo já enfrenta retração, o que tende a acirrar a concorrência, inclusive com a Airbnb. “Em Recife, a taxa de ocupação, que era de 85% devido à força do turismo de negócios, caiu para 45%”, adverte Enrico Fermi, da ABIH Nacional. A associação tenta no fronte político alterar a regulamentação vigente e, com isso, conter a expansão do Airbnb. Procurada para comentar as vantagens e desvantagens (inclusive em termos tributários) da expansão da Airbnb no município, a Empresa de Turismo do Rio de Janeiro (Riotur) optou por não se manifestar.

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