Por diana.dantas

A estreia mundial do mais recente produto da maior fábrica de animação do planeta ocorreu há menos de um mês, numa exibição para a crítica que cobria o Festival de Cannes. “Divertida Mente” foi lançado às “feras” da imprensa mundial numa sessão conhecida pelo nível de exigência e pela ausência de bom humor da plateia contaminada pelo estresse da cobertura diária de um grande evento internacional.

Mas bastou a história da pequena Riley, de 11 anos, iluminar a tela para a resistência ceder a mais divertida sessão do festival francês deste ano, intercalada por gargalhadas e consagrada por uma estrondosa salva de palmas que acompanhou até o encerramento dos créditos finais, por sinal guardiães de ótimas surpresas.

A pergunta que se seguiu entre os jornalistas foi: seria “Divertida Mente” o melhor dos 15 filmes da história da Pixar? Só o tempo responderá a questão. O cardápio da produtora é invejável e possui títulos que já se tornaram clássicos, como “Procurando Nemo”, “Toy Story” e “Ratatouille”. A única certeza é que o novo filme ratifica as melhores virtudes da Pixar, uma empresa que não se acomoda com o avanço da técnica e preserva o desenvolvimento de boas histórias.

No livro “Criatividade S.A.- Superando as Forças Invisíveis que Ficam no Caminho da Verdadeira Inspiração”, publicado no Brasil pela Rocco, Ed Catmull, presidente da Pixar Animation e da Disney Animation, diz que um dos segredos dos sucessos se deve à criação na empresa de um Banco de Cérebros. Segundo ele, os diretores na maioria das vezes estão tão entusiasmados com suas ideias que se deixam cegar por elas. Daí a criação do Banco, composto por todos os funcionários da empresa, que assistem aos filmes e fazem ponderações para melhorá-los ainda mais.

“Divertida Mente”, dirigido por Pete Docter, o mesmo de “Monsters S.A.”e “Up”, de certa forma brinca com a ideia do Banco de Cérebros. O filme se passa na cabeça de uma menina de 11 anos, habitada por cinco emoções que entram em crise quando Ripley recebe a notícia de que irá mudar de cidade. A ideia, por si só, é devastadora. Mas é o seu desenvolvimento, a partir do desequilíbrio emocional da protagonista, que a torna irresistível, sobretudo quando, após vasculhar o cérebro de Ripley, o roteiro nos convida para rápidos passeios nos cérebros alheios.

Ao transformar o inconsciente em playground infantil, “Divertida Mente” hipnotiza crianças e desafia a sisudez de pais acostumados a levar a cuca muito a sério em sessões de análise. Se é o melhor filme da Pixar ou não é uma discussão irrelevante. Mas com certeza é uma nova demonstração de criatividade contagiante, de excelência técnica aliada a um rigoroso tratamento de roteiro que não perde uma oportunidade de enriquecer a trama com boas tiradas, até nos créditos finais, e ainda abre espaço para um “Divertida Mente 2”.

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