Por julia.sorella

Niterói - "Se não der o Brasil na final da Copa, a seleção campeã será sul-americana. Minha aposta é a Colômbia. Não acredito na Espanha e nem na França. As seleções europeias que metem medo são Alemanha, que não brinca em campo, e Itália, que sempre começa mal e depois melhora. É time de chegada.”

A menos de um mês do Mundial, o palpite é arriscado pelo tricampeão mundial Roberto Miranda, 70 anos, um dos cinco ex-campeões do mundo que nasceram ou moram em Niterói.

Brasil e Colômbia empataram em 1 a 1 na última vez em que jogaram. Na Copa que começa dia 12 de junho, podem se enfrentar a partir das quartas de final.

Roberto foi convocado em 1970 pelo técnico Zagallo, que o escolheu porque poderia contar com ele na ponta, no ataque ou como meia ofensivo. “Você é um jogador que tem que estar sempre com chuteiras amarradas”, disse Zagallo quando o convocou.

Roberto no Caio Martins%3A ‘embaixador’ do Botafogo nas categorias de base Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Reserva de Tostão (ameaçado de não jogar devido a um descolamento de retina) e curinga para as posições de Jairzinho e de Pelé, Roberto entrou em dois jogos, usando a camisa 13, talismã do técnico. Estava pronto para ser titular e até foi figurinha carimbada dos álbuns da época.

Contra os ingleses, Tostão não ia bem. E percebeu que o reserva estava se aquecendo. Então, se encheu de brios e, no minuto seguinte, na grande área inglesa, depois da histórica sequência de dribles que desmoralizaram os campeões de 1966, passou a bola a Pelé, que deixou Jairzinho na cara do gol. Saiu, depois do lance mais genial de sua vida. E Roberto entrou para segurar o resultado.

No jogo contra o Peru, substituiu Jair, companheiro no ataque do Botafogo bicampeão de 1967-68. “Vai lá porque o Jair está driblando o lateral muito em cima, e o cara está tomando a bola dele o tempo todo”, ordenou o treinador.

Apesar de brigão — os sopapos com o vascaíno Fontana e com o rubro-negro Manicera entraram para a história do futebol carioca —, Roberto não era indisciplinado. Uma experiência que hoje transmite aos garotos da base do Botafogo, no qual voltou a trabalhar depois de mais de 15 anos de sua vida como jogador.

Foi lá que nasceu a fama de atravessar defesas adversárias causando estragos como um furacão. Como assim? Furacão não era o apelido de Jairzinho? Roberto ri da história. Furacão era ele mesmo. Jairzinho ficou com o apelido por engano do locutor Waldir Amaral. “Depois, disseram que eu era Vendaval e ficou por isso mesmo”.

O segredo do preparo físico que o levava a infernizar as zagas inimigas: só treinava usando colete, o que o obrigava a se esforçar em dobro. No jogo mesmo, tudo parecia mais leve. Corria mais e saltava mais alto do que os outros para cabecear uma bola.

Ideia do também marrento preparador Paulo Amaral, que lhe dizia antes dos treinos: “Você reclama agora. Vai ver na hora do jogo”. Roberto agradece até hoje.

Você pode gostar