Por diana.dantas

Nestes tempos bicudos, de economia lenta e poucas vendas, venho alertando que os consumidores precisam ter muito cuidado com as ofertas e promoções, cada vez mais capciosas na sua forma de atrair. Isso para ser gentil. Mas essa atenção tem que ser redobrada quando se trata de internet, porque, neste mundo virtual, o anonimato transforma, rapidamente, uma oferta imperdível, em crime. E são golpes cada vez mais difíceis de serem rastreados, pois alguns são elaborados na chamada internet profunda e atingem milhões de pessoas, como é o caso da venda de cartões de crédito falsos.

As ofertas de eletrônicos ainda são as campeãs de chamariz para o consumidor com pouca experiência de compras na internet. E a facilidade de a empresa surgir, dar o golpe e sumir, dificulta o rastreamento e a identificação dos donos. Recebi de uma amiga jornalista um relato do que o filho dela vem descobrindo, a partir do momento em que se tornou uma vítima de uma compra feita na internet, que nunca chegou. Ela conta:

“Um grupo de estelionatários vem atuando no setor de e-commerce e enganando muita gente. A loja virtual Chico Magazine (CNPJ11205917/0001-49) utilizava um CNPJ antigo (de 2009), ofertas de produtos eletrônicos “mais em conta”, algumas reclamações falsas no site “Reclame Aqui” e sua associação com o Shopping UOL (tendo inclusive PagSeguro da UOL), para dar uma falsa credibilidade à empresa e convencer inúmeros compradores, que ficaram sem suas mercadorias e sem o dinheiro depositado.

Seus prazos de entrega eram super-rápidos, até sete dias úteis. Diante da demora nas entregas, os consumidores começaram a desconfiar. As reclamações eram respondidas pela empresa com desculpas e novos prazos para entrega, o que nunca acontecia.
Com grande número de insatisfeitos, a empresa começou a anunciar que estava “encerrando as atividades” e que “todas as pendências seriam sanadas”. Mais uma mentira do grupo. Este era apenas o cartão de despedidas para que os bandidos digitais se desvinculassem da marca Chico Magazine fugindo, assim, dos contatos através dessa firma. Dias depois, entretanto, outro site de venda, com o mesmo CNPJ, o Life Electro, já estava ativo para enganar mais alguns e arrecadar mais dinheiro para a quadrilha.

Os consumidores enganados procuraram a Justiça, Procon, Polícia e até seus bancos para que fossem localizados os mentores deste golpe. Foi descoberto que o dinheiro ia para a conta de uma terceira empresa, a Onlycell, (CNPJ 19120991/0001-74), que também tem site de vendas de eletrônicos ativo. Essa empresa vem enfrentando a ira de consumidores que não receberam seus produtos e nem tiveram seu dinheiro de volta.

Há vários endereços e telefones apresentados pelos ladrões, na Receita Federal, nos sites e no registro eletrônico dos sites. Endereços que, em sua maioria, parecem não ter a mínima relação com as atividades dessas empresas. São endereços de fachada onde, na verdade, existem casas, prédios e até revendedora de veículos. Todos eles são da cidade de Maringá, no Paraná, ou de Presidente Venceslau, em São Paulo. Segundo a polícia, os falsários atendem pelos nomes de Ronaldo Gomes e Therezio Fugi Martins, apontados como responsáveis por estas empresas. Atualmente, só no site “Reclame Aqui”, há mais de 500 reclamações dessas empresas”.

Em seu site, o Procon de São Paulo observa que quando um consumidor faz um a compra na internet, fornece dados pessoais e sigilosos, tais como o número do cartão de crédito e seu endereço para fechar o negócio. Por isso, antes de tudo, é muito importante que cuide da segurança do computador para evitar que as informações sigilosas sejam capturadas indevidamente por terceiros. E orienta que o consumidor mantenha um antivírus atualizado e tenha cuidado com endereço de e-mails e sites falsos que direcionam para outros locais da rede.

Para ter mais segurança sobre a idoneidade do site, o Procon afirma que os dados do responsável pelo site poderão ser consultados no endereço www.registro.br. Na página que abrirá, existe o campo para digitar o endereço do site. Após a inclusão do endereço, deverá clicar em “pesquisa”, depois em “mais informações” e, por fim, em “whois”. Com base nas reclamações registradas neste órgão, o Procon paulista mantém um cadastro em seu site, com informações dos últimos cinco anos, para consulta, que poderá ser realizada no link “empresas reclamadas”.

Aliás, o roubo do número do cartão de crédito de consumidores é um dos crimes preferidos dos hackers, mas não é para eles comprarem produtos em nome de outras pessoas, mas sim, para vendê-los no mercado ilegal na chamada internet profunda, para fraudar novos cartões. Segundo analistas de segurança, os criminosos criam sites falsos ou mandam mensagens por email ou SMS pedindo dados das pessoas para participação em sorteios, ou fazem ofertas de produtos com preços abaixo do normal. No fim do ano passado, o relatório do departamento de segurança da Dell “Underground hacker markets” afirmou ter encontrado neste mercado negro um site que vendia 14 milhões de cartões americanos, 294 mil brasileiros, 212.100 do Canadá; 75.992 no Reino Unido, 26.873 na União Europeia e 342.179 de diversos países.

Neste ranking estamos junto com o primeiro mundo. Mas se aqui no Brasil não conseguimos nem prender os ladrões com nome e sobrenome conhecidos, que dirá hackers que já contam com o anonimato para garantirem a impunidade. Venho falando da importância de as empresas demonstrarem boa-fé e transparência nas ofertas de produtos e serviços. Mas, na internet, só resta a nós, consumidores, termos muito, muito cuidado, porque este, sim, é um mundo inseguro e muito difícil de recuperar perdas.

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