Por diana.dantas

No último mês, Alfredo James Pacino, nova-iorquino nascido no Bronx,completou 75 anos de vida e 50 de carreira. E para comemorar nada melhor do que ver ou rever seus filmes. Egresso do famoso grupo que passou pelas aulas de Lee Strasberg, no lendário Actors Studio, do qual fizeram parte também Marlon Brando, Marilyn Monroe, Paul Newman e Robert De Niro, entre outros, Pacino entrou para a história do cinema nos anos 70 para nunca mais sair.

Filmes como a série “O Poderoso Chefão”, “Serpico”, “Um Dia de Cão”, “Justiça para Todos” e “Scarface” colaram a imagem de Pacino no imaginário do público e mostraram a incrível capacidade do ator de adotar o tal “método” de Strasberg, que consistia numa imersão radical nos personagens. “O Poderoso Chefão”, dividido em três filmes, que de certa forma antecipam a ideia hoje convencional dos seriados, é o seu trabalho melhor sucedido. Considero a cena da escadaria em que Michael Corleone segura nos braços a filha morta uma das mais maiores da história do cinema. Arrepio-me só de lembrá-la.

Mas foi com “Perfume de Gardênia”, de 1992, que Pacino ganhou o primeiro Oscar. Dirigido por Martin Brest, o filme conta a história de um militar da reserva cego (Pacino) que contrata um jovem universitário para acompanhá-lo num fim de semana em Nova Iorque. A sequência em que dança tango com a atriz Gabrielle Anwar no salão do Waldorf Astoria faz hoje parte de qualquer antologia.

Mas se o aniversariante é Pacino, quem ganha o presente somos nós, espectadores, com dois de seus últimos trabalhos em cartaz nas telas do Rio: “O Último Ato”, de Barry Levison e “Não Olhe para Trás”, de Dan Fogelman. Ambos são ótimos pretextos para Al Pacino mostrar sua plena maturidade artística. No primeiro ele vive Simon Axler, um ator em crise que decide fazer um retiro e acaba reencontrando uma jovem que o confunde ainda mais, com seu jogo de sedução. Axler é um homem que perdeu a noção do tempo, da realidade e da decrepitude. Pacino o representa de forma soturna e assombrada pelos fantasmas da memória. Bem shakesperiano.

Decadência artística também é o mote de “Não Olhe para Trás”, só que com um toque de humor, ainda que amargo, bastante afiado que o ator explora com desenvoltura. Ele interpreta Danny Collins, um ídolo do rock que vive há anos das mesmas músicas e do mesmo público. Num aniversário, recebe uma carta que John Lennon havia escrito há anos e nunca lhe fora entregue. O conteúdo faz Collins pensar em até que ponto o sucesso pode matar os ideais. Seu personagem destila carisma mas carrega no fundo uma amargura cujo desafio é ser superada dia a dia. Aqui, Al Pacino consegue ser puramente hollywoodiano e comprova sua versatilidade mesmo em papéis aparentemente tão próximos.

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