Por douglas.nunes

No dicionário, a definição de líder é: pessoa com autoridade e carisma para comandar outras; ou que, por seu prestígio e influência, comanda, orienta, incentiva outras em suas atividades. Empresa ou produto que se destaca em seu setor. Ou seja, lendo assim, a compreensão que temos é que os líderes são propagadores de bons exemplos, de boa influência. Mas não é bem isso que constatamos quando olhamos o comportamento de empresas líderes na área de consumo. Nestas últimas semanas presenciei dois exemplos de empresas líderes de mercado, mas que se utilizam de enganação, pior, de má-fé, nas vendas, para se manter na liderança.

O primeiro exemplo aconteceu numa loja de colchão, a rede mais conhecida. Meu genro e minha filha foram comprar um colchão e, antes, fizeram uma pesquisa de preços, e consultaram o site da fábrica. Munidos destas informações foram para o shopping e negociaram o preço, o que já é uma odisseia. Durante todo o tempo o casal dizia que queria a cama Queen e o vendedor dizia que tinha entendido. Na nota fiscal, veio o tamanho da cama, mas não estava escrito Queen. O casal ainda perguntou se o tamanho descrito na nota era da cama Queen e o vendedor confirmou.

Bem, entregaram uma cama no tamanho casal comum. Fomos reclamar na loja, o vendedor não estava e o gerente disse que foi entregue o que foi comprado, conforme estava na nota. Pulei alto e disse que isso era má-fé, pois o consumidor não era obrigado a saber o tamanho da cama Queen, mas o vendedor sim. O gerente ainda disse que o vendedor vendeu certo porque aquele valor era de uma cama normal. Meu genro falou das pesquisas, da negociação, mas o gerente não cedeu, não aceitava entregar a cama Queen pelo valor que tinha sido vendido. Então o negócio foi desfeito e o gerente ainda queria que meu genro pagasse o frete.

O modus operandi desta marca é a enganação. Primeiro você chega na loja está todo mundo vestido com jaleco de médicos, como se eles fossem profissionais da saúde. Acho que isso devia ser proibido. Se é proibido se passar por profissionais da saúde nos anúncios, segundo o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitário, deveria ser proibido trabalhar com esta indumentária nas lojas. Leva a crer que eles entendem da área da saúde, o que não é verdade, são apenas vendedores que, no máximo, decoraram as especificações do produto.
Bom, depois que você entra, eles te bombardeiam com uma série de descontos e promoções. A loja vive em promoção. Eles te sentam na mesa, pegam a máquina calculadora e disparam tantas contas que é impossível acompanhar. É preciso pedir para parar, refazer as contas e ver se tem alguma vantagem mesmo. Isso porque eles partem de um valor de fábrica que é irreal, tipo o preço de fábrica é R$ 5 mil, mas o preço de mercado, que o vendedor pode dar o “desconto”, é de R$ 3 mil.

E a terceira pegadinha é que no meio desta negociação, eles são bonzinhos e te oferecem de graça travesseiros ou protetor de colchão. Da primeira vez, quando eu comprei o meu colchão, eles deram dois travesseiros, que não foram entregues. Mas como estava escrito na nota, reclamei, coloquei carta no jornal e recebi. Da outra vez, comprei um outro colchão para mim e minha filha comprou um para ela. Deram um protetor de colchão para minha filha, que, novamente, não foi entregue. Só que, não prestamos atenção, a vendedora não escreveu na nota, e desistimos de reclamar pelo brinde. Com prova já é difícil brigar, imagina sem.

Estas compras foram feitas com anos de diferença entre uma e outra e o comportamento da empresa foi o mesmo em todas as vezes, mesmo em lojas em bairros diferentes. É a prática mesmo da empresa. Tem que tomar muito cuidado, não dá para confiar. O fim da novela do meu genro foi que, depois de um mês que a compra foi desfeita, a loja devolveu o valor pago, à vista, depositando em cheque. Resta saber se vai ser compensado sem problema. Se não for, eu conto aqui.

O segundo exemplo aconteceu recentemente com o maior banco do país, em Teresópolis. A cuidadora da minha tia foi buscar, na boca do caixa, a pensão de aposentadoria. A caixa perguntou: vai levar tudo? Ela perguntou quanto tinha, e estranhou o valor alto que a caixa deu. Perguntou, então, se o INSS tinha depositado a metade do décimo terceiro. A moça da caixa confirmou. Ela tirou o dinheiro, mas foi para casa encafifada com o assunto. Comentou com o filho. Eles foram ao banco, pegaram o extrato e verificaram que o valor depositado pelo INSS era menor do que a quantia que a caixa tinha entregue. Foram perguntar e a caixa disse que era um empréstimo que ela tinha tirado.

Nervosa, ela foi falar com o gerente que não tinha assinado nenhum empréstimo. Voltou em casa pegou o dinheiro, devolveu a ele e pediu que o gerente lhe desse um papel garantindo que ela não teria desconto na pensão. Depois, ela soube de outros conhecidos dela que pegaram todo o dinheiro, gastaram e acabaram contraindo um empréstimo, sem saber.
Não sei o que leva o banco a agir assim. A meta da agência? A oportunidade de aproveitar que o spread está maior? O governo reduziu a taxa de captação de recursos, para os bancos emprestarem mais, porém, as taxas de juros para o consumidor não diminuíram, e a inadimplência está alta, portanto, os bancos estão ganhando mais. Hora de emprestar.
Mas, precisa disso? São líderes, deviam dar o melhor exemplo. Para ser líder de um setor, as empresas deveriam ter de apresentar outros índices, que não fosse apenas o aumento do lucro. Por exemplo, o aumento da boa-fé.

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