Cinema nacional marca presença em Berlim

“Que Horas Ela Volta?” foi o que teve a melhor recepção em Berlim. O filme foi aplaudido durante a sessão. Não surpreenderá se sair da capital alemã premiado

Por O Dia

O cinema brasileiro marcou importante presença no Festival Internacional de Berlim, que termina no próximo domingo. Embora não haja filmes brasileiros na mostra competitiva de longas, a presença nacional foi expressiva na mais importante mostra paralela, a Panorama, que reúne filmes do mundo inteiro. No ano passado, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro, recebeu o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema, a Fipresci, de Melhor Filme da Panorama. Este ano, são três os concorrentes que poderão receber o prêmio do público de Melhor Filme.

Sangue Azul”, de Lírio Ferreira, abriu a Mostra numa sessão bastante prestigiada. O filme venceu a mostra Première Brasil do último Festival de Cinema do Rio e, segundo o comunicado oficial de Berlim, foi selecionado por suas “magníficas imagens de conto de fada”. Diretor de “Árido Movie” e “Baile Perfumado”, Lírio é um dos expoentes do cinema pernambucano contemporâneo. Sua cinematografia é marcada por uma excelência cinematográfica em que a técnica, o virtuosismo e o rigor estético são essenciais para a formatação narrativa.

Os outros dois filmes da Panorama foram “Ausência”, de Chico Teixeira, e “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert. “Ausência”, cujo projeto de roteiro foi premiado em Berlim, mostra a dura vida de um jovem da periferia paulista que, a partir do sumiço do pai, se vê obrigado a cuidar do irmão menor e da mãe alcoólatra. Já “Que Horas Ela Volta?”, reconhecido no recente Festival de Sundance nos Estados Unidos, com os prêmios de interpretação feminina recebidos por Regina Casé e Camila Márdila, foi o que teve a melhor recepção em Berlim. Na sessão de terça-feira, na Sala 2 do Zoo Palast, à qual Brasil Econômico teve acesso, o filme chegou a ser aplaudido durante a sessão. Não surpreenderá se sair da capital alemã premiado.

Foram exibidos ainda na Mostra Forum “Brasil S/”’, de Marcelo Pedroso, e “Beira-Mar”, de Felipe Matzenbacher e Marcio Reolon. “Mar de Fogo”, curta de Joel Pizzini que remete ao clássico “Limite”, de Mario Peixoto, de 1930, concorreu ao prêmio de Melhor Curta-Metragem do Festival. Para fechar, Walter Salles Jr. exibiu na Panorama ‘Dokumente’, o documentário “Jia Zhang-ke, Um Homem de Fenyang”, dedicado ao cineasta chinês de quem o brasileiro tornou-se amigo e profundo admirador durante o Festival de Berlim de 1998, vencido pelo seu “Central do Brasil”. Na sessão da última segunda, no International Kino, à qual Brasil Econômico também teve acesso, um bom público recebeu o filme com aplausos.

A expressiva presença brasileira não decorre do acaso, é bom que se diga. Ela é resultado de um diligente trabalho que vem sendo realizado pela Ancine no sentido de promover a cinematografia brasileira sobretudo nos festivais internacionais. O departamento internacional promove exibições privadas para os curadores dos principais festivais do mundo com o objetivo de divulgar e abrir espaço para os nossos filmes. Pelo que Berlim 2015 apresentou, os resultados já começaram a aparecer. Que venham os prêmios.

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