Por diana.dantas

Um dia desses uma amiga postou no Facebook que tinha comprado uma panela de pressão elétrica e não sabia usar, o que significava que ela ia juntar mais um trambolho na cozinha, ao lado da máquina de fazer pão e da centrífuga de sucos com casca e tudo. Os 38 comentários e 45 curtidas mostraram que o problema dela não era isolado. Ou seja, várias pessoas tinham em casa eletrodomésticos que não sabiam como usar ou que não funcionaram como deveriam ou não eram práticos como se esperava. Lembrei-me das minhas últimas aquisições e concluí que a indústria não nos ajuda a comprar seus produtos. Faltam informações relevantes para a escolha do consumidor. Dois exemplos são a questão da potência e a do nível de ruído. Não sei qual a potência que escolho nos aparelhos porque não tenho como saber o que estarei aproveitando do aparelho com a potência escolhida.

A primeira observação da minha amiga é que a panela de pressão elétrica tinha muitos botões, o que era um problema para ela que cozinha medianamente. A máquina de fazer pão foi a que mais recebeu boas informações, ou seja, a que mais era utilizada. A centrífuga dividiu opiniões, alguns elogiaram e teve até quem se oferecesse para comprar de outro. Já outra amiga disse ter devolvido a sua porque não se entendeu com tantas peças. A panela de arroz recebeu vários comentários de pessoas que desistiram de usar, e eu me incluí nesta lista.

Pelo que percebi, o novo sonho de consumo dessas mulheres é o airfryer. Uma das amigas, que tinha acabado de comprar uma dessas, reportou que a panela faz as coisas direitinho, só que não trazia um livro de receitas e assim ela não sabia qual o tempo necessário para cada alimento. Por fim, pediu ajuda para outros internautas que já utilizam a nova candidata a trambolho. Outro amigo deu uma dica que serve a todos: põe no youtube, lá, às vezes, têm uns tutoriais ensinando como usar.

Esta é a questão. Não deveria ser o youtube a informar. O consumidor deveria ter estas informações na hora de comprar, na oferta do produto, e não ter que fazer um monte de pesquisas para ter certeza de que está comprando o produto ideal para a sua necessidade. E, quando não compra o produto certo, arruma mais um trambolho para guardar. No meu caso, caí no conto da panela de arroz. Comprei sem nenhuma pesquisa. A primeira vez que fiz o arroz integral, levou umas cinco horas para ficar pronto. Tentei mais uma vez e por fim joguei no lixo a tal máquina. Minha filha ganhou uma máquina de fazer macarrão. Na terceira tentativa, e depois de muita sujeira, o destino da máquina também foi o lixo.

Ultimamente fiz umas compras que me mostraram como o consumidor sofre para ter as informações necessárias e o que ele perde quando não as têm. Comprei um cooktop elétrico. Já foi muito confuso entender que era uma nova tecnologia de indução vitrocerâmica. Dias depois de receber o produto, minha filha disse que, ao fazer uma pesquisa pelo google sobre o que as pessoas diziam a respeito do cooktop, descobriu que era necessário ter uma panela específica para esta tecnologia, panela de ferro ou de fundo duplo. Ou seja, as que tínhamos em casa não serviam. Gastei mais R$ 300 para comprar um jogo pequeno das panelas. Mas esta informação não constava em nenhum lugar na oferta do fogão.

Outra compra complicada e que me deixou frustrada foi a da cafeteira elétrica. Eu tinha uma cafeteira simples que durou anos. Quando a jarra de vidro quebrou, não valia a pena comprar outra jarra, pois o preço era quase o mesmo que o de uma cafeteira nova. Confiei na marca e comprei outra igual. Dei azar. A nova não permanecia quente. Joguei fora. Comprei de outra marca, mais cara, mas que dizia que a garrafa era térmica e manteria o café quente. Isso não acontece. A garrafa não é térmica. Ela mantém o café um pouco mais quente, mas por muito pouco tempo. Se eu soubesse disso, teria preferido comprar uma simples, na qual o café vai secando, mas fica sempre quente.

Difícil também foi escolher um aspirador de pó. Verifiquei que existia o modelo sem saco, mas não ficava claro, na oferta do produto, como se limpava o reservatório de pó. Outra encrenca é como escolher a potência dos produtos e o nível de barulho, porque não existe uma tabela de referência para entendermos o que estamos adquirindo. Por exemplo, qual a potência ideal para um secador de cabelo? Meu genro, que é engenheiro, me explica que depende da resistência do aquecimento e do ventilador. Eu, como leiga, só quero secar o cabelo. Então pergunto, qual a referência? Ele me responde que é justamente isso que não existe, a pessoa acaba comprando por comparação. Olha o da amiga, se achar que serve para secar rápido o seu cabelo, escolhe esse, esta é a sua referência. Muito empírica, vamos combinar. O ideal é que tivesse uma tabela de referência, na qual a consumidora pudesse fazer uma ligação entre a potência do produto e o tempo para secamento do cabelo.

Falta informação na hora da oferta dos produtos. Acho que este fato incomoda a muitos consumidores. Só não sei se os fabricantes sabem disso, mas não se importam em melhorar, pois já vendem o suficiente, ou se até preferem que o consumidor não saiba mesmo muito sobre o produto, para que compre por impulso, mesmo que não fique tão satisfeito com a compra, mas o importante é vender. Prefiro os fabricantes que investem na informação e na satisfação do consumidor. Eu, particularmente, estou criando a minha lista negra de fornecedores que informam mal. Sempre que possível, não compro deles. E, se tiver que comprar, me armo de paciência para pesquisar muito. Mas, agora, antes da próxima compra, vou consultar as amigas sobre a lista dos produtos destinados a trambolhos. Assim, evito gastos, decepções e lixo eletrônico.

Você pode gostar