Estácio amplia atuação em São Paulo com aquisição da Faculdade Nossa Cidade

Empresa anuncia compra por R$ 90 milhões de instituição com 8,7 mil alunos em Carapicuíba e não descarta outras operações de médio e pequeno porte este ano

Por O Dia

Rio - Com o objetivo de ampliar sua presença no mercado paulista, a Estácio Participações fechou a compra — por R$ 90 milhões — da Faculdade Nossa Cidade (FNC), instituição com sede em Carapicuíba (SP) e um total de 8,7 mil alunos matriculados. Impulsionada por um cenário favorável às aquisições, principalmente de pequenas e médias instituições de ensino superior, a companhia avalia outras oportunidades no mercado, o que pode significar novas operações ainda este ano, ressalta Virgilio Gibbon, diretor financeiro da Estácio.

“O mercado deu uma congelada no primeiro trimestre, por causa das mudanças no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil)”, diz o executivo, referindo-se ao contrato assinado na segunda-feira com a mantenedora da FNC e que vinha sendo negociado desde 2014. Vigentes desde a virada do ano, as mudanças no Fies impactaram fortemente o mercado de educação superior, forçando as instituições a viabilizar novos instrumentos de financiamento para seus estudantes, além dos oferecidas pelo programa governamental. “Ao longo do segundo trimestre, identificamos oportunidades interessantes”, acrescenta Gibbon.

Pelos termos do contrato, a Estácio pagará 52% do valor total na data de fechamento do negócio — parte em dinheiro e parte por meio de assunção de dívidas. Os 48% restantes serão quitados em quatro parcelas, ao longo de 42 meses. “Com a chegada a Carapicuíba, segunda cidade mais populosa da microrregião de Osasco, próxima a importantes centros como Barueri, Cotia e Jandira, a Estácio segue firme com o seu plano de crescimento em São Paulo”, afirmou Rogério Melzi, diretor-presidente do Grupo Estácio, em nota. No mercado paulista, a empresa tinha até agora apenas quatro unidades com mil a 1.500 estudantes cada uma: Cotia, Ibiúna, Vila dos Remédios e Santo André.

A expectativa da Estácio é de que, com a FNC, seja possível alcançar parte de um público de dois milhões de clientes potenciais na região do Arco Metropolitano de São Paulo, formado majoritariamente pelas classes C e D. A Faculdade Nossa Cidade oferece mais de 30 cursos, entre graduação, graduação tecnológica e pós-graduação. Cerca de 17% da base de alunos de graduação recebem recursos do Fies. “A faculdade tem 16,5 mil vagas já autorizadas pelo MEC (Ministério da Educação)”, destaca Gibbon. A FNC aguarda autorização do ministério para operar cinco cursos a distância em 20 polos, dos quais 18 já foram visitados e receberam avaliação positiva.

Na opinião de Ricardo Kim, analista-chefe da corretora XP Investimentos, a aquisição da FNC é marginalmente positiva para a Estácio e coerente com a estratégia já desenvolvida anteriormente. “A Estácio privilegia um crescimento inorgânico um pouco menor do que as outras empresas do setor”, resume Kim. “Levando em consideração o total de alunos, tanto no ensino a distância como no presencial, a FNC representa um acréscimo de menos de 2% à base da Estácio.”

Os planos de expansão geográfica da Estácio incluem presença física nas cem a 120 cidades brasileiras mais relevantes do ponto de vista populacional e econômico. Atualmente, a companhia atua presencialmente num total entre 50 e 60 centros urbanos. “São Paulo continua a ser um alvo onde queremos ter share (participação). Mas a Estácio gosta de oportunidades no Norte e no Nordeste”, indica o CFO da companhia.

Em maio deste ano, das 63 operações de fusões e aquisições realizadas no país, somente 4% envolveram empresas do setor de educação, segundo relatório da empresa de auditoria e consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). A tendência é de que, no segundo semestre, o mercado se aqueça um pouco mais. “O mercado de educação passou o primeiro trimestre tentando perceber quais seriam a mudanças pós-Fies”, diz Christian Gamboa, sócio da PwC responsável pelas áreas de Private Equity e Educação. Para o executivo, o nível de exposição das instituições ao Fies e a capacidade de buscar outras fontes de financiamento vão ditar o ritmo das fusões e aquisições no setor. “Se as grandes empresas estão tendo que buscar alternativas ao Fies, imagine as pequenas”.

A compra da FNC pela Estácio ainda precisa ser analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica(Cade).

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