Mudança de hábitos

É claro que precisamos dos governos federal, estadual e municipal para a implementação de políticas públicas, mas precisamos começar a pensar e a agir sem a dependência do governo

Por O Dia

Uma das coisas mais difíceis é mudar hábitos. Viciar nos errados é fácil e comum, mas optar pelos saudáveis e que beneficiam a todos, é muito mais complicado. No entanto, os bons efeitos surgem a médio prazo e a experiência vale a pena! Isso acontece quando paramos de fumar, quando passamos a fazer exercícios físicos, a comer menos gordura, sal e açúcar, a nos dedicar voluntariamente a ajudar em uma causa social, enfim quando mudamos o curso da nossa energia. Na nossa vida de consumidor também é difícil mudar hábitos como economizar água e energia, diminuir a quantidade de embalagens dos produtos, separar o lixo seco, não jogar nenhum lixo fora da lixeira, não comprar por impulso. Desejo, que em 2015, todos tenham força de vontade, energia e perseverança para mudar maus hábitos. Isso faz uma revolução interna, pois nos dá confiança, e melhora o mundo.

O ano de 2015 promete ser um ano duro, de cortes de gastos, de dólar alto, de pouco investimento estrangeiro, de muito trabalho, de investimento em estudos para não se perder emprego e para batalhar por melhores colocações. No nosso dia a dia, estamos verificando aumentos em todas as áreas. Os combustíveis devem aumentar. Medicamentos, escolas e alimentação já subiram. No Rio, o reajuste anual na energia será de 17,75%, além do aumento mensal pelas bandas tarifárias, que, com tão pouca chuva, passou o ano passado praticamente todo nas bandas amarelas e vermelhas. A banda amarela vai acrescentar R$ 1,50 a cada 100kWh (quilowatt-hora), e a vermelha, subirá R$ 3 a cada 100 kWh. Esta cobrança começa em janeiro, e vamos iniciar o ano pagando, a mais, de 3% a 8%.

Rezar para chover ajuda, mas tem que direcionar bem a oração, porque não pode chover muito e nem no lugar errado. Só pode chover na cabeceira dos rios. Chuvas torrenciais, que alagam e levam tudo, só piora a pobreza, pois os que vivem em áreas carentes são sempre os mais afetados. Melhor não contar só com a reza.

O governo precisa pensar em formas de incentivar o uso de energia solar e eólica nas residências, nas fábricas, em prédios comerciais e residenciais, e em condomínios. Como o governo não quer parar de incentivar a venda de automóveis, que então invista no carro elétrico. E os governos municipais poderiam incentivar o uso da bicicleta criando mais espaço para ciclovias.

É preciso mudar hábitos para que tudo mude no entorno. Se o lixo for recolhido com mais frequência nas áreas carentes, se os próprios moradores não jogarem tanto lixo nos rios, com o tempo seria possível diminuir o assoreamento já existente. Se cada pessoa não jogasse nenhum lixo nas ruas, dependeríamos de menos garis, que poderiam ser deslocados para atendimento em áreas mais carentes. Por outro lado, os governos precisam acelerar seus projetos de fazer, dos lixões, um meio de geração de energia.

A educação para cuidarmos melhor do nosso lixo deve ser dada nas escolas, nas associações de moradores, em cursos para porteiros e zeladores. Enfim, se cada um fizer sua parte, a gente consegue diminuir os estragos das chuvas torrenciais. E, em nossa casa, podemos evitar usar sacolas plásticas, separar o lixo seco, pedir menos embalagens no varejo, tirar todos os aparelhos eletrônicos do modo ‘stand by’.

Ao mesmo tempo, temos que começar a economizar água. O primeiro passo é não desperdiçar com lavagem de calçadas, carros e jardins. Uma boa vassoura e pano molhado faz muito bem estes serviços. Com o calor forte, há a tendência de se usar mais água. Só que as chuvas estão escasseando justamente na época mais quente, quando elas deveriam estar mais presentes. E o derretimento da calota polar do Ártico, com o aquecimento global, não é solução para a falta de água. E por outro lado, o uso de tecnologia para limpar a água de esgoto ou dessalinizar a água do mar é caro, muito caro.

Aliás, um efeito perverso da falta de chuva é o ressecamento dos pastos, o que e encarece a criação do gado, aumentando o preço da carne, do leite e de seus derivados. Uma solução caseira é evitarmos comer carne vermelha. Teríamos, inclusive, uma alimentação mais saudável.

O governo brasileiro tem que começar a tomar medidas claras contra as mudanças climáticas. O relatório divulgado esta semana pelas ONGs Germanwatch e Climate Action Network Europe, revela que o Brasil caiu 14 posições, entre as 58 nações avaliadas por suas políticas públicas contra mudanças climáticas. Em 2007 estávamos entre os dez melhores, hoje estamos no grupo dos muito ruins, atrás da China e dos Estados Unidos, os maiores poluidores do mundo. Uma vergonha para o povo brasileiro. E uma preocupação enorme: que país estamos deixando para os nossos filhos e netos?

Não podemos contar com o Congresso, que só pensa em aumentar gastos e em não perder privilégios. Nossos políticos são os que mais atrapalham o crescimento do Brasil. Hoje, contamos com técnicos de boa fé nos ministérios e com a Polícia Federal. Espero que, pelo menos, todas estas prisões diminuam o ímpeto da roubalheira institucionalizada no país. Quem dera um pouco desse dinheiro repatriado fosse para educação e a saúde!

É claro que precisamos dos governos federal, estadual e municipal para a implementação de políticas públicas para tratamento do lixo, para geração de energia limpa, para o cuidado com mananciais de rios, mas precisamos começar a pensar e a agir sem a dependência do governo. Pequenas mudanças de hábitos levam a grandes mudanças. O vizinho vê que funciona e resolve também fazer. Nos sentimos melhores quando vencemos a inércia e passamos a fazer algo por nós, por nossa casa, por nosso prédio, por nossa rua, por nossa comunidade. Que cada um faça a sua própria mudança de hábito em 2015 e que todos possam ser mais felizes!!!

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