Por julia.sorella

Niterói - Empréstimos sem juros ou com taxas bem abaixo do mercado, sem comprovação de renda, mesmo com o nome sujo na praça, e descontos em estabelecimentos comerciais. O que parece ser um sonho para muita gente já virou realidade para os moradores do Preventório, em Charitas.

Há três anos, a comunidade ganhou o Prevê, moeda social que trouxe essas facilidades e ajudou a alavancar a economia no morro, já que a moeda só pode ser utilizada em transações na favela e por moradores do local. Para conseguir o benefício, basta apenas comprovante de residência. Mas quem não tem também consegue o empréstimo. “Como conheço todo mundo aqui, não temo como nos enganar. E se demorar a pagar, vou cobrar porque sei onde todos moram. Temos uma relação de confiança e isso ajudou no sucesso do projeto”, contou a presidente do banco, Maria das Graças Nunes, de 60 anos.

Francisco Silva%2C de 61 anos%2C passou a aceitar o Prevê no pagamento das contas e se deu bem%3A o movimento da clientela da birosca aumentou muitoCacau Fernandes / Agência O Dia

O Prevê vem pelo Banco do Preventório, que funciona na favela e é gerido pelos próprios moradores. O estabelecimento é um projeto da Ampla em parceria com a Coordenadoria da Incubadora de Empreendimentos em Economia Solidária da UFF (IEES-UFF).

Um Prevê equivale a R$ 1. Os empréstimos sem juros variam de R$ 50 a R$ 150. Acima desse valor, o morador paga uma pequena taxa. Para quem quer construir ou aumentar a casa, o banco empresta até R$ 500. O banco recebe consultoria e acompanhamento do Banco Comunitário Palmas, do Ceará, e está prestes a conseguir R$ 3 milhões do BNDES para aumentar a movimentação do estabelecimento. Ele é o segundo banco do modelo no estado. O outro fica em Duque de Caxias, na Baixada.

O Prevê é a moeda oficial da comunidade do Preventório%2C em CharitasCacau Fernandes / Agência O Dia

“Muitos conseguiram melhorar de vida graças ao banco”, festeja a tesoureira e caixa do banco, Maria Hosana Gomes, de 49 anos.O comércio no morro também dá 10% de desconto nas compras com Prevê. Francisco Silva, de 61 anos, é um deles. “Às vezes, o cliente só tem Prevê. Aceitando a moeda, não deixo de vender. Assim, consegui mais clientes”, afirma ele que já pegou empréstimos no banco.

A socióloga e assessora do projeto, Bárbara França, explicou por que o Preventório foi o escolhido. “Os moradores aceitaram muito bem o projeto”, contou ela avisando que precisam de mais parceiros para ampliar os programas e continuar com os que correm em paralelo. O sucesso foi tanto que o banco acaba de lançar a segunda moeda: o Lobato. Ela está sendo usada no 4º Salão de Leitura de Niterói e vai ajudar estudantes da rede pública da cidade a comprar livros no evento.

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