Por diana.dantas

Neste Carnaval, andei pelo Rio e fiz umas viagens por perto. Constatei que os serviços estão muito ruins em todos os lugares e não apenas na capital. A impressão que eu tenho é que nos lugares turísticos do Brasil, os comerciantes acham que estão fazendo um grande favor de atender os visitantes. Garçons são um capítulo à parte. Para eles, se a casa está cheia importa pouco atender bem, os 10% dele estão garantidos. Sei que não é uma questão de fácil análise, mas venho refletindo porque, de uma maneira em geral, comerciantes e atendentes se acomodam em entregar o mínimo, parece que ninguém tem interesse em melhorar. Por incrível que pareça, o lugar onde recebi melhor atendimento foi nos restaurantes de Sana, distrito de Macaé. E o mais interessante é que, nestes lugares, fui atendida por mulheres que não eram brasileiras, e traziam sotaques sul-americanos.

Nos restaurantes e bares, todo o atendimento é sofrível, a começar pela demora em limparem a mesa anterior, a falta de interesse em entender a vontade do cliente e oferecer o que lhe seria mais conveniente, e a dificuldade de chamar o garçom, em qualquer momento. Aliás, neste quesito, devo elogiar a Casa do Alemão da Região dos Lagos. Eles colocaram um aparelho em cada mesa que a pessoa aperta para chamar o atendente. Apita e acende um luminoso com o número da mesa. Não dá para o garçom fingir que não viu e fazer aquele olhar longínquo no horizonte, de quem está procurando terra à vista.

De sábado de Carnaval a quarta-feira de cinzas passei em Sana. A cidade estava lotada, como em qualquer Carnaval. Muitos turistas de outras cidades, o pequeno arraial cheio de carros. O Carnaval de rua foi gostoso, singelo, incluiu todas as idades, como sempre acontece nas cidades pequenas. O problema maior foi trazido pelos visitantes: o som alto nos carros, que incomoda e não tem nada a ver com o clima calmo de Sana. Mas num camping, ao lado de onde estávamos estacionados com o motor home, o som bate estaca varava madrugada, numa falta de respeito absurda com moradores e turistas. Onde estava o comerciante, dono deste camping, que não impedia este desrespeito? Ainda bem que a minha casa anda e fugi do barulho. A cidade tem poucos restaurantes, e o atendimento dos pequenos empresários estrangeiros é muito melhor, até mesmo da galera que vende água, refrescos e bolos, no fim da trilha da cachoeira da mãe.

Do sábado seguinte até segunda-feira passei em Cabo Frio. Ali o descaso é triste. Fim de festa, a cidade estava suja, o trânsito é um tumulto. E parece que as pessoas querem se livrar dos clientes, há sempre a tentativa de não atender. Estávamos na praia do Peró. Já foi difícil encontrar um restaurante sem som alto, no qual o garçom não esperava que disséssemos o que queríamos, e não vinha atender quando chamávamos. Era preciso falar: vou te pedir três coisas, não saia daqui antes de responder...pode isso? Ainda no Peró, queríamos um táxi, e as pessoas somente diziam, aqui não vai achar não. Até nos deram os telefones das centrais de táxi, uma não atendia, e a outra disse que talvez tivesse um táxi em 40 minutos. Meia hora depois, e muita dificuldade para ligar, porque as duas operadoras dos nossos celulares não completavam a ligação (mas esse é outro assunto...), a atendente da central de táxi disse que achava melhor a gente não ficar esperando porque a ponte engarrafou. Não acreditamos, obviamente. Por sorte apareceu um táxi trazendo uma pessoa, e nos salvou, nos levando no camping.

Cabo Frio é uma cidade turística da maior importância no nosso estado, e não tem um táxi, numa praia cheia, num domingo de sol, no meio da tarde. É claro que a gente nem pensou em sair de noite. Como voltaríamos? Algum comerciante deixou de receber por um jantar. Nos contentamos com uma pizza, que é a única coisa que é entregue no camping. Vale ressaltar que fomos para Cabo Frio porque é uma das poucas cidades que têm camping funcionando com energia, água e esgoto, na Região dos Lagos. É impressionante como num estado com tantas praias, pouco se investe no campismo, que é um investimento barato e com um retorno certo. Na região Serrana existem muito mais cidades com campings organizados. Em Sana, quando cheguei no sábado, todos os campings estavam lotados, por isso fui para um estacionamento.

Mas, voltando a pensar porque os serviços não melhoram, e a qualidade é sempre nivelada por baixo, creio que, é claro, que o problema básico é educação. As pessoas não têm uma educação básica, então é muito difícil para o comerciante contratar uma mão de obra pronta, e é trabalhoso ficar treinando. Porém, fico encafifada porque ninguém tenta melhorar. As próprias pessoas não têm aspiração de crescer, de aprender mais? As relações trabalhistas se deterioraram tanto, que nenhum funcionário veste mais a camisa de seus empregadores? A falta de perspectiva da economia está deixando as pessoas desanimadas? Se teremos um ano ruim por que ficar tentando melhorar? Os pequenos empresários apenas se contentam em manter o negócio? É tudo isso ao mesmo tempo agora?

Sinto falta do tempo em que as pessoas gostavam dos seus trabalhos, se sentiam acolhidas. Os empresários se preocupavam em melhorar a vida de seus funcionários, davam benefícios que ajudavam às famílias, queriam que seu empregado fizesse carreira na empresa. Hoje, a terceirização impera, muda-se de emprego com facilidade, até porque o empregador já espera por isso. As metas são quase impossíveis de serem cumpridas, o funcionário está sempre em dívida com a empresa, tendo, diariamente, que provar que ainda aguenta. Um dia ele cansa, e passa a viver apenas aquele dia, sonhando com o dia de mudar de emprego e não de melhorar no que tem.

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