Prêmio em Berlim abre espaço para o cinema nacional

O filme de Anna Muylaert sai de Berlim com propostas para participar de outros festivais e os direitos vendidos para oito países e o Reino Unido

Por O Dia

O cinema brasileiro marcou importante presença no 65° Festival Internacional de Cinema de Berlim, encerrado no último domingo. Mesmo sem contar com filmes na mostra competitiva, o cinema nacional marcou presença em outras mostras e ganhou dois prêmios importantes, ambos concebidos a “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muyalert.

A começar pelo disputadíssimo prêmio do Júri Popular da Mostra Panorama. Este ano foram 34 filmes de 29 países lutando pelos votos de uma plateia conhecida pelo nível de exigência, medido por aplausos nem sempre generosos. “Que Horas Ela Volta?” foi favorecido pelo boca a boca que cresceu significativamente após a primeira das quatro sessões em Berlim. Saiu vencedor e com críticas bastante elogiosas nos jornais do mundo inteiro.

“Que Horas Ela Volta” também foi considerado o melhor filme pela Cicae (Confederação Internacional de Cinemas de Arte) e pelo Júri Popular da Mostra Panorama. A Cicae reúne 3.000 representantes de salas dedicadas aos cinemas de arte, participa de 15 festivais internacionais e está associada a distribuidores de pelo menos 30 países, o que certamente irá estimular o interesse mundo afora pelo o filme brasileiro no disputadíssimo mercado internacional.

Ambos os prêmios contribuíram para pavimentar ainda mais a carreira internacional do filme de Anna Muylaert, que já havia saído de Sundance com o prêmio de Melhor Atriz, dividido entre Regina Casé e Camila Márdila. O filme, que estreia no Brasil em junho, sai de Berlim com propostas para participar de outros festivais e os direitos vendidos, para EUA, França, Luxemburgo, Bélgica, Espanha, Canadá, Reino Unido, Itália e Suíça.

O êxito de público e crítica contribuiu para atrair a atenção dos distribuidores para outros filmes exibidos na Berlinale, como foi o caso de “Ausência”, de Chico Teixeira, drama social sobre um menino da periferia de São Paulo que sofre a consequência da responsabilidade familiar a partir da ausência paterna. O filme praticamente lotou as sessões em que foi exibido e exigiu do diretor respostas de um público curioso após as projeções.

Exibido na mostra Forum, “Beira-Mar”, de Felipe Matzembacher e Marcio Reolon, foi vendido para Alemanha, Áustria e Suíça, reforçando assim o ótimo resultado comercial da passagem brasileira por Berlim. As expectativas agora se voltam para o Festival de Cannes, cujo mercado, ainda mais concorrido, promete expandir a comercialização dos nossos filmes, sobretudo para a Ásia.

2015, portanto, começa assim, com ótimas perspectivas para o cinema brasileiro de público, crítica e mercado.

Últimas de _legado_Notícia