Na volta ao país, Dunkin’Donuts aposta em cafeterias

Rede vai além das rosquinhas e investe novo modelo de negócio, com masterfranqueados regionais, e cardápio com sanduíches

Por O Dia

Rio - Depois de uma década fora do mercado brasileiro, a americana Dunkin’Donuts — uma das marcas da holding Dunkin’Brands — volta ao Brasil com mudanças estratégicas que passam da troca de um operador nacional, como aconteceu na experiência passada, para masterfranqueados regionais.

Um deles, o Grupo OLH — criado em 2004 e que foi responsável por levar as franquias da Subway para o Centro-Oeste — já deu o pontapé inicial, com a abertura de duas lojas em Brasília. A meta são 65 unidades em toda a região em cinco anos. Os executivos da Dunkin’Donuts estão agora procurando masterfranqueados no eixo Rio-São Paulo para inaugurar outras 50 unidades no mesmo período. Fundada em 1950, a Dunkin’ Donuts tem sede em Canton, Massachusetts (EUA) e tem 11.300 restaurantes distribuídos em 36 países.

Jeremy Vitaro, vice-presidente e responsável pela área de Desenvolvimento Internacional da marca, afirma que, em sua retomada, a rede vai destacar seu posicionamento de não ser uma doceria e, sim, uma cafeteria. E que as experiências do passado fizeram a companhia repensar sua forma de atuação no país.

“Nós saímos do mercado brasileiro em parte porque não tínhamos uma infraestrutura regional adequada para crescer e expandir no país. Aprendemos muito desde então, construímos uma cadeia regional, crescendo nossa presença na América Latina, onde temos 350 restaurantes Dunkin’Donuts. Desde que saímos do Brasil, temos melhorado a nossa abordagem, incluindo a seleção de parceiros e o design das lojas. Agora, também temos um foco maior no menu de bebidas e lanches durante todo o dia, e melhora de itens do menu”, detalha Vitaro.

A informação de Vitaro é confirmada por Lyana Bittencourt, diretora de Marketing e Desenvolvimento do Grupo Bittencourt, responsável pela formatação das franquias Dunkin’Donuts no Brasil.

“A decisão de não mais funcionar como um operador nacional, como aconteceu em sua primeira vinda para o Brasil, optando por parceiros regionais, está entre os passos mais importantes da empresa em sua retomada. Hoje, as empresas precisam conhecer melhor o mercado e suas nuances regionais. A segunda grande mudança é de não ser mais reconhecida como uma loja de doces e, sim, uma cafeteria. Hoje, os donuts representam menos de 50% do mix de produtos da marca”, comenta Lyana.

Vitaro também comentou que o foco da empresa é crescer “de forma disciplinada” para garantir o desenvolvimento de redes de franqueados que tragam também rentabilidade no Brasil.

“Estamos lidando com a nossa reentrada brasileira com a máxima dedicação em todas as áreas, incluindo a imagem da loja, seleção dos franqueados, escolha do local e serviço ao cliente. Iremos crescer de uma forma disciplinada com múltiplos parceiros de franquia, para garantir o desenvolvimento de redes de franqueados que tragam rentabilidade. Nós também estamos confiantes em nossa seleção do Grupo OLH para ser o nosso franqueado para Brasília e Goiás, pois eles têm um histórico comprovado de sucesso na indústria de restaurantes de serviço rápido local”, destaca.

A adaptação do cardápio ao gosto do brasileiro também é parte das mudanças da empresa em seu projeto de reentrada no mercado. Vitaro afirma que, além dos produtos que são o carro-chefe da marca, sabores bem brasileiros estarão no cardápio.

“Sempre que entramos em um novo mercado, nosso objetivo é oferecer uma ampla gama de ofertas de produtos do nosso menu principal, como o Dunkin’ Donuts Original Blend Coffee, bebidas à base de café, donuts e sanduíches, juntamente com itens de menu regionais que atendem ao gosto local. Na América Latina, por exemplo, oferecemos produtos regionais, como Donuts de doce de leite em alguns países, e itens de menu mais específicos de cada país, como o Iced Chicha Coolatta no Peru, que usa o milho roxo local. No Brasil, o menu incluirá produtos inspirados em sabores locais, incluindo doce de leite, maracujá e coco”, comenta, acrescentando que a maior parte dos ingredientes que serão utilizados nos restaurantes brasileiros são de origem brasileira. Itens específicos, como alguns ingredientes e embalagens, serão sempre importados.

No que diz respeito à fabricação, diz ele, alguns restaurantes Dunkin’ Donuts tem padeiros nas instalações, enquanto outros preparam rosquinhas em cozinhas centralizadas, e alguns servem donuts que foram elaborados, utilizando a receita da marca, que é congelada e entregues aos restaurantes, onde são assados e finalizados à mão.

Apesar de ser conhecida por ter um cardápio mais calórico, Vitaro garante que o cardápio tem opções que atendem às necessidades de todos os perfis de clientes.

“Nos EUA, como em outros países, oferecemos uma grande variedade de itens de menu para se adaptar a qualquer estilo de vida, incluindo as opções ‘melhor-para-você’, no menu DDSmart. Agora, também temos um foco maior sobre menu de bebidas e lanches durante todo o dia. Nós acreditamos fortemente em um equilíbrio saudável entre guloseimas e melhores opções para os nossos clientes”, destaca.

Além do Brasil, a Dunkin’Donuts Internacional tem trabalhado no retorno da marca em outros mercados. Com 3.600 lojas fora dos EUA, espalhadas por 36 países, a empresa retornou à Rússia em 2010. Em 2012, foram abertos os primeiros restaurantes Dunkin' Donuts na Índia e na Guatemala, e em 2013, foi a vez do Vietnã e do Reino Unido. No ano passado, anunciou planos para desenvolver mais de 1.400 restaurantes em toda a China.

A holding Dunkin’ Brands, que no primeiro trimestre desse ano registrou receita de US$ 2,3 bilhões, é dona da rede Baskin Robbins, de bolos e sorvetes, com 7,5 mil lojas em 13 países e vendas em outros 18, além dos EUA.

Segundo uma fonte, a entrada também dessa marca no Brasil vem sendo negociada. “Mas são cenas de um próximo capítulo”, diz a fonte.

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