Um atendimento perfeito... No Japão

Estou no Japão. Sou budista e vim conhecer a nova sede da Soka Gakkai Internacional (SGI), uma organização que propaga o budismo de Nitiren Daishonin e está presente em 192 países

Por O Dia

O Japão é um choque de educação. As atitudes dos japoneses mostram que educação, para este povo, ultrapassa, em muito, o conceito clássico de escolaridade acadêmica. Aqui o estudo é muito incentivado e chega para todos, igualmente. Mas, a educação deles passa também pelo cuidado com o lugar onde vivem, é ampliada na cultura, mas, principalmente, se diferencia pela atenção com o outro. O bem comum vem antes do bem individual. Por conta disso, a cidade é pensada para o bem estar das pessoas. E elas retribuem, cuidando da cidade e, quando estão trabalhando, atendendo bem a todos, com paciência, com ética, sem pensar em levar vantagem.

O atendimento ao cidadão em Tokyo é primoroso. Os guardas são treinados para encontrar soluções e tentam, de todas as formas, ajudar. O metrô é um capítulo à parte. É uma malha imensa, mas bem pensada, com lógica. Claro que eu e minha amiga ainda estamos apanhando, já saímos no local errado, pegamos uma conexão mais longa, mas, mesmo estando aqui só há três dias, conseguimos ir até outro município, tendo que trocar do metrô para o trem, sem maiores problemas. Isso porque a sinalização é boa, tudo tem tradução para o inglês e eles distribuem mapas.

Sempre tem um guarda, que mesmo falando pouco inglês, se esforça para ajudar. É uma multidão entrando e saindo das estações, no entanto não se vê nenhum papel no chão. E é um silêncio. As pessoas não conversam. Os mais jovens estão todos com a cara enfiada no celular, os mais velhos conversam um pouco mais, mas sempre baixinho, para não incomodar o outro. Muitos dormem. Não tem ambulante gritando, não tem perigo de roubo, e o trem chega rigorosamente na hora.

O estudo e a cultura estão em toda a parte em Tokyo. No domingo, fomos a uma apresentação na Universidade Soka, onde 95% dos três mil alunos são praticantes do budismo de Nitiren Daishonin. A universidade é linda, com prédios enormes, incrustados em um parque muito bem cuidado. O que me espantou, desde a hora que chegamos à estação, ainda cedo, pela manhã, foi a quantidade de jovens se reunindo para fazer alguma atividade. Tinha um grupo indo para um museu, outro era de vôlei. Muitas pessoas, de idades variadas, carregavam instrumentos musicais no metrô e nas ruas. Na Universidade Soka, os alunos iam chegando, para os jogos de futebol americano, para reuniões de estudo, para apresentações, num vai e vem constante no pátio do supermercado, ponto de passagem de todos. Um programa pouco comum no Ocidente para um domingo sem chuva e no verão.

Nestes três dias comprei coisas em supermercados, em lojas de souvenir, em lojas de conveniência e comi em restaurantes. O atendimento sempre é cordial, e eles se esforçam para nos entender. Mas a maior surpresa eu tive foi quando gastei um pouco mais em uma loja de souvenir e na hora que estavam embrulhando minha compra, o vendedor me deu um presentinho, um brinde. Uma atitude que me levou a pensar na loja com carinho, caso eu precise comprar mais lembranças. E o cuidado do vendedor de jornais que o coloca em um saco plástico porque está chovendo e ele não quer que seu cliente chegue em casa com o jornal molhado e não possa desfrutar de sua aquisição. Para eles, o importante não é só vender, se livrar da mercadoria, mas saber que seu cliente ficou satisfeito. O foco é pensar na pessoa, no bem estar do outro.

Não há carros estacionados nas laterais das ruas, só em estacionamentos. As calçadas são largas e as pessoas andam, muito, de bicicleta pelas calçadas, mas ninguém buzina. Há muito pouco carro nas ruas, comparado com a quantidade de pessoas. O trânsito é sempre tranquilo, mesmo na hora do rush. Bem, nessa hora, o metrô é que fica entupido de gente. Andar no contrafluxo, como foi o nosso caso, é meio assustador. Mas é tudo organizado, tem um lado da escada para subir, um lado para descer, e na escada rolante, um lado livre para quem está atrasado.

Há banheiros públicos até nos parques, em boa conservação. Uma ideia muito interessante é que alguns banheiros femininos têm, dentro da cabine, uma cadeirinha para colocar o bebê. Levei dois dias para ver o primeiro cachorro. E ainda não vi nenhum até agora fazendo suas necessidades e nem os donos catando nada. Não sei como eles conseguem este nível de organização, que inclui o treinamento do cachorro.

As ruas são limpíssimas e não têm muitas lixeiras não, o povo simplesmente não joga nada na rua. Não sujam a cidade onde vivem. Reciclam tudo, o lixo é totalmente separado, com mais de cinco divisões.

Quando se conhece uma realidade como esta, percebemos que ser do primeiro mundo não é uma questão só do tamanho do PIB, é muito mais uma questão de qualidade de vida. Aproveitando o momento, aí vai um recado para os políticos: a gente quer isso, qualidade de vida, que o foco do governo seja no bem estar das pessoas, que dê prioridade à educação, um transporte eficiente, saúde pública decente e segurança. É chegada a hora de parar de garantir o retorno só para os que bancam as campanhas e começar a dar retorno para quem banca a votação, combinado?

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